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Por que Reino do Amanhã seria a história perfeita para o atual Universo DC do cinema
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Por que Reino do Amanhã seria a história perfeita para o atual Universo DC do cinema

Clássica HQ poderia servir de base para um adeus em grande estilo antes do inevitável reboot

Gabriel Avila
Gabriel Avila
06.jan.23 às 11h38
Atualizado há cerca de 2 anos
Por que Reino do Amanhã seria a história perfeita para o atual Universo DC do cinema

É um momento de incerteza para os fãs da DC no cinema. Descontente com os rumos que esse universo tomou nos últimos anos, a Warner está planejando uma reestruturação tão grande que pode marcar o reboot do chamado Universo Estendido DC.

Os ares de mudança começaram com a escalação do cineasta James Gunn e o produtor Peter Safran – que trabalharam nos elogiados O Esquadrão Suicida (2021) e Peacemaker, série do Pacificador – para chefiar o estúdio. Atualmente, a dupla trabalha em um plano para os próximos 10 anos da franquia. Do tal projeto, sabe-se apenas que ele não inclui Henry Cavill, intérprete do Superman desde O Homem de Aço – que inaugurou o DCEU em 2013.

Gunn usou as redes sociais para explicar que o astro foi dispensado pois o próximo filme do kryptoniano vai mostrá-lo em um período inicial de sua vida. Tal adeus ligou um alerta de que esse universo será reiniciado, mesmo que parcialmente. Os fãs lamentaram a despedida, especialmente pelo carinho que o ator demonstrou ao Superman durante a década. É um sentimento que pode se repetir muitas vezes, caso esse seja o destino da Mulher-Maravilha de Gal Gadot, o Aquaman de Jason Momoa e tantos outros heróis.

Uma forma de diminuir a tristeza desse desfecho seria dar um adeus apropriado a atores que viveram personagens tão icônicos por anos. E o que poderia ser mais adequado do que contar uma história grandiosa, emocionante e tão inspiradora que nos lembra por que gostamos de super-heróis? É aí que entra Reino do Amanhã, clássica HQ que poderia servir de base para uma despedida da fase atual em grande estilo.

O que é Reino do Amanhã?

Arte de Alex Ross para Reino do Amanhã Superman e heróis da DC em Reino do Amanhã

Antes de prosseguir, é interessante voltar aos anos 1990. Os fãs de quadrinhos lembram com certa vergonha que esse foi um período complicado para os super-heróis. Na época, as grandes editoras passaram a tomar menos cuidado com as histórias e mergulharam em publicações cada vez mais rasas e apelativas.

Contrariado com essa perspectiva, o renomado artista Alex Ross enviou à DC a proposta para uma história que lembrasse o verdadeiro papel dos heróis. Empolgada com a proposta – especialmente devido ao sucesso que o artista teve na concorrente com a HQ Marvels –, a editora chamou Mark Waid para desenvolver o roteiro.

A dupla imaginou um universo alternativo em que o Superman se exilou ao sentir que não se encaixava após a humanidade lhe virar as costas para apoiar Magog, um herói que fazia justiça com violência e sem o menor pudor. Desde então, uma nova geração de vigilantes surgiu e se tornou tão cruel e irresponsável, que passou a causar tanta destruição quanto os vilões.

Grande batalha de Reino do Amanhã Superman enfrenta Shazam em meio à grande batalha de Reino do Amanhã

Após uma missão desastrosa que causou a morte de um milhão de pessoas, o Homem de Aço reúne a velha guarda e volta para lembrar ao mundo o verdadeiro dever dos heróis. Enquanto isso, a humanidade decide usar armas e tecnologia para se defender dos supers, que passaram a ser vistos como uma grande ameaça graças à irresponsabilidade no uso de seus poderes.

Publicado em quatro partes pela DC em 1996, o quadrinho se tornou um clássico absoluto da editora. Premiada e ovacionada por público e crítica, a HQ virou uma influência tão grande que até o DCEU tirou uma casquinha – seja focando em conflitos de heróis contra heróis, ou em inspirações visuais.

Imagens de Reino do Amanhã que inspiraram Superman e Mulher-Maravilha dos filmes da DC Superman e Mulher-Maravilha dos cinemas e suas inspirações em Reino do Amanhã

Adeus ao que ficou para trás

O primeiro ponto para Reino do Amanhã cair como uma luva para o adeus ao DCEU é o fato dos personagens serem versões mais experientes dos heróis. Antes de promover a troca para atores mais jovens, o DC Films poderia usar os atores atuais em uma encarnação que reforce o status de “velha guarda” que eles adquiriram ao protagonizar a primeira encarnação desse universo compartilhado.

Essa decisão cairia como uma luva, já que os principais personagens de Reino do Amanhã deram as caras no DCEU. Além do próprio Superman, heróis como Batman, Mulher-Maravilha e até o Shazam têm papéis importantíssimos na trama. Essa seria a chance de valorizar a jornada desses atores e, ao mesmo tempo, promover o grande evento cinematográfico que o estúdio ficou devendo nas duas versões do filme Liga da Justiça.

Isso ajudaria até mesmo a fixar na cabeça do público o contraste entre o “velho” e o “novo” DCEU. Se a ideia é que a nova geração seja composta por versões iniciantes, faz sentido que ela surja das cinzas da antiga, que pode aparecer pela última vez portando cabelos brancos e rugas com orgulho.

Superman e os heróis da DC em Reino do Amanhã Superman acompanhado dos heróis da DC em Reino do Amanhã

Boas-vindas ao novo Universo DC

Visual à parte, o que também torna Reino do Amanhã uma escolha perfeita para a despedida do DCEU atual é a possibilidade da história repetir nos cinemas o que fez nas HQs. Alex Ross e Mark Waid foram inspirados pela insatisfação com o que estava sendo feito com os super-heróis, cada vez mais distantes do que deveriam ser e representar.

A história nasceu do desgosto com uma indústria que enxergava universos e personagens tão ricos como uma simples moda lucrativa. Um momento em que a criatividade e o cuidado com as histórias importava menos do que o número de publicações e bonequinhos disponíveis para a compra.

Dadas as devidas proporções, é possível enxergar paralelos entre esse cenário e o momento atual não só da DC, mas dos super-heróis num geral dentro do cinema. No auge de sua popularidade ao lucrar bilhões, o gênero passou a ser visto cada vez mais como uma mina de ouro pelas produtoras. Não à toa, as histórias passaram a ser quase secundárias em meio a preocupações mais “urgentes” como participações especiais surpreendentes e preparação para os próximos filmes e séries.

Em 1996, a resposta de Ross e Waid foi mostrar na prática o que esses heróis poderiam e deveriam ser. A dupla criou um conto épico tão grandioso quanto intimista, cheio de batalhas e reviravoltas, mas sem esquecer da emoção. Uma verdadeira ode ao Universo DC e seus habitantes, utilizando as particularidades desses personagens que acompanhamos há tanto tempo, para nos lembrar por que não os abandonamos.

E veja bem, não é como se o cinema da DC atual fosse um desastre. Faz anos que a empresa produz filmes que passam longe de serem bombas, além de ser responsável por lançamentos prestigiados como Batman (2022) e o oscarizado Coringa (2019). Porém, esse é um universo tão rico e cheio de possibilidades que pode – e deve – sonhar mais alto, com eventos cinematográficos do porte dos ícones que tem em mãos.

Para a sorte dos fãs, essa parece ser uma opinião compartilhada por quem tem o poder de tomar as decisões atualmente. Chefe da DC Films, James Gunn já foi a público acalmar os fãs dizendo que as escolhas para o novo DCU “se baseiam no que acreditamos ser o melhor para a história e para os personagens da DC que estão por aí há quase 85 anos”.

Se esse espírito de tratar os personagens com respeito para trazê-los de volta aos dias de glória lembrar Reino do Amanhã, não se assuste: pode ser proposital. Isso porque o próprio Gunn usou uma clássica arte do quadrinho para mostrar que estava “fazendo planos”.

Tweet de James Gunn dizendo que está "fazendo planos" com uma imagem do Reino do Amanhã James Gunn "fazendo planos" com Reino do Amanhã?

Claro que o uso da imagem não significa a existência de planos para uma adaptação de Reino do Amanhã – talvez, ela tenha sido escolhida apenas por mostrar uma bela reunião de heróis da DC. Ainda assim, não custa torcer para que a história tenha alguma influência nos próximos filmes da Detective Comics. Até porque, se tem uma coisa que os super-heróis nos ensinaram, é sonhar com um amanhã melhor.

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