Se aproveitando de cenários deslumbrantes, A Lenda de Tarzan tenta transportar o expectador para um mundo mágico no qual um único homem se torna quase como um espírito da floresta, um protetor de todos aqueles que vivem ali. Florestas e savanas são tão bonitas que você imediatamente se sente atraído por aquela selva africana computadorizada. O visual inicialmente encanta, mas o filme não consegue ir muito além disso.
Nesta versão, Tarzan abandonou a selva africana há quase uma década e adotou um novo lar ao lado de Jane na mansão deixada por seus pais. Ele recebe um convite para retornar para a África em uma missão diplomática, mas não parece muito interessado em voltar para sua terra natal até ser persuadido pelo personagem de Samuel L. Jackson de que algo muito errado pode estar acontecendo com os nativos.
A proposta do filme é dar outra perspectiva para a história de um homem que cresceu junto aos animais, mas tudo que o roteiro faz de fato é entregar a mesma estrutura feijão-com-arroz de dezenas de outros filmes de aventura e um protagonista totalmente descaracterizado em relação a tudo que vimos antes.
Repetecos
Tarzan, ou melhor, John Clayton (Alexander Skarsgård) deixa de ser o selvagem que vimos em outras versões cinematográficas baseadas nos livros de Edgar Rice Burroughs para se tornar um aristocrata arrogante que valoriza mais a sua rotina em Londres que seu lar de origem, no continente africano.
Skarsgård em A Lenda de Tarzan é basicamente o mesmo almofadinha de nariz empinado que interpretou na série True Blood. E ele não é o único a fazer um repeteco de personalidade. Leon Rom (Christoph Waltz) inclui alguns trejeitos que acabam remetendo novamente ao Hans Landa de Bastardos Inglórios.
Já Samuel L. Jackson, apesar de interpretar um pistoleiro desbocado mais uma vez, acaba sendo o maior destaque em termos de carisma e de alívio cômico. Mesmo Margot Robbie não consegue ter o destaque que merece como Jane e não passa de uma mocinha em apuros que fica sendo levada de um perigo para outro.
Espírito da Floresta
Os animais de A Lenda de Tarzan são feitos em computação gráfica, ricamente animados e com detalhes impressionantes. Porém, o encanto de que aquelas criaturas realmente estariam ali é quebrado quando há muitos atores em cena interagindo com os elementos em CG.
Por exemplo, em trechos nos quais humanos e animais começam a lutar, tudo fica tão disperso que tanto os vilões quanto os gorilas parecem estar lutando contra inimigos invisíveis e não uns contra os outros.
Falta alma na história que é contada e também na interpretação de Tarzan. Mesmo as referências às encarnações anteriores do personagem, como o grito característico, acabam ficando simplesmente cômicas e não ganham o tom de homenagem que aquele momento deveria ter.
A Lenda de Tarzan é uma versão ainda mais genérica de uma história que já foi contada na TV e nos cinemas pelo menos uma dezena de vezes. Ele tem visuais impressionantes, mas o roteiro segue estruturas tão previsíveis que não traz nada verdadeiramente novo para o espectador. É preciso de muito mais do que se balançar em cipós para fazer com que uma história como esta fique novamente interessante.