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A Casa do Dragão confunde evolução com descaracterização de personagens | Crítica
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A Casa do Dragão confunde evolução com descaracterização de personagens | Crítica

Série só brilha em momentos de ação, mas tem dificuldade em desenvolver protagonistas

Camila Sousa
Camila Sousa
05.ago.24 às 13h20
Atualizado há 8 meses
A Casa do Dragão confunde evolução com descaracterização de personagens | Crítica
(HBO/Divulgação)

Quando Game of Thrones estreou em 2011, era difícil imaginar que a série se tornaria uma das maiores produções da TV mundial. Tal status foi adquirido porque a produção da HBO balanceava bons momentos de ação com diálogos impactantes e estratégias de guerra, tornando embates falados quase tão (ou até mais) relevantes quanto as brigas físicas. E esse é o difícil equilíbrio que A Casa do Dragão não consegue atingir em sua segunda temporada.

Com oito episódios transmitidos semanalmente na HBO e Max, a série entregou um segundo ano com muitos altos e baixos, e jornadas que chegam perto de descaracterizar os protagonistas.

Ao final do primeiro ano, é estabelecido que a Casa Targaryen se dividiu em dois grupos: os Pretos, apoiadores de Rhaenyra (Emma D'Arcy) como rainha, e os Verdes, que ficaram ao lado de Aegon II (Tom Glynn-Carney). E já na leva inicial de episódios uma grande perda acontece, em uma sequência que deveria desencadear a chamada “Dança dos Dragões”, a guerra civil Targaryen que devastou o reino e terminou com muito sangue derramado dos dois lados.

Após apresentação e estabelecimento dos personagens, era esperado que o segundo ano entregasse o começo e evolução do conflito, mas a nova temporada termina praticamente no mesmo lugar da anterior, estabelecendo onde os personagens estão e deixando uma grande promessa do que está por vir. O problema é que os fãs não têm mais a certeza se tal promessa será cumprida.

Idas e vindas de Daemon e Rhaenyra

Imagem de A Casa do Dragão Matt Smith e Emma D'Arcy funcionam demais em cena, pena que a temporada teve pouca interação dos dois (HBO/Divulgação)

Curiosamente, os dois pontos principais de tal falta de evolução são Daemon (Matt Smith) e Rhaenyra. Após um começo de temporada conturbado, os dois ficam fisicamente separados ao longo de vários episódios, em jornadas que não chegam a lugar nenhum. Rhaenyra, por exemplo, toma decisões questionáveis em prol de não derramar o sangue de inocentes, sendo que isso já aconteceu anteriormente com Lucerys (Elliot Grihault), seu filho, e segue ocorrendo dentro da trama.

Durante os oito episódios da temporada, a personagem repete que não gostaria de uma briga aberta, e que essa não seria a vontade de seu pai, sendo que o conflito já é uma realidade, e era esperado que a personagem tivesse o entendimento que só a derrota dos Verdes poderia levar a paz para o reino.

Por outro lado, toda a jornada de Daemon em Harrenhal é, de longe, uma das piores decisões narrativas de toda a franquia. Em primeiro lugar, pela repetição de sonhos semelhantes ao longo de vários episódios, o que tornou todo o desenrolar exaustivo para os fãs, e sem o peso necessário.

E, em segundo, por justificar sua existência para colocar Daemon em um caminho que ele já estava traçando. Sabemos que o “Príncipe Canalha” não era 100% confiável, mas o seriado estabeleceu que sua lealdade com Rhaenyra era parte importante da relação dos dois. Logo, fazer todo um arco para colocá-lo exatamente no mesmo lugar prova que os realizadores da temporada buscaram uma evolução, mas chegaram perto de descaracterizar completamente o personagem. Sem contar o quanto os dois protagonistas perderam força ao ficar a temporada quase inteira separados, algo que fica claro na catarse da sequência quando eles se reencontram.

A passagem de Daemon por Harrenhal faz parte da escrita de George R.R. Martin, e era necessária do ponto de vista estratégico para reunir parte do exército, mas não precisava ser tão esticada, para chegar em lugar nenhum, ou melhor, no mesmo lugar de antes.

O que, afinal, é a Dança dos Dragões?

Imagem de A Casa do Dragão Até a jornada de Rhaena ficou estranha e sem um fechamento satisfatório na temporada (HBO/Divulgação)

A jornada do 2º ano de A Casa do Dragão não foi totalmente ruim, apenas agridoce e destoante do que a divulgação da própria HBO prometeu em termos de grandiosidade e conflito de dragões. O capítulo “O Dragão Vermelho e o Dourado”, por exemplo, é um dos pontos altos, ao mostrar o que uma guerra com criaturas tão mortais pode gerar. O problema é que foi apenas um episódio com esse tom, para outros sete mornos e com cenas arrastadas, como todo o núcleo envolvendo Alicent (Olivia Cooke) e Criston Cole (Fabien Frankel).

Ao olhar a temporada com um todo, fica a sensação de que A Dança dos Dragões parecia mais interessante na teoria, e que os personagens da nova série não possuem a força, carisma e identificação com o público que Game of Thrones tinha. Logo, poucas cenas de diálogo causam alguma emoção a mais, com destaque para um discurso de Baela (Bethany Antonia) para o avô, Corlys Velaryon (Steve Toussaint), e outra cena envolvendo o Mão da Rainha e Alyn de Casco (Abubakar Salim).

Para coroar um desenvolvimento pouco cativante, A Casa do Dragão encerrou a segunda temporada com um capítulo morno, que soa como uma repetição ao primeiro ano, ao novamente estabelecer o tabuleiro para uma guerra que demora a começar. O terceiro ano da série da série já foi confirmado e deve demorar pelo menos dois anos para ser lançado. O que resta aos fãs é a expectativa que roteiristas e showrunners entendam os problemas narrativos que aconteceram no segundo ano e voltem com toda a força que a família Targaryen, e a franquia, podem ter.


Todos os episódios de A Casa do Dragão estão disponíveis no Max.

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