Você já deve saber o que é cyberpunk por conta do Nerdcast RPG Cyberpunk, mas sabe o que é Cypherpunk? Explorando o aspecto de subcultura do gênero, esse movimento debate algumas das principais questões da internet na atualidade: segurança e privacidade.
A suspeita de vazamento de dados, espionagem e cerceamento da privacidade são ideias tão antigas quanto a própria tecnologia — e que serviram e ainda servem de motivo para o surgimento de movimentos liderados pela própria população.
Algumas pessoas decidiram unir forças para encontrar uma maneira alternativa de se manterem seguras ao navegar pela internet, usando seus próprios esforços — e não medidas providas por empresas ou governo. E assim surgiu o Cypherpunk.
O que é Cypherpunk?
Cypherpunk é um movimento considerado como um ativismo da cultura hacker, cujo objetivo é usar a tecnologia em prol da liberdade de expressão. Ele começou a ganhar forma no início dos 1990, quando a criptografia começou a se popularizar e alcançar pessoas fora da área de especialistas no assunto.
O termo é um neologismo que mistura “cyberpunk”, gênero voltado para tecnologia e mundo cibernético, e “cypher”, que se refere a códigos ou, nesse caso, a indivíduos interessados em criptografia.
No dia 3 de março de 1993, surgiu o manifesto Cypherpunk. Ele foi escrito pelo matemático americano Eric Hughes, um dos fundadores do movimento.
O documento descreve que a tecnologia auxilia na união de pessoas, mas que elas têm o direito de defender sua própria privacidade. O texto afirma que órgãos oficiais não ajudam a população, apenas tiram vantagem. “Nós devemos defender nossa própria privacidade se esperamos ter alguma”, diz um trecho do manifesto que pode ser lido aqui.
O grupo é majoritariamente formado por indivíduos que se encontram online e que compartilham do interesse comum de defender os direitos civis e rejeitar o monitoramento governamental.
Reforçando que existe uma diferença entre “privado” e “secreto”, o movimento defende a criação de criptografias para que todos realmente possam ter privacidade na Internet. O manifesto continua: “Privacidade em uma sociedade aberta também requer criptografia. Se eu falar algo, quero que seja ouvido apenas por aqueles que são de minha escolha."
Nós, os Cypherpunks, nos dedicamos a criar sistemas anônimos. Nós defendemos nossa privacidade com criptografia, com sistemas de mensagem, assinaturas digitais e dinheiro eletrônico.
Todo tipo de codificação criado por um “cypherpunk” é disponibilizado de forma gratuita para quem quiser usar para se proteger — até para quem não faz parte do grupo: “Os Cypherpunks escrevem códigos. E eles são livres para serem usados por todos, ao redor do mundo inteiro”.
Com essa filosofia, o movimento se popularizou nos Estados Unidos e, no decorrer dos anos 1990, muitos desses cypherpunks foram contratados por instituições e empresas para desenvolver códigos de segurança para elas.
Cypherpunk hoje
No auge da popularidade do Cypherpunk, parte dos membros realmente se reuniam em pequenos grupos para colocar em prática suas ações e seus valores, como é o caso dos próprios fundadores Eric Hughes, Timothy C. May e John Gilmore.
Com o tempo, o movimento perdeu parte de sua popularidade e tomou uma forma mais individual e silenciosa, mas nunca deixando de existir.
Agora, a maioria dos cypherpunks são membros antigos, cujas criações ainda influenciam a sociedade atual. Um exemplo é Julian Assange, ativista e fundador do WikiLeaks, organização que divulga informações confidenciais de empresas e agências governamentais do mundo todo — e que, por isso, já foi processado diversas vezes nos últimos anos, sendo 17 acusações só em 2019.
O debate sobre segurança e privacidade na internet está longe de acabar. Na verdade, ainda está apenas começando. Por isso, ainda veremos o efeito da filosofia e das ações do Cypherpunk ressoar por muito tempo.
Em setembro deste ano, uma nova lei brasileira que visa proteger a privacidade da população entrou em vigor. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) regulamenta o tratamento de dados pessoais por parte de empresas públicas e privadas, adicionando uma camada extra de segurança ao que pode ou não ser uma informação pública.