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Neva, do Nomada Studio, é a evolução natural de Gris
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Neva, do Nomada Studio, é a evolução natural de Gris

Fomos à Barcelona, vislumbramos os bastidores e testamos um novo capítulo do sucessor de Gris

Priscila Ganiko
Priscila Ganiko
27.set.24 às 18h20
Atualizado há 6 meses
Neva, do Nomada Studio, é a evolução natural de Gris
(Nomada Studio/Divulgação)

Em uma cidade que vive e respira arte, da união de três conhecidos nasceu o Nomada Studio, desenvolvedora de games responsável pelo surpreendente Gris e, em breve, por Neva.

Com o lançamento do segundo título se aproximando, fomos convidados a ir até o local de nascimento do estúdio, a cidade de Barcelona, para conhecer os criadores, conversar com eles e, claro, testar o jogo.

Uma nova história

Imagem do Nomada Studio em Barcelona Durante nossa visita, a Casa Capell estava respirando artes de Neva (Nomada Studio/Divulgação)

A história do estúdio tem origem da amizade de Adrián Cuevas e Roger Mendoza, dois desenvolvedores que trabalhavam em jogos AAA. O ponto de virada foi quando conhecerem o artista Conrad Roset, o que deu início a uma parceria e a um projeto pessoal novo, sem abrir mão de seus empregos.

Com o passar do tempo, o que era apenas um projeto secundário começou a ganhar força e despertar o interesse de publicadoras e empresas da área. Logo, ficou impossível gerenciar o trabalho e o projeto simultaneamente, e o trio decidiu apostar no conceito nascido da vontade de Conrad de fazer jogos, que, mais tarde, se tornaria o premiado Gris.

É impossível falar de Neva sem antes falar um pouco de Gris.

Quem conhece o título de estreia do estúdio, sabe que o jogo respira arte. Com cenários feitos à mão e uma paleta de cores impecável, cada pedacinho do game é como estar dentro de uma obra de arte, explorando-a de dentro. E, quando você conhece a origem do jogo, tudo faz sentido.

Gris nasceu de uma personagem desenhada por Conrad Roset, que serviu como ponto principal de construção da narrativa, da jogabilidade, da música, da criação do Nomada Studio.

Arte como centro de tudo

Imagem do Nomada Studio em Barcelona Conrad Roset, Adrián Cuevas e Roger Mendoza não esconderam a paixão ao apresentar o novo jogo (Nomada Studio/Divulgação)

“Não consigo me ver como um desenvolvedor de jogos mais do que como um artista,” confessa Roset, em conversa com o NerdBunker e outros jornalistas brasileiros. “Acho que tenho um perfil atípico.”

Roset é, antes de tudo, um artista, que cresceu e desenvolveu senso estético através de suas referências de mundo, muito inspirado pela região de Gracia, em Barcelona. Mas ele também sempre foi um grande fã de videogames, e foi isso que o motivou a investir no projeto que estava criando com Cuevas e Mendoza.

E, se os jogos do Nomada parecem obras de arte jogáveis, é porque são. Tivemos a chance de ver os bastidores da criação de fases para Neva, que envolvem um esboço inicial, uma etapa de storyboard para cada cena (não só para as animadas, como também para as jogáveis), o design de cada fase, e depois telas e mais telas com tudo pintado a mão. “Temos o jogo inteiro desenhado à mão em um arquivo de Photoshop”, afirmou Roset.

Com mais de 15 cadernos de rascunhos, artes conceituais e estudos só para Neva, é impossível não se impressionar com a dedicação.

Neva é um passo além de Gris

Imagem do jogo Neva A jornada de Alba e Neva começa com um filhote fofo, mas evolui (Nomada Studio/Divulgação)

Sem nenhuma pretensão de copiar ou de se distanciar de seu antecessor, Neva chega com a missão de expandir o trabalho do Nomada, introduzindo novos elementos à uma fórmula que já provou ser bem-sucedida.

Uma das novidades é o combate, que não existia no primeiro título. Outra mudança é na evolução da personagem: enquanto em Gris vemos a protagonista se transformando, em Neva quem muda é a própria companheira felpuda que dá nome ao jogo, e também o mundo ao redor delas.

A dinâmica entre Alba e Neva sofre mudanças ao longo da narrativa. No começo, Neva é um filhote que precisa de apoio e acalento, mas, com a passagem do tempo, vai se tornando mais independente (e até teimosa!).

“A primeira ideia de Neva era com um menino e uma menina que falavam idiomas diferentes, mas o jogo evoluiu tanto que o menino virou uma loba”, conta Roset, que também compartilha que a trama é um paralelo sobre maternidade, e sobre como é criar um ser num mundo hostil.

Curiosamente, o artista foi inspirado por uma experiência muito pessoal na hora de desenvolver a narrativa. Ele tinha se tornado pai pela primeira vez recentemente, e viu sua perspectiva mudar: “Eu estou entre gerações. Ainda tenho meus pais, mas agora também tenho filhos, e o jogo também fala um pouco sobre essa posição e essa transição.”

Imagem do Nomada Studio em Barcelona Concentrada na jornada que é semelhante a Gris, mas tem muitas coisas novas (Nomada Studio/Divulgação)

Citando Shadow of the Colossus, The Last Guardian e até mesmo Journey e Unpacking como referências, Roset encerrou o papo dizendo que as emoções são o ponto central tanto de Gris quanto de Neva, e que por isso estes são jogos capazes de alcançar muitas pessoas, até mesmo quem não tem experiência com videogames.

Desafios de ambiente

Jogamos o segundo capítulo, experimentando assim novas mecânicas e uma nova fase da vida de Neva, que estava em uma fase meio "adolescente". Ao contrário de acolher a pequena, agora era necessário dar bronca quando ela se excedia, e até mesmo os poderes dela estavam diferentes do primeiro capítulo.

Ainda com uma paleta de cores impecável, que segue cada estação do ano, quando os capítulos são situados, o mundo ao redor da dupla protagonista é belíssimo, mas também pode ser cruel.

Segmentos de plataforma exigem paciência e atenção, mas não a ponto de se tornarem frustrantes. Num geral, Neva parece atingir o equilíbrio necessário para que você precise se dedicar a solucionar os problemas, sem te deixar chateado a cada falha.

Imagem do jogo Neva Se prepare para alguns combates ao longo da jornada (Nomada Studio/Divulgação)

No combate, Alba pode contar com a ajuda de Neva, embora não possa comandá-la diretamente. É uma jogabilidade que remete a títulos citados mais cedo no texto, como The Last Guardian, mas a experiência foi cativante.

Com as expectativas altas, é seguro afirmar que Neva aposta nos acertos e virtudes de seu antecessor, ao mesmo passo em que é capaz de encontrar espaço para crescer e inovar. Nos resta esperar para conferir o resultado no game completo.


Neva será lançado para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC em 15 de outubro de 2024.

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