Dois anos após o adeus de Jonas, Martha e a turminha de Dark, o casal alemão Baran Bo Odar e Jantje Friese está de volta para desgraçar sua cabeça. A dupla retoma parceria com a Netflix para a série 1899, que estreia neste dia 17. Com mais mistérios e personagens para fritar os neurônios, a trama aborda um navio migrante partindo da Europa para os EUA, no ano que dá título à série. Mas, como se espera de Odar e Friese, a viagem não será nem um pouco tranquila.
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A dupla e o trio protagonista Emily Beecham, Andreas Pietschmann e Aneurin Barnard conversaram com o Nerdbunker em entrevista antes do lançamento da série. Responsável pela maioria dos roteiros, Jantje Friese conta como os problemas do mundo real foram a gênese da nova trama:
“Desde muito cedo, 1899 nasceu da mistura de duas coisas que tínhamos muito claro em mente. A primeira é a ideia de imigrantes em um navio em direção à América. E a outra… bem… não podemos falar, não por enquanto! [risos] Posso adiantar que são duas ideias que, a princípio, você não imaginaria ver juntas, e criamos uma narrativa interessante acomodando isso.
A variedade de idiomas em cena foi refletida no elenco. Assim como Dark, 1899 oferece uma imensa galeria de personagens, todos com importância própria para o mistério maior. Já adiantamos que é bom separar o bloquinho de anotações. Do trio principal, temos Beecham e Barnard representando os britânicos, e Pietschmann no time alemão. Reforçam o elenco o espanhol Miguel Bernardeau, o português José Ramiro, a francesa Mathilde Ollivier, entre outros.

A escolha por muitos personagens e subtramas é explicada por Friese:
“Nós amamos histórias com múltiplos pontos de vista. É sempre um exercício interessante. Quando bolamos uma trama, há um ponto central na narrativa inteira, e vamos encaixando cada personagem de forma que eles tenham sua importância. Eles precisam se conectar a esse tema, ao mesmo tempo em que nos aprofundamos neles próprios. Às vezes isso envolve manter alguns segredos. Não entregar tudo sobre eles. Você nunca sabe bem quando alguém está mentindo, escondendo algo… Como criadores, nos apegamos muito aos personagens. Aprendemos a amá-los.”
À primeira vista, o ponto central parece ser a misteriosa Maura Franklin (Beecham), que apresenta o espectador ao navio Kerberos. Sob a fachada aparentemente pacata de uma médica, a personagem esconde segredos e um passado traumático.

Franklin transita entre núcleos com outros personagens como Eyk (Pietschmann), capitão do navio, e o sinistro Daniel (Barnard). Se a longa viagem e os traumas de que cada personagem foge já os atormentam, a convivência fica ainda mais tensa quando a descoberta de um outro navio à deriva causa acontecimentos que testarão os limites da sanidade de cada um.
Só não pense que o fato de ser atriz titular do elenco torna a confusão mental menos complicada… Emily Beecham explica:
“A construção da personagem resumiu-se em pentelhar o Bo e a Jantje com o máximo de perguntas que eles aguentaram! [risos] Muitas coisas vieram de sugestões minhas. Foi preciso quase um mapa mental, só de coisas que eu podia ou não expressar em determinados momentos. Maura é uma personagem difícil. Ela tenta ser agradável, mas tem os próprios segredos, não confia em ninguém, quase ao ponto de ser rude…”
Figurinha carimbada nos projetos de Odar e Friese, Andreas Pietschmann chega como o perturbado capitão Eyk após o Jonas adulto em Dark (ou Jonas sujo, para os íntimos). O astro dá o peso ao personagem atormentado pela perda da família, culpa que ganha mais força com os acontecimentos bizarros no Kerberos. Entusiasmado, o ator celebra o reencontro com o casal:
“Fiquei surpreso quando li o roteiro, e também de terem me chamado. Não esperava mesmo. Sabia que seria uma história muito variada, então nem imaginava aparecer. Me senti feliz e sortudo. Bo e Jantje estão sempre nos estimulando. Amo trabalhar com eles porque sempre me fazem tomar caminhos que nunca pensei.”
Brincando de Deus...
Se a logística de transportar todos os atores para o set de um navio em alto mar já faria tremer até o mais calmo produtor em uma situação normal, imagine em plena pandemia de COVID-19, com todas as restrições ainda em vigor. Foi aí que uma ajudinha providencial direto de uma galáxia muito, muito distante veio a calhar.
1899 emprega a tecnologia The Volume. O telão gigante envolve o set em um ângulo de 180 graus, permitindo projeções em altíssima definição de paisagens e todo tipo de cenário, junto das partes do navio construídas para as filmagens. O modelo popularizado por The Mandalorian, da saga Star Wars, foi construído do zero com o pretexto da série, em parceria dos produtores com a Netflix, mas servirá para produções futuras do audiovisual alemão.
Diretor dos oito episódios da primeira temporada da série, Baran Bo Odar celebra as facilidades da filmagem, ainda que tenha lidado com o período de crise fora do set:
“Foi muito desafiador. Tomamos todo o cuidado com os mínimos detalhes. Temos o Volume, então não tínhamos que nos preocupar com perder a luz do Sol ou coisas do tipo. Mas por outro lado você se vê trancafiado horas a fio no set. Foram mais de 7 meses de gravações, por vezes era enlouquecedor para todo mundo. Mas o Volume facilitou nossa vida. Só de não termos que viajar para todo canto, ou construir um tanque de água gigante. Isso seria quase impensável. Mas agora podemos brincar de Deus um pouquinho, controlar luzes, ambientes…”
A gravação majoritariamente em Berlim, na Alemanha, fez a alegria de Andreas Pietschmann, aos olhares de inveja dos colegas:
“Para mim, foi melhor ainda porque terminando as gravações, eu ia direto para casa ver meus filhos. Foi um privilégio!”
Às vésperas da estreia, tanto os criadores, como o elenco sentem a pressão de suceder o sucesso mundial que foi Dark, mas garantem a confiança na nova trama. Todos afirmam estar de olho nas teorias dos fãs, e preparados para a avalanche de perguntas e, claro, memes. Novato no Baran&Jantjeverso, Aneurin Barnard brinca:
“Nem sei se poderei responder a todos. Vou mandar perguntarem ao Bo. Mas é um prazer que a plateia embarque nessa jornada conosco. Esperamos que todos gostem tanto quanto amamos fazê-la.”
Jogado na fogueira pelo colega, Baran Bo Odar também celebra a ansiedade dos fãs e deixa até escapulir que podemos ter mais da tripulação do Kerberos pela frente:
“Fazer uma série requer muito esforço. São muitos nervos, muitas crises, muita saúde mental indo pelo ralo [risos]. É incrível vermos todas essas reações antes mesmo do lançamento. Muita gente tentando adivinhar a história pelos trailers. Por um lado, é uma pressão para nós, mas não podemos mais alterar nada, então já era. Espero que todos assistam porque temos muito o que contar. Temos um plano para três temporadas, igual Dark.”
Como a gente é brasileiro e não desiste nunca, tentamos arrancar do casal a solução de um dos mistérios mais bem guardados da série anterior: o que diabos aconteceu com o olho do policial Woller?

Sem querer cantar vitória antes do tempo, mas lembrem-se que se um dia a promessa de Odar e Friese se confirmar, você leu aqui primeiro. A roteirista brinca:
“Vocês nunca irão saber. É um mistério eterno… Até fazermos o derivado sobre o olho de Woller.”
1899 chega para streaming em 17 de novembro, exclusivamente na Netflix. As três temporadas de Dark também estão em catálogo.