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Review | Dead Rising 4
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Review | Dead Rising 4

Dead Rising 4 cumpre o que compromete com horas e horas de diversão sem pretensão

Thiago Machuca
Thiago Machuca
06.dez.16 às 14h30
Atualizado há mais de 8 anos
Review | Dead Rising 4

Frank West esteve lá, em Willamette, quando tudo aconteceu: 16 anos se passaram desde o incidente que revelou a existência de zumbis ao universo de Dead Rising. Sua cobertura dos eventos o tornou famoso... por um tempo.

Nem tudo deu certo para Frank. Em um evento recente, ele foi visto invadindo uma base militar próxima a Willamette — sem permissão. Coisas deram errado e Frank se ferrou bonito. Sua carreira de fotojornalista nunca esteve tão por baixo...

Enquanto isso, em Willamette, houve tempo para a cidade se curar. Um novo, ainda maior e mais megalomaníaco shopping está para ser inaugurado bem no coração da cidade. Justamente a tempo para que todos os habitantes aproveitem a Black Friday. Infelizmente, um misterioso novo surto acontece e a cidade é novamente tomada por hordas de zumbis.

No olho do furacão está Frank West: de volta a Willamette, desta vez pretende conseguir provas concretas dos responsáveis por tudo isso. Revelar a verdadeira conspiração. E aqui estamos, todos prontos para Dead Rising 4!

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Explore toda Willamette

O mundo de Dead Rising 4 é gigantesco, o maior já feito para a franquia. Significa que o mesmo não se limita apenas ao novo shopping, que por sinal é muito maior e muito mais incrível que o antigo. Willamette Memorial Megaplex é realmente megalomaníaco em tamanho. Dentro dele, espere encontrar uma praça de alimentação com temática de selva, uma mini cidade natalina e uma réplica em tamanho real de um navio pirata no melhor estilo Piratas do Caribe!

Porém, boa parte da campanha não se passa exatamente dentro do shopping, desta vez é dado ao jogador a oportunidade de explorar toda a cidade de Willamette. E os desenvolvedores tomaram um cuidado em torná-la mais acessível, dinâmica e atraente do que a cidade de Los Perdidos, de Dead Rising 3. O visual do game, muito mais bonito do que o game anterior, ajuda um pouco a diminuir a sensação de mesmice que às vezes se tem ao andar pela cidade.

Pegue o que quiser, lute como puder

A mecânica de Dead Rising 4 segue a já estabelecida fórmula dos games anteriores. Ao jogador é dada a chance de explorar um mundo realmente grande e aberto, na qual há centenas de itens espalhados por todos os cantos do cenário que você pode pegar para lutar contra as hordas de zumbis. Há armas eficientes e há aquelas que mal fazem cócegas nos inimigos.

Dead Rising sempre foi um game da zoeira, então não há problema nenhum em utilizar um desentupidor de privada para enfiá-lo na cara de um zumbi, tal como um desenho animado dos anos 80.

Se você busca por eficiência no combate, o sistema de combinar armas está de volta e com muitos combos inéditos. Criá-los continua prático e dinâmico como foi em Dead Rising 3. Pegue dois itens, e combine-os em uma nova arma, que dura muito mais tempo e é muito mais letal do que armas normais. O sistema de criação de novos veículos também está presente aqui, sem se importar muito com o fato de que no game anterior explicava a razão disso: Nick Ramos era um mecânico e por isso conseguia criar veículos mortais malucos. Bem, parece que Frank West pode fazer isso também.

Dead Rising uma franquia que sempre coloca a diversão e o bom humor de se jogá-lo acima de outros elementos que poderiam soar contraditórios dentro de qualquer outro tipo de game.

Elogios devem ser feitos no que diz respeito ao novo sistema de inventário. Agora há basicamente quatro divisões de itens coletados. Um para arremessáveis, um para combates a curta distância, um para armas de longo alcance e um para alimentos. Acabou aquela história de usar sem querer um alimento consumível ao trocar rapidamente entre os slots de inventário, achando que havia escolhido uma arma. Tudo é acessível rapidamente com um clique no D-Pad. O game até mesmo congela o gameplay para que o jogador escolha a arma desejada com calma nas horas do aperto.

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O combate em Dead Rising 4 parece renovado. As novas armas e combinações são excelentes. Elas se fazem presentes bem cedo e o jogo não para um minuto sequer de apresentar novas combinações. Há ataques especiais para todas as armas que podem ser acionados após um determinado número de zumbis derrubados em sequência que são um show à parte!

Há também a adição da Exosuit: uma espécie de armadura hi-tech que basicamente torna Frank West quase invencível. Porém, essa armadura é temporária, quebrando rapidamente após alguns minutos de uso. É uma adição bacana, mas não essencial. Não creio que ficará na história da franquia.

Tempo não é mais um problema

Talvez uma das maiores mudanças em Dead Rising 4 seja a completa remoção do limitador de tempo que esteve presente em todos os games da série até então. Não há mais a sensação de urgência para continuar jogando a história da campanha. Agora o jogador pode explorar o quanto quiser, sem se preocupar em perder a missão principal.

Parece uma ótima notícia, porém não consigo deixar de pensar que isso parece ter criado alguns problemas para Dead Rising 4. Por exemplo, a campanha está bem mais linear do que gostaria. Nada de múltiplos caminhos ou finais, baseados naquilo que o jogador teve ou não tempo de fazer ao longo da campanha.

O game também acabou ficando mais fácil. Sem um relógio fazendo tic-tac, ficou mais tranquilo correr por Willamette, coletar novas combinações de armas, subir de nível e assim derrotar mais facilmente tudo que se apresentar à sua frente. Isso pode ser um pouco frustrante para os fãs que curtiam a dificuldade e desafio dos games anteriores.

Isso impacta um pouco nos novos inimigos: dois novos tipos de zumbis mais agressivos e a classe de humanos hostis, divididos em um grupo militar presente em Willamette e os sobreviventes hostis da cidade que não querem a sua ajuda. Em nenhum momento eles me deram muita dor de cabeça para derrotá-los. As armas de combo tendem a eliminá-los com dois ou três golpes. Alguns destes basta até um único golpe de certas armas, como a marreta explosiva.

Outra mudança, esta talvez não relacionada a retirada do limitador de tempo, foi a saída dos psicopatas. Agora o jogo tem maníacos, que andam em bando e possuem um chefão que poderia se equiparar aos psicopatas dos games anteriores. Bem, eles são fáceis de serem derrotados, além de não possuírem a mesma apresentação que estes chefes secundários sempre receberam na franquia. Nem mesmo cutscenes para introduzi-los existem em Dead Rising 4. Isso me incomodou, admito.

Há dezenas de missões secundárias, sobreviventes para ajudar (sem precisar escoltá-los) e colecionáveis para encontrar. E há tempo de sobra para fazer tudo isso, desta vez no ritmo que o jogador desejar. Nunca há tédio ao se explorar a Willamette de Dead Rising 4.

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Multiplayer separado da experiência single-player

Outra grande mudança em Dead Rising 4 diz respeito ao multiplayer. Ao contrário dos games anteriores, desta vez a campanha principal não pode ser realizada com um amigo em modo cooperativo.

Isso não significa que o multiplayer ficou de fora do título. Há uma modalidade totalmente nova para até quatro jogadores. Nela, cada um controla um sobrevivente visto na campanha do game. Estas pessoas precisam sobreviver por dois dias dentro do shopping de Willamette, realizando pequenas missões e sobrevivendo a hordas e hordas de zumbis. Aqui há o limitador de tempo. E há também uma historinha para cada personagem.

O modo possui um sistema de nível e uma árvore de habilidade para destravar novas habilidades. Quanto mais jogar, melhor o jogador será. Essa árvore de habilidades funciona isoladamente da árvore de habilidade também presente na campanha principal. O jogador precisa então progredir em ambos os modos para se aprimorar. Porém, a progressão é permanente, independente do sobrevivente escolhido para a partida.

É um modo interessante, ainda que pareça mais restritivo do que o modo cooperativo dos games anteriores. Particularmente, não é algo que me incomoda, especialmente porque sempre gostei da experiência individual de Dead Rising.

Acho importanteo fato de que este modo veio com um matchmaking, permitindo assim que jogadores possam encontrar outros jogadores para participar das atividades cooperativas online.

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Super câmera e um game na medida

No geral, Dead Rising 4 é um ótimo Dead Rising. Muito mais divertido, bem humorado, maluco e acessível do que o terceiro game lançado para Xbox One no começo desta geração. Há um charme inegável ao se retornar para a cidade do primeiro game e trazer de volta Frank West.

A mudança na interface do inventários é um dos melhores aprimoramentos que a série já recebeu e impacta totalmente a jogabilidade na hora do combate contra centenas de zumbis.

Só lamento certas decisões que tornaram o game muito mais fácil do que deveria ser, além da retirada dos psicopatas na forma como eram apresentados nos games anteriores. É uma perda que se fará ser sentida pelos veteranos e fãs da franquia.

Os gráficos não deixam a desejar e Dead Rising 4 é um dos games mais bonitos da série, com muitos zumbis em tela, cenários incríveis e sem tantos problemas técnicos como talvez se espere de um game assim. Não senti quedas de frame rate, também não há texturas de cenários grotescas ou zumbis carregando tardiamente. Houve alguns bugs e glitches de carregamento de itens coletáveis em cena e zumbis dentro de paredes, mas fora isso, nada realmente me tirou da imersão do game.

Gostei do retorno das mecânicas de fotografia, e da super câmera fotográfica de Frank, que agora possui filtros especiais para ver no escuro e que pode escanear ambientes atrás de itens escondidos. E tirar selfies é uma das coisas mais divertidas do sistema de fotos. É um retorno bacana, ainda que o sistema de PP das fotos não seja tão recompensador quanto era no game de 2006.

A campanha do game pode durar de 15 a 25 horas, depende do jogador, se vai focar somente em missões principais ou investir um tempinho para fazer uma missão secundária aqui e ali, ou coletando um projeto de combo de arma nas proximidades.

Após terminar o jogo, é dada a opção de começar tudo de novo, mantendo toda a progressão do personagem, itens e combos coletados. Isso porque fazer 100% do game não é muito fácil pela primeira vez. Não me surpreenderia se para 100% fossem necessárias mais 25 horas de jogo. Só é uma pena que neste caso não haja novos finais para se almejar.

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No fim, a janela de lançamento de Dead Rising 4 também parece combinar com a proposta do game. Todo o tema natalino presente no jogo é fabuloso. Cenários, armas, trilha sonora, tudo ecoa a magia das festividades de fim de ano. É um título que precisaria ser lançado em dezembro sem dúvida alguma.  O impacto de se jogar o título neste fim de ano adiciona um toque especial a ocasião.

Também vale apontar que tal como todos os exclusivos desta temporada do Xbox One, Dead Rising 4 chega totalmente dublado em português. Com um bom trabalho de dublagem. Pode esperar muitos palavrões em português — porque a moda agora são personagens desbocados — e, definitivamente, Frank combina com esse estilo de linguagem.

Confira a galeria:

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O game é o principal lançamento desta semana para Xbox One e Windows 10. Entretanto, vale destacar que Dead Rising 4 não faz parte do programa Xbox Play Anywhere.

Dead Rising 4 segue fiel a série de forma geral. Faz algumas concessões estranhas, talvez para conseguir atrair novos jogadores, mas consegue se manter engraçado, divertido, criativo, maluco e inspirado. Frank West retorna em uma ótima nova versão. E que esta venha para ficar!


Dead Rising 4 foi lançado no dia 6 de dezembro para Xbox One e Windows 10. Esta análise foi feita com uma cópia do jogo cedida pela Microsoft.

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