Quase três meses após a estreia no Japão, One Piece Film Red finalmente chega aos cinemas brasileiros. Muito aguardado pelos fãs, o décimo quinto filme da franquia é o primeiro a estrear nas telonas no Brasil, o que também é um reflexo da crescente expansão da distribuição de filmes de anime no país.
A trama do longa ambientada em Elegia, a Ilha da Música, onde a famosa cantora Uta fará seu primeiro grande show, com transmissão para o mundo todo. A apresentação acaba reunindo personagens importantes do universo de One Piece - incluindo piratas, a Marinha e civis - no mesmo lugar, que se torna o palco da nova aventura.
Nesse cenário, Luffy e o bando dos Chapéu de Palha aparecem entre as centenas de pessoas que foram conferir a performance. E, para a surpresa de todos, Luffy reconhece Uta como uma velha amiga de infância. Linguarudo como sempre, o Chapéu de Palha acaba revelando para o mundo inteiro que Uta é, na verdade, filha de Shanks, capitão dos Piratas do Ruivo e um dos Imperadores do mar.
A partir disso, a trama se desenvolve em torno do grande poder de Uta, da relação que a personagem tem com Shanks e da ameaça que ela representa para a Marinha e o Governo Mundial. Ao contrário da maioria dos filmes da franquia, aqui o bando dos Chapéus de Palha não aparece como protagonista, uma vez que Uta é o ponto central da história. Mas, isso não quer dizer que eles tenham pouca ou nenhuma relevância, afinal, estamos falando de um filme do universo de One Piece. Aliás, vale ressaltar que o diretor do longa, Goro Taniguchi, dirigiu a primeira adaptação do mangá, Derrote-o! O Pirata Ganzack, um OVA lançado em 1998. O roteiro foi escrito por Tsutomu Kuroiwa, que também trabalhou em One Piece Film Gold.
As primeiras cenas do longa ajudam a situar os espectadores de primeira viagem ao mostrar um breve retrato da sociedade em One Piece. Nela, um Governo Mundial exerce sua força e poder através da Marinha, piratas são considerados criminosos e o resto da população tenta sobreviver em meio às dificuldades. Esse cenário é o ponto de partida e o que move a protagonista na busca de uma nova era.
Uta possui um poder que está relacionado à música, algo que se adequa perfeitamente às sequências musicais ao longo do filme, intercalando cenas de ação com uma trilha sonora empolgante e animada. Na versão legendada, as canções da protagonista são interpretadas por Ado, uma jovem estrela da música japonesa. Além disso, são nas performances musicais que o filme aposta em um uso combinado de animação 2D com elementos 3D em CG, algo bem executado, mas que pode incomodar alguns fãs.
O ponto alto do filme, definitivamente, é a animação na luta principal, que reúne personagens amados de One Piece em uma sequência muito bem animada. Na cena, os fãs podem ver alguns nomes importantes entrando em ação pela primeira vez na franquia, o que justifica todo o alvoroço que One Piece Film Red causou nos cinemas pelo mundo todo. Além disso, o filme também conta com o retorno de um personagem querido, que reencontra os Mugiwaras pela primeira vez após os eventos do arco Dressrosa.
Para aqueles que desconhecem o universo, One Piece Film Red aparece como uma ótima porta de entrada. Nesse sentido, apostar na história de uma nova personagem como ponto central parece ter sido a escolha certa, pois oferece uma experiência inovadora para os fãs que estão em dia com o mangá/anime e, ao mesmo tempo, convida um novo público a mergulhar e conhecer o universo da franquia.
No todo, pode-se dizer que One Piece Film Red não chega como o melhor filme da franquia, mas traz uma narrativa bem construída, trilha sonora empolgante e cenas animadas de arrepiar qualquer fã do universo de Eiichiro Oda.