Assim que o jogo de Scott Pilgrim foi anunciado, lá em 2009, os fãs foram à loucura. Afinal, literalmente, colocar a HQ de Bryan Lee O’Malley, que referencia videogames a cada página, em um game, era a receita perfeita.
Não apenas isso. O título ainda resgataria o melhor do velho beat’em up, um gênero que dominava os fliperamas, mas que acabou se tornando um estilo de nicho na indústria atual.
A cereja do bolo era que o próprio O’Malley ajudaria no projeto, servindo como supervisor e chegando até a participar da criação de cenários e mecânicas.
A ideia resultou em um jogo retrô, de gráficos pixelados, que coloca o jogador para enfrentar todos os ex-namorados malignos de Ramona Flowers, a garota que Scott quer conquistar.
Explorando uma jogabilidade old-school, chefes divertidíssimos, dificuldade desafiadora e trilha sonora ao estilo chiptune, a experiência foi diversão na certa — com direito a modo “cooperativo de sofá” de até 4 jogadores para tornar tudo ainda mais maluco.
A mistureba acabou conquistando tanto o coração dos fãs de Scott Pilgrim quanto aqueles que buscavam uma boa dose de nostalgia. Ele ainda era uma excelente opção na época pelo baixo custo de US$ 14.99, uma vez que era um título menor e foi lançado apenas digitalmente.
Com o sucesso do lançamento, o jogo ainda recebeu novidades três anos depois, como modos adicionais, um mini-game de queimada e mais personagens jogáveis: Knives Chau e Wallace Wells.
Recepção da crítica
Scott Pilgrim vs the World: The Game não conseguiu elogios apenas dos fãs, mas também da crítica especializada, que pontuou pequenos tropeços e deu notas acima da média.
O site americano GamesRadar, por exemplo, deu nota 80 e ressaltou como o estilo retrô conseguia conquistar uma nova geração de jogadores: "Assim como os quadrinhos e o filme, o jogo fala diretamente com uma geração que vai amar essa explosão nostálgica do passado."
Já a Eurogamer da Itália usou três adjetivos para descrever o game: "simples, intuitivo e, acima de tudo, divertido". E ainda ressaltou a jogabilidade acessível e o visual pixelado.
Por fim, o Engadget ressaltou que é uma experiência que vale o preço, sendo um daqueles jogos em que "você joga apenas a primeira fase e já quer recomendar para todo mundo."
O desaparecimento nas lojas
No entanto, uma surpresa nada agradável aconteceu no finalzinho de 2014, mais especificamente no dia 30 de dezembro, quando Scott Pilgrim vs the World: The Game foi repentinamente retirado das lojas digitais do PlayStation 3 e Xbox 360, sem qualquer explicação.
Desde então, não foi mais possível comprar o jogo — e os únicos com acesso foram os jogadores que compraram antes da retirada das lojas.
O motivo é um mistério até então, e o caso é cercado de especulações e teorias. Na época, alguns chegaram a sugerir que houve uma complicação envolvendo direitos autorais com a Anamanaguchi, banda responsável pela trilha sonora.
Outros apontaram que, na verdade, foram problemas de licenciamento com a Universal por causa da adaptação para o cinema, Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010), que foi lançada poucos meses depois do game.
Só que nada foi realmente confirmado, e a situação continua sem resposta até hoje. Mas, pelo menos, a Ubisoft anunciou que o desaparecimento tem data para acabar.
O relançamento em 2020
Depois de várias especulações, envolvendo até postagens misteriosas de O’Malley no Twitter (veja aqui), a empresa anunciou o retorno de Scott Pilgrim vs the World: The Game em um relançamento para as plataformas da atual geração.
O jogo será lançado para praticamente tudo: PlayStation 4, Xbox One, PC (via Uplay), Nintendo Switch e até Google Stadia. E ainda pelo mesmo preço: US$ 14.99.
Apesar de ainda não ter uma data definitiva para acontecer, a janela de lançamento já foi confirmada para o final de 2020.
Demorou "apenas" seis anos, mas os fãs finalmente vão poder reencontrar Scott, o "nerdão esquisito", e derrotar a Liga dos Sete Ex-Namorados Malvados em breve — e, sinceramente, mal vejo a hora para isso!