Logo do Jovem Nerd
PodcastsNotíciasVídeos
O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder resgata aura de Tolkien com estreia grandiosa
Séries, TV e Streaming

O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder resgata aura de Tolkien com estreia grandiosa

Série prova que é possível contar novas histórias cativantes dentro da Terra-média

Camila Sousa
Camila Sousa
31.ago.22 às 11h01
Atualizado há mais de 2 anos
O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder resgata aura de Tolkien com estreia grandiosa

Se grande parte do público fica feliz quando sua franquia preferida ganha uma nova adaptação, o mesmo não pode ser dito sobre os fãs de O Senhor dos Anéis. Claro, há empolgação ao ver novas histórias na Terra-média, mas tal sentimento costuma ser acompanhado de um certo receio sobre como isso será feito.

Felizmente, O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, nova série do Amazon Prime Video, é um acerto. Ainda que tenha alguns problemas em seus dois primeiros episódios, a produção resgata com sucesso o espírito de aventura e fantasia que J.R.R. Tolkien colocou em suas obras.

Estes sentimentos são destacados logo na primeira sequência, que entrega um momento de inocência e cumplicidade entre dois personagens. A cena é crucial para estabelecer algumas motivações, e já conta com diálogos que ressaltam a importância da simplicidade para a sabedoria. Nada poderia ser mais Tolkien do que isso.

Ter essa construção logo no começo é quase um aceno para acalmar o coração dos fãs dos livros, preocupados em como a Segunda Era seria retratada, já que ela está no meio de duas grandes histórias. Para quem ama os filmes de Peter Jackson, a série vai bem ao repetir algumas características, como a inserção de um prólogo narrado, que estabelece tudo o que o espectador precisa saber para começar uma nova jornada.

E já nesta sequência a série mostra a que veio em termos de escala e grandiosidade. Há várias cenas de batalhas monumentais no prólogo, pontuando o encerramento da Primeira Era e as consequências da luta contra o mal. Esse momento também é importante para apresentar a personalidade de Galadriel (Morfydd Clark), que é um dos grandes fios condutores da história.

É a partir da perspectiva dela que os fãs entendem o que está em jogo e qual é a postura dos elfos em relação a isso. Após tantas batalhas, o Alto Rei Gil-galad (Benjamin Walker) e outros personagens, como Elrond (Robert Aramayo), acreditam que o perigo se foi, e que ela precisa desfrutar dos momentos de paz. Vale ressaltar que há um certo incômodo em tais sequências, especialmente quando os argumentos de Galadriel são desacreditados. No entanto, não há maldade nessas posturas, e a série até surpreende ao tornar isso um ponto positivo, ao causar nos fãs os mesmos sentimentos da elfa e gerar empatia.

Galadriel não segue as regras que são impostas, quando não concorda com elas. E, desde a primeira cena, O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder deixa claro que suas ações são motivadas por um propósito nobre, o que torna a luta muito fácil de se relacionar. Se nos filmes de Jackson os fãs sonhavam em ser tão honrados quanto Aragorn, aqui este papel é (muito bem) assumido pela personagem.

As criaturas (e criações) de Tolkien

O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder Pés-peludos são o coração da nova série de O Senhor dos Anéis

Mas não é só com o reino dos elfos que a série se sobressai. Há um cuidado especial em apresentar os Pés-peludos, antepassados dos hobbits. Com características nômades e um grande contato com a natureza, esses personagens são o coração da série e voltam a trazer o espírito de fantasia que Tolkien colocou em sua obra. Espertos o suficiente para fugir dos perigos das “pessoas grandes”, os Pés-peludos tentam viver tranquilamente, ao mesmo tempo em que alguns têm o espírito da aventura em suas almas.

Como destaque, vale citar a atuação de Markella Kavenagh como Nori. Embora goste de sua vida pacata, a jovem sente vontade de conhecer as maravilhas do mundo, assim como Bilbo fez muitos anos depois. É mais um espelhamento da série com a história geral de O Senhor dos Anéis – e algo positivo para os fãs se sentirem confortáveis neste novo momento.

Há também muito carinho e grandiosidade na apresentação dos anãos (saiba mais sobre a nomenclatura aqui). Comandada pelo Rei Durin III (Peter Mullan), a fortaleza de Khazad-dûm vive seus dias de glória, e a produção do Prime Video deixa claro que essa cultura será muito bem explorada durante a série, superando até o que foi mostrado nos filmes de O Hobbit. Prova disso é a relação conflituosa e interessante entre Elrond e o Príncipe Durin IV (Owain Arthur). O segundo episódio foca bastante nos dois personagens e também mostra que Disa (Sophia Nomvete), esposa do príncipe, tem tudo para se tornar uma das personagens mais queridas de toda a produção.

Já para quem espera uma sequência de abertura, O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder conta com uma bela animação a partir do episódio dois, que remete à ameaça silenciosa de Sauron. Desde a estreia, há um direcionamento claro para as duas histórias principais do seriado, e o vilão é parte importante disso. Ainda restam dúvidas de como o personagem será representado, mas todas as ameaças mostradas até aqui fazem jus ao perigo constante que a figura sombria representa nos dois primeiros episódios.

Há dois pontos fracos que precisam ser citados neste começo da série. O primeiro é a questão dos efeitos visuais. Embora grandiosa de várias formas, a produção tem momentos em que os cenários de fundo em computação gráfica ficam muito evidentes e isso tira um pouco da imersão geral. Não são todas as cenas que estão dessa forma e, exatamente por isso, fica a sensação de que alguns trechos foram finalizados com menos cuidado do que outros.

O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder História de Arondir e Bronwyn é uma das menos cativantes até aqui

E é necessário falar ainda sobre o reino dos homens. Em comparação com os demais núcleos, as histórias dos mortais são, de longe, as menos interessantes até aqui. O romance entre o elfo Arondir (Ismael Cruz Cordova) e a mortal Bronwyn (Nazanin Boniadi) também não convence em um primeiro momento. Os personagens possuem tempo o suficiente para apresentar sua dinâmica, mas não há muita veracidade nos sentimentos mostrados ali, o que torna difícil se relacionar – especialmente após ver personagens bem construídos e não necessariamente com muito tempo de tela, como Disa e Durin.

Mesmo com esses dois pontos, não há como negar que O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder cumpre o difícil papel de ser uma boa adição ao universo da Terra-média. Há um cuidado claro ao criar todos os reinos mostrados na série, e o investimento do Prime Video fica evidente em diversos momentos.

Figurinos, cenas externas e de ação, caracterização de cenários e várias outras sequências são de encher os olhos – inclusive gerando algumas lágrimas em certos momentos, como quando o reino de Lindon é apresentado. E tudo isso, em conjunto com a bela trilha sonora de Bear McCreary, nos faz, novamente, acreditar que elfos, anãos e pequenos seres vivendo em tocas são reais.

O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder ganha novos episódios às sextas-feiras, no Amazon Prime Video.

Encontrou algum erro neste conteúdo?

Envie seu comentário

Veja mais

Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossas plataformas, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.
Capa do podcast