Ontem a CBS exibiu o episódio Worlds Finest, crossover entre as séries Supergirl e The Flash, juntando os dois heróis e estabelecendo a existência de um multiverso com os personagens que recheiam o catálogo de televisão da DC Comics. O resultado da colisão dos mundos de Kara Danvers (Melissa Benoist) e Barry Allen (Grant Gustin) não foi o ponto mais alto da Garota de Aço na TV (e com certeza não foi o do Velocista Escarlate) mas ainda sim, foi impossível assistir sem dar uns sorrisos.
Worlds Finest não se preocupa muito em apresentar quem é o Flash, já que a audiência da série do personagem é bem maior e ele é um dos símbolos mais conhecidos da DC na televisão atualmente, e em poucos minutos Barry já atravessa a barreira interdimensional para se encontrar em National City, onde chega na hora de ajudar Kara. O que ele não sabia, é claro, é que ela não precisava de ajuda, afinal de contas é ela a Supergirl.
Com isso se inicia a parceria dos dois em duas histórias paralelas, Barry buscando uma forma de voltar pra casa e Kara lidando com duas vilãs que se juntam para matar Cat Grant, a Banshee Prateada e Livewire, e ao mesmo tempo, a química clara entre os jovens heróis deixa James Olson claramente sofrendo de ciúmes, o que Kara tenta usar para conquistar o coração do rapaz, e é ai que entra o problema do episódio, tem coisas demais acontecendo, quando o foco do episódio devia ser muito mais no encontro entre Supergirl e Flash, mas há mensagens temáticas, origens e triângulos amorosos desnecessários presentes nos 40 minutos desta semana.
Supergirl e Flash funcionam bem juntos porque ambas séries - produzidas pelas mesmas pessoas - capturam o sentimento de diversão, alegria e grandiosidade que tornaram os quadrinhos da DC Comics inesquecíveis e permearam o universo da editora. Elas não tem medo de rir de si mesmas e não esquecem o quão legais super heróis são. Isso fica mais claro quando olhamos para os atores que protagonizam as histórias. Gustin e Benoist foram escolhas certeiras para os personagens e sua química, combinada com a pegada semelhante, tornou esse crossover a coisa mais óbvia a ser feita.
Ambos funcionam muito bem juntos. A dupla tem uma química divertida e te faz querer ser amigos deles para desfrutar de donuts e sorvetes quando eles não estão salvando o mundo ou algo do tipo. O que isso significa é que toda cena entre Barry e Kara é um deleite de se assistir. Tanto Gustin quanto Benoist estão claramente se divertindo muito com essa oportunidade - é só ver qualquer vídeo com os dois - e isso se transmite de maneira clara para a tela. Eles mal conseguem conter seus sorrisos e, como consequência, nós também não.
E é por isso que fica tão estranho a série decidir contar outras histórias - o ciúme fora de personagem e digno de novela de James Olsen, a origem da Banshee Prateada e a restauração da confiança da cidade em Supergirl - ao mesmo tempo. Me pergunto se isso não aconteceu porque a equipe teria pouco tempo com Gustin, que precisava voltar para Vancouver para continuar filmando Flash. Mas a estrutura do episódio fica estranha e bagunçada, e você vai querer pular quase toda cena sem os protagonistas.
Mas quando eles aparecem de novo, é ai que a coisa muda. As cenas de ação com os dois não são incríveis - é legal ver ela voando e ele correndo - mas fazem seu trabalho. Entretanto, é a interação humana e honesta entre os dois, quando eles conversam e compartilham suas experiências, e fica claro que eles sabem o que torna a DC Comics tão divertida. As histórias doidas, aliens, viagem no tempo, multiversos, tudo isso. Também é legal ver Barry tomando um pouco mais o papel de veterano, já que ele está nessa de herói há mais tempo que Kara, e isso mostra como o personagem cresceu com o tempo.
Worlds Finest não foi o melhor episódio do mundo, mas quando ele parava pra deixar Barry e Kara interagirem, foi impossível não se divertir.