Habemus Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, um dos filmes com a maior expectativa dos últimos tempos. Toda essa conversa de "Tem Tobey, não tem Tobey, tem Andrew, não tem Andrew, tem o Demolidor, não tem o Demolidor..." gerou muitas teorias e expectativas na cabeça dos fãs. Por isso, vamos entrar em um território de pura hipótese e especulação, afinal, assim como a grande maioria dos fãs, ainda não vi o filme.
Como diz o ditado: "a expectativa é a mãe da decepção", então esse filme tem a missão cruel de ser perfeito para várias mentes que imaginam rumos completamente diferentes para o teioso. Alguém sairá decepcionado - e talvez esse alguém seja eu pois, além de querer os outros Peters nesse filme, quero um rapaz que pode indicar uma longevidade ainda maior para o MCU e para o Homem-Aranha. Por favor, Miles Morales nesse filme agora!
A nova fase da Marvel está deixando claro que seu foco inicial é naturalizar as diversas - e necessárias - passagens de bastão. Os antigos nomes fortes do MCU estão dando espaço para que outros personagens mantenham o legado de seus trajes. Já temos um novo Capitão América, uma nova Viúva Negra, estamos bem próximos da sucessora do arco e flecha do Gavião Arqueiro e as discípulas do Thor, do Homem-Formiga, do Hulk e do Homem de Ferro já estão a caminho.
A aparição de um novo Homem-Aranha pode até soar precipitada, mas é bom lembrar que Tom Holland está no manto desde 2016, com sua primeira aparição em Capitão América: Guerra Civil (2016). O amigão da vizinhança já esteve em cinco produções da Marvel, indo para sexta com o seu terceiro filme, mesmo número de filmes do Hulk, personagem que já está muito próximo do seu adeus no MCU.
Nós já sabemos que o Miles existe nesse universo, pois seu tio, o Gatuno, apareceu em De Volta ao Lar (2017). Lembra da cena do Homem-Aranha interrogando um rapaz em um estacionamento, utilizando o modo intimidação? Pois bem, o personagem vivido pelo genial Donald Glover não tem grande importância, se você não souber quem é o sobrinho a qual ele se refere na cena. Mas quem sabia teve o seu sentido aranha ativado e cutucou o amigo na poltrona do lado falando algo como “ele está falando do Miles Morales?”.
O primeiro trailer de Sem Volta Para Casa também nos mostrou a F.E.A.S.T., local nos quadrinhos onde Miles trabalha como voluntário. Não querendo ser ingênuo, todos sabemos da capacidade da Marvel de brincar com as nossas expectativas, mas consigo ver pistas qualificadas para começar a imaginar uma passagem de bastão do Tom para quem for interpretar o Miles Morales.
É bem verdade que as últimas notícias quebram um pouco essa teoria. Recentemente, Amy Pascal confirmou que Marvel e Sony planejam uma nova trilogia com Holland, mostrando Peter na universidade. Porém, Homem-Aranha: Sem Volta para Casa é perfeito como desfecho da história de Holland no manto do teioso e essa mudança viria em um ótimo momento.
O protagonismo negro no MCU estava bem consolidado com a figura do Pantera Negra, mas o destino levou o nosso querido Chadwick Boseman e agora ninguém sabe ao certo quem merece a honra de vestir tal manto. A busca por uma Marvel mais plural é uma constante nos novos filmes. Eternos traz uma mulher protagonista, uma mulher negra surda e um homem negro homossexual sem precisar forçar nada disso, lidando com a naturalidade que é ter pessoas diferentes em uma sociedade tão ampla.
Miles Morales surgiria com essa mesma naturalidade. Faz todo sentido em um filme de multiverso o final ser Peter Parker indo parar em algum local desconhecido e o novo Amigão da Vizinhança ser um Homem-Aranha Negro. Até me arrepiei só de pensar na possibilidade.

A popularidade do filme Homem-Aranha no Aranhaverso (2019) e o sucesso do game Spider-Man Miles Morales (2020) já credenciam o novo teioso a estar no cinema e ser o novo super-herói negro a estampar cadernos, ser temas de festas infantis e fazer brotar sorrisos de negros e negras em futuros cartazes de cinema.
Não que ele precisasse de qualquer empurrãozinho. As HQs do herói são sucesso de crítica e público, muito pela personalidade juvenil de Miles, trazendo um frescor e uma leveza que já não se via no Peter, e também pelo seu cunho político e racial, mostrando o protagonismo de um jovem negro que só quer o seu lugar ao sol. Miles tem as duas características que estão cada vez mais presentes nessa nova Marvel: pluralidade e jovialidade. Consigo vê-lo facilmente liderando a esperada, e bem próxima, formação dos Jovens Vingadores.
Se a expectativa for realmente a mãe da decepção, então eu sou o pai. Dentre tantas especulações diante desse filme, só há uma verdade: eu estarei na pré-estreia com minha pipoca esperando para ver teia para todos os lados. Se for com um Peter, legal, se for com dois Peters, bom, se for com três, ótimo, mas se o Miles aparecer, maravilhoso!
Confio na capacidade da Marvel em mostrar como um mundo plural é muito melhor e sei que ela entende que "grandes poderes trazem grandes responsabilidades." Você realmente achou que eu terminaria esse texto sem usar essa frase? Achou errado... #WakandaForever.