A Temporada de Primavera teve vários animes de sucesso, e uma estreia aguardada: Kaiju Nº 8. Celebrada por quem conhece o mangá de Naoya Matsumoto, a jornada de Kafka Hibino e seus companheiros ganhou um anime com 12 episódios, que apresenta uma história mediana, mas com personagens interessantes e um desfecho instigante.
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Em uma realidade semelhante a nossa, o mundo é constantemente atacado por monstros gigantes, conhecidos por aqui (e em outras obras) como kaijus. Para lutar contra eles, a humanidade cria Unidades de Defesa, lideradas por pessoas como a talentosa Mina Ashiro, responsável pela Terceira Divisão.
Mas essa não é uma história sobre a heroína que surge para salvar os que mais precisam. O foco da trama é em Kafka Hibino, amigo de infância de Mina, que cresceu e não se tornou exatamente quem gostaria. Com mais de 30 anos, e uma disposição física prejudicada, Kafka fez várias tentativas para entrar na Força de Defesa, mas conseguiu apenas o emprego na equipe de limpeza, responsável por arrumar a cidade após um kaiju ser derrotado.

Mesmo sem muita perspectiva, ele resolve tentar a prova para se tornar um soldado mais uma vez e, inesperadamente, [spoiler] tem contato com um kaiju que entra em seu corpo, o transformando em um híbrido de kaiju e humano. Com medo do que pode acontecer, ele esconde a condição e segue o sonho de se equiparar à Mina e ajudar a ex-amiga de infância na difícil missão de proteger o mundo.
Pela sinopse já fica claro que a história de Kaiju Nº 8 é um tanto batida, a não ser por alguns detalhes. O primeiro e maior deles é Kafka Hibino. É muito fácil gostar do protagonista desde o primeiro episódio, que o apresenta como um cara gente boa, que tem sonhos não realizados e chegou à faixa dos 30 anos pensando no que conquistou na vida até ali. Em um mundo em que shonens constantemente se focam em adolescentes que superam as expectativas, é reconfortante para o público mais maduro ter um protagonista adulto que ficou abaixo do esperado.
Quando começa a jornada para se tornar um soldado da defesa, Kafka passa por uma experiência muito comum do mundo real: um conflito geracional com os jovens que também estão participando da seleção. Quase um espelhamento do que vemos nas redes sociais hoje, essa construção é uma das partes mais importantes da primeira temporada, mostrando como o protagonista vê naqueles rapazes e moças quem poderia ter se tornado, ao mesmo tempo em que cria uma relação mais próxima com alguns deles, como Reno Ichikawa e Kikoru Shinomiya.
Humor e porradaria de entrada
Ao contar a história de monstros que invadem uma cidade, o primeiro ano de Kaiju Nº 8 aposta em diversos momentos de ação, incluindo vários protagonizados pelo próprio Kafka, que tenta proteger a humanidade transformado em um kaiju. Tecnicamente falando, tais sequências são bem executadas e entregam momentos convincentes, mas raramente vão além do que qualquer outro anime de ação está fazendo atualmente. Claro, sempre há uma questão do orçamento direcionado para cada produção, mas diversas sequências ficam aquém do próprio potencial, dando a impressão de que o anime poderia ser melhor executado.
Também é interessante falar sobre o humor de Kaiju Nº 8. Como dito acima, a personalidade de Kafka é um dos destaques da história, e o roteiro aposta bastante nisso para criar sequências cômicas, inesperadas e muito satisfatórias. Enquanto se descobre como metade humano e metade kaiju, Hibino passa vergonha, se enrola e fala abertamente sobre as próprias dificuldades, sem medo de ficar vulnerável diante dos amigos, outra característica rara no mundo dos shonens repletos de homens confiantes.

Em meio a tudo isso, o primeiro ano ainda encontra tempo para desenvolver melhor alguns personagens, com destaque para o vice-capitão Soshiro Hoshina. Braço direito de Mina na Terceira Divisão, Hoshina soa, em alguns momentos, como um espelhamento ao próprio Kafka, no sentido de ser um personagem gente boa, que é muito mais forte do que parece à primeira vista – e confirma tal percepção ao ter uma inexplicável simpatia pelo homem que se transforma em kaiju.
Mas o único momento em que o anime realmente se sobressai ao ponto de tirar o fôlego é no final, quando a realidade de Kafka é colocada inteiramente à prova, e vemos toda a sua força, ou melhor, a do Kaiju Nº 8 do título. Os dois últimos capítulos da temporada funcionam bem nesse sentido, misturando com qualidade as cenas de ação e os momentos emotivos, que dão certo pela construção do protagonista ao longo dos episódios. Tememos pela segurança de Kafka exatamente como seus companheiros em tela, e há mérito em despertar no público um sentimento tão sincero.
Infelizmente, essa guinada de qualidade chega somente no final, deixando os fãs com um gosto de quero mais atrasado. A 2ª temporada de Kaiju Nº 8 já está confirmada, então o público pode respirar tranquilo neste sentido, mas não é positivo terminar um anime com o sentimento de que assistimos uma grande introdução, e a melhor parte ficou para depois.
Kafka, uma referência clara ao autor clássico, passou por uma verdadeira metamorfose durante a primeira temporada de Kaiju Nº 8, e o anime precisa fazer o mesmo para atingir todo o seu potencial nos futuros novos episódios.
A primeira temporada do anime está disponível na Crunchyroll. Aproveite e conheça todas as redes sociais do NerdBunker, entre em nosso grupo do Telegram e mais - acesse e confira.