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Still Wakes the Deep é uma claustrofóbica experiência de horror cósmico | Review
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Still Wakes the Deep é uma claustrofóbica experiência de horror cósmico | Review

Tenso e elegante, game de terror psicológico segue gente comum frente ao desconhecido

Arthur Eloi
Arthur Eloi
01.jul.24 às 19h33
Atualizado há 9 meses
Still Wakes the Deep é uma claustrofóbica experiência de horror cósmico | Review
Still Wakes the Deep/Captura de tela

Ambientado durante um desastre em uma plataforma de petróleo, Still Wakes the Deep é um jogo capaz de transmitir a sensação de frio, vento gelado na cara e roupas molhadas. A sobrevivência é um desafio constante pelo tempo violento, mar impiedoso e, claro, pelas criaturas grotescas que querem devorar a sua carne.

O novo jogo da The Chinese Room (Dear Esther, Amnesia: A Machine for Pigs) é um curto conto de horror cósmico, fortemente influenciado por H.P. Lovecraft e pelos filmes de John Carpenter. Mas, com uma ambientação igualmente memorável e sufocante, o game se sobressai ao combinar as ameaças incompreensíveis aos perigos naturais, enfrentados por gente comum.

A trama se passa em 1975, no litoral da Escócia, e segue Cameron ‘Caz’ McLeary, um homem enrascado com a lei e com problemas com a esposa. Na tentativa de resolver a própria vida e melhorar as condições da família, ele aceita o emprego de eletricista na imponente Beira D, plataforma de petróleo no Mar do Norte. Todas as questões que lhe atormentam são jogadas de lado quando, certo dia, a furadeira desperta algo terrível no fundo do mar, causando um desastre de proporções sobrenaturais.

Hora extra

Névoa e metal frio marcam a atmosfera carregada de Still Wakes the Deep [Créditos: Captura de tela]
Ao estilo de um Amnesia ou Outlast da vida, Still Wakes the Deep é um game linear, em que o objetivo é sobreviver aos vários perigos que surgem pela frente. Mas o charme é que a escolha de ambientação não é só estética, e o título explora todas as facetas do cenário, das habilidades do protagonista e dos trabalhadores ao redor.

Como a Chinese Room é uma desenvolvedora focada em narrativa, não surpreende que o texto de Still Wakes the Deep seja bom. O jogo constrói aquele universo com enorme riqueza de detalhes, com personalidades marcantes, motivações reais e diálogos naturais, com vocabulário tão particular da Escócia ao ponto de ser de difícil entendimento até para quem é versado em inglês. Felizmente, a ótima tradução por texto carrega o espírito informal, boca-suja e floreado dos personagens.

É preciso sobreviver aos perigos sobrenaturais e naturais [Créditos: Still Wakes the Deep/Captura de tela]
O realismo se estende para as mecânicas e alimenta a jogabilidade. O mapa é interconectado de forma lógica, e Caz utiliza apenas suas ferramentas e conhecimento como arsenal contra o desconhecido, como uma chave de fenda para estourar cadeados e desparafusar grades de tubulações. Como profissional treinado, ele também tem uma boa noção de protocolos de segurança: sabe consertar uma caixa de força que deu pau, ou então atravessar agachado por um vão em uma tábua ou cano, e não se equilibrando de pé.

Aliás, protocolos de segurança é como o game justifica todos os enigmas. Na tentativa de conter um desastre, o protagonista e os demais trabalhadores tentam reparar geradores, buscar botes salva-vidas, conter vazamentos de petróleo e várias outras alternativas factíveis, tudo com os devidos passo-a-passo de retirar travas de segurança, puxar as alavancas na ordem certa e apertar os botões corretos. É uma forma de manter o ritmo dinâmico sem sacrificar a imersão do jogador.

Forçado a sobreviver, Caz é apenas uma pessoa, que sofre frio e cansaço em meio ao caos [Créditos: Still Wakes the Deep/Captura de tela]
Isso se reflete também nos perigos naturais, já que Caz não é nenhum super-herói. Ele não consegue correr por muito tempo, nem respirar debaixo d’água, e se ficar molhado por muito tempo, logo precisa encontrar um aquecedor para se secar. Tudo expande o desafio da sobrevivência e rende momentos bastante agoniantes.

Por si só, a Beira D é um lugar de botar medo, isolada no meio de um mar raivoso, realizado com gráficos de ponta e efeitos impressionantes. Quando a catástrofe acontece, tudo só fica pior: é de gelar a espinha ter que segurar a respiração para nadar por escuras salas de paredes metálicas, invadidas por vigas retorcidas, águas sujas e petróleo. O game constantemente brinca com locais claustrofóbicos ou desoladores, alternando entre a tensão de estar apertado com a grandiosidade da infraestrutura da plataforma e da solitária paisagem ao redor.

Em carne viva

Sanguinolência de Still Wakes the Deep parece saída direto de Enigma de Outro Mundo [Créditos: Captura de tela]
Muito de Still Wakes the Deep lembra Alien: O Oitavo Passageiro, no sentido de também ser uma história sobre trabalhadores à mercê de forças macabras, em opressivos ambientes industriais. Mas, quando se trata das ameaças, o game deixa claro que a inspiração é O Enigma de Outro Mundo, clássico de John Carpenter.

Após o desastre, a plataforma começa a ser tomada por tentáculos de carne viva, que afetam a mente dos operários — mas não só isso. Alguns infelizes sofrem intensas mutações, que os transformam em violentas massas disformes e insanas. O visual, de carne vermelha e brilhante, com rostos, braços e mãos distorcidos, lembra os efeitos especiais do longa de 1982, além de replicar muito a paleta de cores do clássico, como a névoa azul rompida por sobrenaturais luzes vermelhas.

Horrores de Still Wakes the Deep cada vez mais consomem o cenário [Créditos: Captura de tela]
Vale pontuar, porém, que não é um jogo de sustos. Há vários trechos em que é preciso se esgueirar para não ser visto por monstros, ou então correr deles, mas não há jumpscares e nenhum recurso do tipo. Tensão e narrativa são os focos, e o objetivo é manter o jogador desconfortável a todo momento, o que consegue atingir com facilidade.

Por ter sido fundamental em estabelecer os jogos estilo “simulador de caminhada”, como o infame Dear Esther, a reputação da Chinese Room é divisiva, mas Still Wakes the Deep mostra a força do estúdio britânico em um conto de horror perturbador e elegante. A ambientação única é elevada pela atmosfera impecável, e o resultado é um game de terror bastante memorável.

Still Wakes the Deep está disponível para Xbox Series X | S, PC e PlayStation 5. A review foi feita com base na versão de Xbox Series X, cedida pela desenvolvedora. O jogo também está disponível no catálogo do Game Pass.

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