Os jogos da HoYoverse são como buracos negros de tempo, e isso não é demérito. Seja com Genshin Impact ou Honkai: Star Rail, a desenvolvedora chinesa sabe como criar mundos intrigantes, personagens marcantes e jogabilidades satisfatórias. E Zenless Zone Zero, novo título do estúdio, é mais um forte candidato a disputar espaço no nosso curto tempo livre.
A convite da desenvolvedora, o NerdBunker foi até Singapura para um evento de dois dias, com sessões para testar uma versão quase final do game em primeira mão, além de conversar com os responsáveis. Ainda que restem algumas dúvidas quanto aos sistemas ao redor do jogo, uma coisa é certa: voltamos querendo muito mais.
Foco no combate

O jogador assume o papel de um Mediador, responsável por enviar trios de Agentes para as Esferas Negras para realizar uma série de missões, enfrentando perigos como criaturas, bandidos e até mesmo corporações gananciosas. Felizmente, os Agentes sabem lutar — e como.
O combate é, sem dúvidas, o ponto alto de toda a experiência. Com pegada de hack n’ slash de PS2, como um Devil May Cry da vida, o embate é bastante frenético e visualmente explosivo, ainda que fácil de entender os controles. Assim como Genshin Impact, ZZZ é um game de poucos botões: há um ataque principal, uma habilidade especial, uma esquiva e um poderoso ataque de finalização, que carrega de acordo com o seu desempenho nas lutas. Ainda assim, o game faz muito com pouco.
A grande sacada está no esquema de troca de personagens, já que é possível alternar entre membros do trio com o apertar de um botão, e o game concede habilidades especiais para trocas em determinados momentos. Alternar no timing de um golpe inimigo, por exemplo, mostra uma épica animação de defesa, em que outro Agente entra para rebater a porrada. Emendar uma sequência de golpes ativa um poderoso combo, em que todo o trio se reveza rapidamente em ataques especiais. Além disso, há efeitos elementais, como ataques de fogo ou raios, que podem ser combinados para causar o máximo de dano.

Em nossos testes, aproveitamos tanto missões de história como modos focados em lutas, e todos foram muito positivos. A estrutura é similar, com arenas que te desafiam a derrotar grupos de monstros bizarros, soldados ou bandidos. A diferença é que a campanha intercala as brigas com trechos de narrativa, sobre facções rebeldes em briga em um mundo cyberpunk. A trama é contada em cutscenes muito bem dirigidas, histórias em quadrinhos com boas ilustrações, ou em diálogos estáticos a la visual novel — que não são tão empolgantes quanto os dois outros formatos, mas o texto divertido segura bem a barra.
Para quem quer ficar só na porradaria, os modos de combate são um ótimo teste de habilidade. Um deles te coloca para enfrentar desafios de tempo, como tentar acabar com hordas de inimigos antes do cronômetro zerar, enquanto outro te desafia a enfrentar diversos chefões. Ambos colocam condições de tempo e pontuação para quem quer tirar altas notas de desempenho, para concorrer nos placares de liderança internet afora.
Esses foram nossos momentos favoritos do teste, já que demonstraram que o combate ser acessível não significa que é facilmente dominado. Foi preciso suar bastante, testar o máximo de combinações de equipe e golpes para tentar vencer — e, nas dificuldades mais altas, não conseguimos.
A vida nas ruas

Já havíamos jogado o game na Brasil Game Show 2023 e, por mais que o título tenha crescido muito em todos os aspectos ao longo de quase um ano, o lado de exploração foi o que mais evoluiu nesse tempo. A cidade parece mais populosa e viva, e as missões paralelas, como encontrar robôs perdidos e curtir cafeterias, são bem divertidas.
Mas houve uma questão que ficou na cabeça, que não pode ser realmente respondida durante os testes. A build que jogamos tinha tudo liberado e zerado, então não deu para entender como funcionará a economia do game. Parece que há seis moedas diferentes, que são recompensadas em missões e utilizadas para compra de Agentes, upgrades e mais.
Honestamente não deu para sacar o quão desafiador será ganhá-las na prática, ou o quão relevantes essas são para o aproveitamento do game. Para os veteranos de outros jogos da HoYoverse, que já se acostumaram com as várias exigências para conseguir personagens sem botar a mão na carteira, não deve ser muito diferente, mas novatos — como quem vos escreve — podem sim ficar um pouco intimidados.

Ainda assim, Zenless Zone Zero deixou uma impressão bastante positiva. Esse mundo cyberpunk é vibrante, colorido, com visual marcante e excelente design de personagens. O combate de controles simples conquista pelos resultados bombásticos e várias possibilidades, com a ação muito bem acompanhada de música eletrônica, batidas lo-fi de hip-hop e até mesmo fritação de dubstep.
É um game viciante de se olhar, ouvir e jogar. E, por mais que restem questões sobre a monetização e progressão, ficou claro que vai valer a pena deixar que outro título da HoYoverse sugue todo o nosso tempo livre.
Zenless Zone Zero chega gratuitamente ao PC, Android, iOS e PlayStation 5 em 4 de julho. Aproveite e conheça todas as redes sociais do NerdBunker, entre em nosso grupo do Telegram e mais - acesse e confira.