A série de The Last of Us foi aclamada pela crítica especializada e pelos fãs por manter uma fidelidade alta ao jogo, lançado em 2013 pela Naughty Dog. Mas, é claro, algumas mudanças, maiores ou menores, tiveram que ser feitas para a adaptação funcionar em outra mídia.
[Atenção a partir de agora, spoilers de The Last of Us]
Toda a história do primeiro The Last of Us foi comprimida na primeira temporada, que conseguiu ser fiel à jornada de Joel e Ellie, mantendo os principais arcos e enxugando os trechos de gameplay. Ao mesmo tempo, a adaptação encontrou uma maneira de expandir o universo que conhecíamos e preencher lacunas deixadas pelos games.
Então, decidimos listar e analisar as principais diferenças entre a série e o jogo. Veja abaixo:
1 - Cena de abertura da série

A série tem um início bem diferente. Em vez de focar em Joel e Sarah, a cena de abertura é um programa televisivo dos anos 1960, em que pesquisadores estão debatendo sobre o que poderia ocasionar o fim do mundo.
De forma profética, o epidemiologista Dr. Neuman, vivido por John Hannah (A Múmia), explica que o fungo Cordyceps – que existe na vida real – poderia sofrer uma mutação se exposto a um aumento súbito de temperatura. Assim, humanos seriam infectados e se tornariam criaturas controladas pelo fungo.
Após o fim da cena, temos um salto temporal para 2003 e vemos que a predição se tornou realidade.
2 - Ausência dos esporos

Uma das mudanças mais significativas em relação aos infectados é que eles não soltam esporos como no jogo. Em vez disso, as criaturas da HBO infectam humanos por meio de gavinhas da boca.
A ideia foi inspirada pelo micélio (emaranhado de filamentos de células) de um fungo, segundo o showrunner Craig Mazin no Making of The Last of Us, episódio especial sobre os bastidores da série.
A mudança ainda introduziu uma característica inédita, em que os infectados estão interligados. Ou seja, se você pisar acidentalmente em gavinhas, um grupo inteiro das criaturas será alertado e saberá a sua localização.
3 - Origem da pandemia do Cordyceps

Assim como a abertura do piloto, o segundo episódio começa com uma cena que volta no tempo e oferece mais explicações sobre o início da pandemia.
É revelado que o fungo Cordyceps se alastrou inicialmente na Indonésia, mais especificamente em uma fábrica de produtos alimentícios (voltaremos a isso mais adiante).
Vemos uma epidemiologista, interpretada por Christine Hakim (Impetigore), que analisa o cadáver de um humano infectado e explica que a única maneira de parar a propagação do fungo é explodir todo o país.
4 - Morte da Tess

A morte da Tess (Anna Torv), contrabandista e parceira de Joel, é levemente diferente na série. No game, após ser mordida por um Estalador no museu, a personagem é morta por guardas da FEDRA — ou seja, da Zona de Quarentena de Boston — enquanto Joel e Ellie escapam do Capitólio.
A adaptação da HBO optou por adicionar infectados ao momento, e Tess levou até um “beijo” de um infectado antes de explodir o lugar inteiro com uma granada.
5 - Episódio de Bill e Frank

Todo o terceiro episódio faz um desvio do jogo e traça um caminho inédito na série, focando em Bill (Nick Offerman) e Frank (Murray Bartlett). O capítulo mostra como os personagens se conheceram no meio da pandemia e se apaixonaram, sendo companheiros de vida (e até de morte).
Algo curioso é que Bill está vivo nos tempos atuais no game e ajuda Joel e Ellie a encontrar uma bateria de carro em uma escola abandonada cheia de infectados. Todo o trecho foi cortado na adaptação. Já Frank sequer aparece com vida por lá.
6 - Como o Cordyceps se espalhou

Lembra que o Cordyceps começou em uma fábrica de produtos alimentícios na Indonésia? O local era conhecido por fabricar principalmente farinha para o mundo inteiro – o que, ao que tudo indica, deu início à pandemia.
Essa é uma teoria que surgiu logo no primeiro episódio, uma vez que os fãs perceberam que Joel, Sarah e Tommy não comeram nenhuma comida com farinha, apesar de terem tido a chance. Por exemplo: Sarah tentou fazer um waffle de café da manhã e não tinha massa, Joel esqueceu de comprar seu bolo de aniversário e todos ainda recusaram os cookies dos vizinhos.
A parte curiosa é que a teoria acabou sendo dita pelo próprio Joel, ao explicar como foi o início da pandemia a Ellie no terceiro episódio. Ele conta que as pessoas adoeceram rapidamente e surgiu uma especulação de que o fungo estava em um alimento muito usado, como trigo ou… farinha.
Vale destacar que nada é cravado com toda a certeza, sendo mais uma possibilidade debatida pelos próprios personagens — mas que ganha destaque por nunca ter sido mencionada no jogo.
7 - Kansas City e Kathleen

Durante os episódios 4 e 5, Joel e Ellie têm uma parada em Kansas City, onde eles conhecem o grupo rebelde liderado por Kathleen (Melanie Lynskey) e os irmãos Henry (Lamar Johnson) e Sam (Keivonn Woodard).
Os acontecimentos se desenrolam de forma diferente no game, no entanto. Lá, a cidade é Pittsburgh, e Kathleen simplesmente não existe. A dupla protagonista lida, na verdade, com caçadores que matam outros sobreviventes para roubar pertences e suprimentos.
8 - Sam é surdo

Uma pequena diferença em Sam é que o personagem é surdo na série, o que leva ele e Henry a terem cenas silenciosas. Os irmãos conversam por língua de sinais em vários momentos.
Enquanto no jogo, o garoto não é surdo.
9 - Passado de Henry

Kathleen está à procura de Henry em Kansas City por um motivo que inicialmente é um mistério para os espectadores.
Durante o quinto episódio, é revelado que Henry ajudava a FEDRA e chegou até a matar o irmão da personagem em troca de remédios para Sam. Algo que nunca aconteceu no game.
10 - Primeira criança infectada

Pela primeira vez no universo de The Last of Us, a série mostrou uma criança infectada, mais especificamente no terceiro estágio — o famoso Estalador.
A criatura foi interpretada por Skye Belle Cowton, ginasta e atriz mirim, para apresentar movimentos mais flexíveis, uma vez que persegue Ellie dentro de um carro no meio do caos do quinto episódio — marcado também pela primeira (e única) aparição do Baiacu na série.
11 - Ellie tenta salvar Sam

No jogo, Sam também é infectado, mas esconde a mordida de todos, surpreendendo Ellie, Joel e Henry no dia seguinte.
A série opta por um caminho diferente, que mostra como Ellie considera importante encontrar uma cura para o Cordyceps. Sam mostra a mordida para a protagonista, que desesperadamente tenta “curá-lo” com seu próprio sangue. A tentativa não funciona, o que a deixa frustrada.
12 - Jackson

A versão de Jackson que vemos no primeiro The Last of Us é bastante simples, sendo apenas uma hidrelétrica com alojamentos improvisados. Tommy e Maria lideram o grupo que está tentando encontrar uma maneira de ter luz elétrica mais uma vez.
A série, no entanto, conta com uma versão aprimorada de Jackson, inspirada em The Last of Us Part II. Com casas, lojas e até celeiros, o local mostra que a produção da HBO já estava preparando terreno para a segunda temporada.
13 - Cenas da HQ Sonhos Americanos

O sétimo episódio é focado em um flashback de Ellie e Riley (Storm Reid), adaptando os acontecimentos de Left Behind, a expansão de história do primeiro jogo.
A parte curiosa é que o episódio também mostrou cenas inspiradas na HQ Sonhos Americanos, comandada por Neil Druckmann, diretor criativo dos games. Alguns desses momentos envolvendo Ellie brigando na escola e parando na detenção.
14 - Mortal Kombat II

A série foi boazinha e teve uma cena "gamer" com Ellie e Riley, em que as garotas jogam o clássico Mortal Kombat II no sétimo episódio.
Já em Left Behind, elas não conseguem ligar a luz da loja de arcades, o que força Ellie a fingir que está jogando “The Turning”, um jogo fictício com uma personagem chamada Angel Knives — o que resulta em um dos momentos mais divertidos da expansão.
15 - Religião e David

David é um vilão de The Last of Us, sendo responsável por um dos momentos mais pesados tanto do jogo quanto da série.
A produção da HBO ainda explorou mais o personagem e mostrou David como um pastor que usa a fé para controlar os integrantes de seu grupo — além de transformá-los em canibais sem que eles saibam. Um líder de índole bem questionável.
16 - Nascimento da Ellie

O motivo da imunidade de Ellie sempre foi alvo de teorias entre os fãs, e a série decidiu atiçar ainda mais esse debate.
O episódio final da temporada começa com uma sequência inédita, em que mostra a mãe de Ellie, Anna (Ashley Johnson), dando à luz. É revelado que ela foi mordida por um infectado ao mesmo tempo em que teve a garota, o que a tornou imune ao Cordyceps.
Ainda no episódio final, temos uma explicação mais detalhada de Marlene sobre o assunto. Segundo a líder dos Vaga-lumes, Ellie é imune porque já nasceu com o Cordyceps em seu DNA. Então, ao ser mordida por um infectado, o fungo entende que já existe a presença do Cordyceps no corpo e não se prolifera.
17 - Joel é parcialmente surdo

Joel é parcialmente surdo de um ouvido na série, e o motivo é revelado no último episódio da temporada.
O protagonista tentou se suicidar após perder Sarah no início da pandemia, mas hesitou ao puxar o gatilho e acabou errando o tiro. Nada disso acontece no game.
18 - Menos infectados

Para adaptar em série, os roteiristas de The Last of Us tiveram que cortar muitos momentos com infectados do original, uma vez que envolviam gameplay. Como consequência, tivemos poucas cenas com as criaturas nos episódios.
No entanto, o showrunner já afirmou que podemos esperar por mais infectados na segunda temporada.
A primeira temporada de The Last of Us está disponível no HBO Max. O segundo ano da série ainda não tem previsão de estreia.