Embora as versões japonesa e chinesa coloquem a raposa de nove caudas como neutra, podendo ser boa ou má, na versão coreana a entidade é frequentemente apresentada como maligna, devoradora de corações ou fígados humanos. Em coreano, a raposa leva o nome de gumiho (구미호).
Assim como a hoshi no tama da versão japonesa, esta versão da criatura possui o yeowoo guseul (여우구슬), uma bolinha que dá poderes ao animal, além de ser capaz de sugar a energia vital de humanos. Um dos meios mais comuns que a gumiho tem de roubar essa energia é com um beijo, colocando o yeowoo guseul na boca da vítima e pegando-a de volta.
O yeowoo guseul também pode ser utilizado por humanos, embora não seja algo fácil de fazer. Para isso, a pessoa deve engolir a bolinha antes que a gumiho seja capaz de recuperá-la e observar "o céu, a terra e as pessoas", recebendo conhecimento referente a cada um dos itens observados. Na maioria dos contos, porém, a pessoa não é capaz de observar o céu e acaba ficando sem uma das habilidades mais importantes.
Na cultura coreana, acredita-se que a gumiho pode se disfarçar, mas que sempre fica com alguma característica — um rosto cujas feições lembram as de uma raposa, como olhos estreitos, ou não consegue esconder suas nove caudas o tempo todo.
Vale citar também que a raposa de nova caudas está presente no Vietnã. Por lá, a criatura ganha o nome de Ho Tinh, e antagoniza uma lenda sobre o herói Lac Long Quân, que é tido como o patriarca de todo o país. No conto, reproduzido pelo site The Culture Trip, Ho Tinh era um monstro que viveu por mais de mil anos em uma caverna, engando pessoas para que elas entrassem em seu território e torturando-as para se alimentar delas depois. Lac Long Quân foi enfrentar a criatura, obrigando-a a assumir sua verdadeira forma de raposa de nove caudas gigante e derrotando-a após uma batalha que durou três dias.
Representações famosas
Uma das representações mais famosas é em Naruto: a Kyuubi, demônio que está selado dentro do jovem protagonista, é uma manifestação da raposa de nove caudas, sábia e de vida longa, mas que não é inteiramente boa, nem ruim, apenas muito poderosa.
A personagem Ahri, de League of Legends, possui as características de uma gumiho, e suas habilidades fazem referência aos poderes frequentemente associados à entidade: uma bola de energia que rouba vitalidade dos inimigos e uma que os atrai para si.

Outra representação da raposa de nove caudas é no k-drama Tales of the Nine Tailed, que se diferencia por mostrar um gumiho homem, quando a maior parte das vezes temos a entidade assumindo a forma de mulher tanto na mitologia quanto nas produções.
Treinadores Pokémon já devem ter se deparado com Vulpix e Ninetales, dois monstrinhos apresentados na primeira geração, que possuem poderes de fogo e que podem aprender movimentos psíquicos e fantasmas — o que condiz com as lendas, se levarmos em conta que kitsunes anciãs podem assumir uma forma espiritual.
Na primeira temporada da série Lovecraft Country, é revelado que uma das personagens possui o espírito de gumiho, e que, em troca da proteção da entidade, deve coletar o espírito de mil homens.
O episódio Boa Caçada, da antologia de animações Love, Death & Robots, gira em torno da relação entre uma huli jing e um jovem rapaz, criando uma história sobre vingança em cima das lendas originais do espírito da raposa.
A versão da gumiho representada na webtoon de The God of High School mostra uma raposa que viveu muito e serviu aos deuses, mas que, apesar disso, era temida por eles e acabou exilada. O exílio causa revolta na raposa, que resolve ir atrás de justiça com as próprias mãos contra os deuses que a prejudicaram.
A raposa de nove caudas também está presente no game Roblox. Uma skin inspirada na entidade foi implementada no jogo após vencer um concurso de designs em 2018. O nome Tenko faz referência às kitsunes mais poderosas, que conquistam a nona cauda e passam a ter pelagem dourada, ascendendo aos céus e podendo ver até mil anos no futuro.
A lista de representações poderia ser muito mais longa, mas já deu para entender o ponto.
Seja em sua versão mais poderosa ou na versão que quer apenas zoar com a cara dos humanos, a multifacetada raposa de nove caudas consegue fazer tanto o papel de vilã quanto de mocinha, em lendas da mitologia ou nas produções ao redor do mundo. Conhecendo-a melhor, cabe a você decidir se fica mais difícil (ou mais fácil!) de cair em seus encantos.
Você certamente já se deparou com uma das representações da mística raposa de nove caudas, figura que bate ponto em produções da cultura pop nos mais variados gêneros e gerações. Seja em animes como Naruto, séries como Lovecraft Country, passando pelo jogo League of Legends e chegando a webtoon The God of High School, a lenda da raposa é explorada de diversas formas, colocando-a ora como mocinha, ora como vilã.
Podendo assumir as mais variadas formas, corpóreas ou não, o espírito da raposa é uma entidade frequente em contos das mitologias chinesa, japonesa e coreana. A representação da criatura não é exatamente a mesma nas três culturas, e isso é refletido nas produções que vemos de cada um dos países.
O espírito da raposa
O espírito da raposa é bastante conhecido por alguns nomes, como: huli jing, kitsune ou gumiho, na China, Japão e Coreia, respectivamente. A raposa é um personagem frequente em contos e mitos do folclore dos três países.
Embora as interpretações variem de país para país, algumas das principais características se mantêm em todas elas: a entidade é capaz de trocar de forma, frequentemente optando por apresentar-se como uma bela mulher, e gosta de encantar e pregar peças nos humanos.
O nome chinês, huli jing (狐狸精), pode ser traduzido como espírito-raposa, e, embora etimologicamente não tenha o mesmo significado, comumente é como a entidade conhecida como raposa de nove caudas é chamada. Na mitologia do país, qualquer criatura pode assumir a forma humana depois de viver muito, incluindo a raposa. O espírito pode ser visto como um sinal de mau agouro ou de sorte, ora protegendo pessoas, ora roubando suas energias vitais.
Para conseguir assumir a forma humana, algumas lendas dizem que a raposa precisa encontrar um crânio humano que se encaixe perfeitamente em sua cabeça. Entre outros poderes, a huli jing pode criar ilusões, comunicar-se diretamente com as pessoas e até mesmo alcançar a imortalidade.
Na cultura japonesa, a entidade mitológica compartilha o nome kitsune (狐) com o animal selvagem. No folclore tradicional, as raposas são relacionadas à Inari, deusa da fertilidade, do arroz, chá e saquê. Mais tarde, Inari também se tornou padroeira dos ferreiros e protetora dos soldados.
A mitologia japonesa associa a quantidade de caudas do espírito de raposa à sabedoria, idade e poder: quanto maior o número de rabos, mais sábia e poderosa, até o máximo de nove caudas. Ao chegar neste número, as kitsunes viram também yokais.
Na crença japonesa, as kitsunes e pessoas possuídas por um espírito de raposa possuem o hoshi no tama (ほしのたま) — uma bolinha de estrela, em tradução livre — que é responsável por reter parte do poder da criatura ou até mesmo sua alma inteira. As entidades costumam carregar essa bolinha dentro de suas bocas, ou protegê-la com seus rabos, para não correr o risco de perdê-la.