Existem franquias na cultura pop que são difíceis de mexer. Uma delas, sem dúvida, é O Senhor dos Anéis. Criada na década de 1950 por J.R.R. Tolkien, a obra se tornou referência de fantasia dentro (e fora) da cultura pop, e chegou a ser nomeada como uma história “impossível de ser adaptada”. Mas as adaptações chegaram, eventualmente, e uma delas é O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, série do Amazon Prime Video, que retorna para uma segunda temporada.
- Guia: O que você precisa lembrar para a 2ª temporada de Os Anéis de Poder
- Entenda o uso da palavra “anãos” em nova tradução de O Senhor dos Anéis
Não é exagero dizer que o primeiro ano da produção dividiu opiniões. Apresentando uma história anterior à de Frodo e Sam, a série teve dificuldade em gerar empatia do público com os personagens, fossem novos nomes adicionados à mitologia, ou até figuras conhecidas, mas em versões inéditas, como Galadriel (Morfydd Clark) e Elrond (Robert Aramayo). Após preparar todo esse terreno, felizmente, a segunda temporada da produção chega mais madura e sabendo a história que quer contar.
O novo ano começa logo após o primeiro, mostrando que os Anéis de Poder dos elfos estão prontos, enquanto Sauron (Charlie Vickers) assume uma nova forma, para tentar seguir com seus objetivos, após Galadriel perceber que estava sendo enganada por ele.

O primeiro ponto positivo da nova temporada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder é não ter medo de brincar com outros gêneros do cinema e TV, adicionando até um toque de terror em alguns trechos sobre Sauron. Tal tempero não é novo ao universo de Tolkien e suas adaptações (lembram da Laracna?), mas ter esse elemento logo nos primeiros episódios da 2ª temporada já mostra que Os Anéis de Poder quer entregar uma experiência mais satisfatória com a sequência da história.
Mesmos personagens, novos desafios
Há um outro aspecto que ajuda naturalmente os novos episódios de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder. A primeira temporada sofreu com um certo “estranhamento” por parte do público, que precisou se acostumar com novos personagens e versões um tanto diferentes de nomes conhecidos.
A segunda temporada já chega com esse ponto estabelecido, por isso precisa se preocupar menos com apresentações e pode partir direto para a ação e aprofundamento de alguns protagonistas. Neste sentido, por exemplo, Elrond assume um papel importante logo no começo, soando mais como a versão sábia de Hugo Weaving em A Sociedade do Anel. A Galadriel de Morfydd Clark também soa mais “familiar”, ainda que mantenha o ar de guerreira da primeira temporada.
Todos esses pontos, somados ao fato de que os rostos dos personagens já não são mais novidade, criam naturalmente a empatia que a série não conseguiu atingir em seu primeiro ano. Dessa vez, torcemos para que os elfos atinjam seus objetivos, ficamos aflitos com a jornada d’O Estranho (Daniel Weyman) e até sentimos por Arondir (Ismael Cruz Cordova), cuja narrativa parece um pouco menos definida no segundo ano. De todos os núcleos, o do elfo da floresta e dos Povos do Sul segue como o mais esquisito da 2ª temporada, mas ainda é cedo para dizer se ele será o mais fraco da nova leva de episódios.
Espelhamento entre passado e futuro

Há um aspecto curioso que chama a atenção nos novos episódios de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, que pode ser positivo ou negativo, dependendo de quem assiste. Ao ter narrativa e personagens estabelecidos, a série tenta ao máximo possível referenciar a história que é contada na trilogia de O Senhor dos Anéis.
Isso é feito através de espelhamentos claros, como personagens que repetem frases ditas nos filmes de Peter Jackson, palavra por palavra; ou cenas que repetem estruturas conhecidas, como um personagem que é dado como morto, mas reaparece depois. Por um lado, essa é uma forma de resgatar uma parte mais conhecida de O Senhor dos Anéis, e aumentar o sentimento de “familiaridade” por parte dos fãs, sem mostrar diretamente os eventos da Terceira Era da Terra-média, que a Amazon não pode adaptar.
Por outro, o uso exagerado de tal artifício pode soar como uma falta de identidade da série, que está sempre atrelada ao que já foi adaptado, e resgata momentos marcantes do passado, sem criar os próprios. Esse espelhamento acontece ao menos três vezes nos capítulos de estreia e, em certos momentos, soa até um pouco cômico pelo claro esforço de ligar a jornada de um personagem no passado com outro no futuro.
Porém, esse é um ponto que incomoda menos do que os tropeços da primeira temporada, tornando o 2º ano de Os Anéis de Poder mais satisfatório, com um ar de maturidade que faltou no começo da jornada. Ainda que ajustes ainda sejam necessários, não há dúvidas de que a Terra-média voltou a ser cativante para quem ama o universo de Tolkien.
O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder ganha novos episódios às quintas-feiras, no Amazon Prime Video.