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Encanto | Crítica
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Encanto | Crítica

Animação acerta ao falar sobre relações familiares de forma lúdica

Camila Sousa
Camila Sousa
23.nov.21 às 11h33
Atualizado há mais de 1 ano
Encanto | Crítica

Não é de hoje que as animações não são feitas exclusivamente para as crianças. E as produções que mais se destacam no gênero costumam ser aquelas que mesclam com sucesso temas importantes e linguagem lúdica. Essa é uma das maiores qualidades de Encanto, novo filme do Disney Animation Studios.

Situada na Colômbia, a trama é sobre a família Madrigal, que possui uma dádiva chamada Encanto. Graças a ela, cada herdeiro ganha um dom mágico ao completar uma certa idade. A única exceção é Mirabel (voz original de Stephanie Beatriz), que não recebeu nenhum poder quando chegou sua hora. Ela tenta viver feliz ao lado da família, embora se sinta deslocada, até que percebe que pode ter algo errado com a magia que faz parte de suas vidas.

A sinopse já deixa claro que Encanto fala muito sobre o tema de família, e um dos maiores diferenciais do filme é fazer isso pelo ponto de vista da cultura latina. A casa dos Madrigal (que também possui magia) está sempre cheia, com amigos e parentes entrando e saindo, pessoas falando alto e crianças brincando por toda parte. Esse calor humano transmitido pelo longa gera um sentimento de conforto. Embora não seja situado no Brasil, é quase impossível não se identificar com alguma briga boba ou confusão entre os moradores da casa - que fazem as pazes logo em seguida.

É um triunfo do filme, aliás, mostrar a cultura latina sem soar estereotipada. A natureza e os animais, por exemplo, são parte importante da história e dos poderes de um dos herdeiros, então eles fazem sentido na narrativa e não soam exagerados dentro do todo. O mérito disso é ter pessoas dessa cultura trabalhando nos bastidores, como a codiretora e roteirista Charise Castro Smith, de origem cubana, e o próprio Lin-Manuel Miranda, compositor que ajudou a criar a história.

Encanto também fala sobre relações em um período em que elas passaram por grandes transformações. Assistir ao filme após quase 2 anos de isolamento social produz diversos sentimentos - reconhecimento para quem passou a pandemia com a casa cheia, e uma certa nostalgia para aqueles que ficaram meses sem ver os pais, amigos, etc. O resultado é um filme emocionante, que faz o público sair do cinema pensando sobre seu próprio lugar na família - e com vontade de ligar para o parente mais próximo.

Ao mesmo tempo em que desperta tantos sentimentos profundos, Encanto também diverte e é lúdico o suficiente para ter a atenção das crianças: os poderes de cada membro da família Madrigal são de encher os olhos, as músicas são muito bem apresentadas e ficam na cabeça após a sessão, e há muito espaço para o humor, trazido especialmente por Mirabel. Por ser a única Madrigal sem um dom, a personagem se sente deslocada e aprendeu a lidar com isso usando uma certa ironia autodepreciativa, que vai agradar quem é fã desse tipo de diálogo.

Como várias animações, Encanto apresenta seu universo de uma forma, apenas para depois desconstruir essa ideia e fazer o público pensar sobre suas próprias construções. Mirabel, por exemplo, se acostumou em ser deixada de lado, até perceber que precisa fazer sua voz ser ouvida. Isabela (voz de Diane Guerrero) foi criada para ser a filha perfeita, até perceber o quanto isso a limita. E Luisa (voz de Jessica Darrow) entende que não precisa ser forte o tempo inteiro e pode ter seus momentos de descanso. Quando mostra tais mudanças tão significativas, Encanto fala sobre a diferença entre quem cada pessoa é e como ela é vista pela família - e como é importante encontrar seu lugar no meio disso.

A “moral da história” do filme não é inédita, mas é potente ao ser entregue ao público com tanto carinho e emoção. Relações familiares (sejam da família biológica, ou da família que cada um escolhe para si) nunca são fáceis. Sempre há diferenças de pensamentos, de ideologias e de formas de agir. E ainda que seja desgastante investir tempo e energia nisso, no final das contas, o carinho, amor e companheirismo entre aquele grupo de pessoas sempre faz o esforço valer a pena.

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