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A Casa do Dragão expõe erros e fraquezas dos dois lados do conflito | Recap
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A Casa do Dragão expõe erros e fraquezas dos dois lados do conflito | Recap

Série entrega capítulo mais lento e confunde com narrativa de Daemon

Camila Sousa
Camila Sousa
15.jul.24 às 15h50
Atualizado há 9 meses
A Casa do Dragão expõe erros e fraquezas dos dois lados do conflito | Recap
(HBO/Divulgação)

Após um episódio impactante, que resgatou o sentimento das boas épocas de Game of Thrones, A Casa do Dragão apostou em um sexto capítulo mais lento na segunda temporada.

“O Regente” é marcado por continuar a narrativa confusa envolvendo Daemon Targaryen (Matt Smith) e demonstrar os problemas e fraquezas dos dois lados do conflito.

[Spoilers de A Casa do Dragão a partir daqui]

Imagem de A Casa do Dragão Corlys Velaryon sente a perda de Rhaenys e pensa em quem vai herdar Derivamarca (HBO/Divulgação)

Como não poderia deixar de ser, o episódio começa mostrando a repercussão das mortes de Rhaenys Targaryen (Eve Best) e da dragão Meleys. Entre os Pretos, há muita dor e sofrimento, especialmente de Corlys Velaryon (Steve Toussaint), que perdeu sua companheira de vida, e de Rhaenyra (Emma D'Arcy), que perdeu uma amiga, conselheira e braço forte na batalha.

Já do lado dos Verdes, o tom é de comemoração, ao menos entre o exército. Criston Cole (Fabien Frankel) desfila pelas ruas da cidade mostrando a cabeça de Meleys, com o discurso de que aquele foi o fim do dragão “traidor”, que estava lutando por Rhaenyra. A narrativa, no entanto, não soa como ele esperava.

A direção de Clare Kilner (Fallout, Gen V) acerta ao mostrar que o povo de Westeros está passando por cada vez mais dificuldades com a guerra. A comida é ruim e escassa, não há oportunidades de trabalho, e doenças assolam o povo. Nesse contexto, a imagem dos dragões soa como algo quase divino, uma construção quebrada pela comitiva de Cole. Em vez de feliz, o povo fica triste com a cena, que representa uma grandiosidade perdida e, para alguns, até um mau presságio.

Além desse erro de cálculo, os Verdes precisam lidar com um problema maior. Aegon II (Tom Glynn-Carney), o rei coroado, está gravemente ferido após ser atacado por Aemond (Ewan Mitchell) durante o combate. Enquanto o irmão parece pouco preocupado, Alicent se sente aflita ao ver a pele do filho queimada junto com a armadura. A atuação de Olivia Cooke merece destaque neste momento por carregar as dualidades da rainha-mãe. Será que Alicent sente remorso por forçar a profecia incorretamente? Ou está apenas preocupada com o enfraquecimento dos Verdes? É difícil dizer e dá até para imaginar que nem a personagem entende os próprios sentimentos nesse momento.

Para além disso, Aegon estar desacordado representa um problema prático: quem vai governar Westeros e mostrar que os Verdes continuam fortes? Em uma cena que quase soa cômica, se não fosse trágica, Alicent se dispõe a assumir o trono, algo que fez no passado, quando Viserys (Paddy Considine) ficou doente. Porém, o conselho diz claramente que uma mulher não seria uma governante adequada em um momento de guerra, e escolhe Aemond. Cooke é destaque mais uma vez por misturar os sentimentos de rejeição pelo conselho e o medo do que o filho mais novo pode fazer com uma pequena parcela de poder.

Daemon: será que estamos indo longe demais?

Imagem de A Casa do Dragão Daemon é um "fantasma" de quem já foi. Isso é positivo? (HBO/Divulgação)

Enquanto o resto de Westeros se divide, Daemon Targaryen segue em sua “missão paralela” no castelo de Harrenhal, mas de uma forma profundamente mais estranha. Em algumas prévias de A Casa do Dragão, o personagem foi visto na cama com uma mulher loira. Para muitos, ele estaria sonhando com Rhaenyra, talvez com Helaena (Phia Saban), ou até com Aemma (Sian Brooke), mãe de Rhaenyra e esposa de seu irmão.

Mas ninguém imaginou que o personagem estaria delirando com a própria mãe, Alyssa Targaryen (Emeline Lambert). A cena entre os dois é incomodamente sensual, com a mulher falando tudo o que Daemon gostaria de ouvir: que ele é o mais forte, que deveria ter herdado a coroa no lugar de Viserys, e que seu único “erro” foi ter nascido como o segundo filho e não como primogênito. Essa não é a primeira vez que o universo de Game of Thrones mostra relações incestuosas e altamente questionáveis, mas a condução da cena, mostrando um profundo desejo entre os dois, coloca a sequência no topo das mais esquisitas da franquia.

Desde que começou a jornada em Harrenhal, Daemon parece estar passando por uma desconstrução narrativa. Sai o personagem forte e determinado, e entra um homem repleto de fraquezas, medos e sentimentos de que é merecedor de algo que nunca recebeu. No geral, esse movimento não é estranho em séries e filmes. Várias produções já fizeram isso anteriormente, com o objetivo de dar camadas a personagens que podem soar rasos demais inicialmente.

O problema da narrativa de Daemon é que ele está nessa jornada há alguns episódios, e um objetivo claro ainda não foi mostrado. Tudo com o que o personagem delirou já era bem claro para os fãs. As cenas, então, parecem óbvias, repetitivas e até um tanto ofensivas, no caso do sexo oral com a própria mãe. Daemon se tornou uma caricatura de si mesmo e resta saber qual é o objetivo dos roteiristas da série com isso.

Dragões e o sangue de Valíria

Imagem de A Casa do Dragão Jace tem uma ideia que vai mudar os rumos da Dança dos Dragões (HBO/Divulgação)

A Casa do Dragão segue também apostando em paralelos entre Rhaenyra e Alicent. Ao mesmo tempo em que a rainha-mãe é preterida pelo lado dos Verdes, a herdeira de Viserys encara problemas no próprio conselho, que diz claramente confiar menos em uma mulher em tempos de guerra. A diferença, claro, é como as duas reagem a isso.

Enquanto Alicent engole a própria frustração, Rhaenyra pensa sobre o que escuta. A jovem Targaryen imagina que tudo seria mais fácil se tivesse nascido homem, um sentimento que gera fácil identificação, e também admite ao conselho quando está errada. Ao fazer isso de forma contundente, ela não demonstra fraqueza, e sim força, e conquista a confiança daqueles que a seguem.

Ainda do lado da cor Preta, vale citar a boa cena entre Baela Targaryen (Bethany Antonia) e o avô, Corlys Velaryon. Bêbado e triste, o personagem fica ofendido ao ser convidado para ser o Mão (conselheiro principal) de Rhaenyra, e recebe em troca um discurso profundo da neta que, mesmo triste, consegue enxergar além e perceber que honrar os desejos de Rhaenys é o melhor que os dois podem fazer naquele momento. Uma grande cena de Bethany Antonia e Steve Toussaint.

“O Regente” termina com um aceno importante para o futuro da batalha do lado de Rhaenyra. A personagem dispõe de dragões, mas não tem montadores para eles. Isso faz Jace (Harry Collett) pensar em um plano tão ousado, que pode dar certo: convocar aqueles que possuem o sangue de Valíria, mesmo misturado, para tentar conquistar posições como montadores de dragões.

Vale lembrar que o universo de As Crônicas de Gelo e Fogo estabelece que dragões são criaturas extremamente inteligentes, que criam laços únicos com aqueles que os montam e reconhecem como dignos somente pessoas com sangue de Valíria. O argumento de Jace é que há várias famílias que se misturaram por Westeros e, mesmo com a linhagem diluída, algumas pessoas podem ser reconhecidas pelos dragões e representar mais força de batalha pelo lado da cor Preta.

Com a promessa de que os dragões retornam para o centro da narrativa no próximo episódio, A Casa do Dragão segue movimentando as peças de um complicado xadrez, e precisa começar a amarrar alguns pontos — afinal, há somente mais três episódios nesta segunda temporada.

A Casa do Dragão ganha novos episódios aos domingos, às 22h, na HBO e na Max.

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