Como prometido, o escritor George R.R. Martin fez um longo post no blog pessoal detalhando insatisfações e preocupações com os rumos de A Casa do Dragão na HBO.
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O autor das Crônicas de Gelo e Fogo se concentrou na adaptação da cena de Sangue e Queijo e suas diferenças do livro Fogo e Sangue para a série de TV. A sequência chocante mostra dois assassinos executando o filho infante do rei Aegon (Tom Glynn-Carney) e da rainha Helaena (Phia Saban).
A cena recebeu críticas dos fãs do universo de Martin por apresentar uma versão bem menos violenta e cruel do que a apresentada no livro (leia sobre as diferenças no link), como explicado pelo próprio Martin:
“Ainda acredito que a cena do livro é mais impactante, e os leitores têm o direito de pensar o mesmo. Os assassinos são mais cruéis no livro. Os atores que os interpretam na série são excelentes, mas os personagens são impiedosos, implacáveis e mais assustadores em Fogo e Sangue. Na série, Sangue é um Manto Dourado. No livro, ele é um ex-cavaleiro, extirpado de suas funções por bater em uma mulher até a morte. O Sangue do livro é o tipo de homem que acredita que fazer alguém escolher qual de seus filhos deve morrer é uma diversão, ainda mais quando se eleva a crueldade ao assassinar o filho que ela tentava salvar. O Queijo do livro também é pior. Ele não chuta um cachorro, é verdade, mas ele nem tem um cachorro, e é ele quem diz a Maelor que sua mãe o quer morto. Também acho que Helaena demonstra mais coragem e força no livro, ao oferecer a própria vida pela do filho. Oferecer uma joia não é a mesma coisa. Na minha cabeça, a escolha era o elemento mais forte da cena, o mais sombrio, o mais visceral. Odiei perder isso, e, julgando pelos comentários online, a maioria dos fãs parece concordar.”
O escritor conta ainda que as decisões foram tomadas em consenso com o produtor e cocriador Ryan Condal, que ofereceu razões práticas para muitas das mudanças na cena, incluindo até a inexistência de Maelor, o terceiro filho de Helaena:
“Quando Ryan me contou sobre as mudanças que queria fazer, tempos atrás, argumentei contra, por todos os motivos que já disse. Não me estendi muito, nem fui incisivo. As mudanças enfraqueceram a cena, mas só um pouco. Ryan tinha razões mais práticas para tudo isso. Eles não queriam escalar mais uma criança, ainda mais um bebê de dois anos de idade. Crianças dessa idade seriam um atraso inevitável nas gravações, e teriam um impacto no orçamento. Isso sempre foi um problema com A Casa do Dragão, então temos que guardar dinheiro de onde der.”

Martin e o futuro dos dragões
Logo depois, o escritor discorre sobre como o pequeno Maelor, que sequer foi apresentado na série de TV, tem um papel importantíssimo em eventos futuros na guerra dos Targaryen, e revela o temor de que a mudança imposta por Ryan Condal e o time de roteiristas custe o desaparecimento de cenas e eventos que definem os rumos da Dança dos Dragões.
[Zona de Spoilers do livro Fogo e Sangue]
Martin explica como, no auge do conflito, Maelor é levado para ser mantido em segurança fora de Porto Real. O pequeno príncipe, no entanto, morre numa emboscada de apoiadores de Rhaenyra. O evento não só marca um ponto de virada no apoio popular à herdeira legítima do Trono de Ferro, como é a gota d’água que leva a rainha Helaena ao suicídio.
Martin escreve:
“Será que tudo isso aparecerá na série? Talvez… mas não vejo uma maneira. Poderíamos usar a filha de Helaena como protegida, mas ela não pode morrer, já que terá um papel importante como próxima herdeira de Aegon. Poderíamos ter um Maelor recém-nascido, mas isso estragaria a linha do tempo, que já é uma bagunça. Não faço ideia dos planos de Ryan, ou até se ele tem algum plano, mas já que não tivemos Maelor na segunda temporada, o jeito mais fácil seria esquecê-lo completamente. Sim, é mais simples, e faz sentido tratando da agenda e do orçamento da série, mas o mais simples não é o melhor.”
O escritor conclui com uma preocupação sobre o destino da própria rainha Helaena:
“No rascunho de Ryan para a terceira temporada, Helaena ainda se mata… por nenhum motivo específico. Não há nenhum horror, nenhum gatilho que tira a frágil jovem rainha dos eixos.”
Em tom resignado, George R.R. Martin termina o post afirmando que há ainda mais mudanças planejadas para as temporadas três e quatro, que devem concluir a guerra que marca o início do fim da dinastia Targaryen.
Todos os episódios de A Casa do Dragão estão em streaming na Max.
[ATUALIZAÇÃO: Poucas horas após a postagem, o texto foi retirado do ar e não está mais disponível no blog de George R.R. Martin]
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Fonte: George R.R. Martin