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Echoes of Wisdom é uma homenagem cativante ao legado de Zelda | Review
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Echoes of Wisdom é uma homenagem cativante ao legado de Zelda | Review

Capítulo com Zelda jogável traz um mundo que se inspira em jogos antigos e novos da franquia

Tayná Garcia
Tayná Garcia
25.set.24 às 09h00
Atualizado há 6 meses
Echoes of Wisdom é uma homenagem cativante ao legado de Zelda | Review
Zelda: Echoes of Wisdom/Nintendo/Divulgação

Se você é fã de The Legend of Zelda, sabe que é impossível esquecer o primeiro contato com a franquia. Seja por A Link to the Past (1991), Ocarina of Time (1998) ou até Breath of the Wild (2017), muitos jogadores de diferentes gerações foram conquistados por jogos que apresentam suas próprias particularidades, mas mantém a mesma essência — e a mesma lenda.

Só que Echoes of Wisdom chega com a proposta de cutucar e dar uma mexida nessa “fórmula”, apostando numa mudança de protagonismo. Assim, pela primeira vez após 38 anos de existência, a saga apresenta uma Zelda jogável como protagonista — e um Link em apuros.

Isso resulta num jogo que não apenas é uma aventura memorável, carismática e única, mas que também homenageia o legado da franquia de forma simbólica.

Nada perigoso ir sozinha

Após o surgimento de fendas misteriosas por toda Hyrule, Zelda é capturada por Ganon e, ao tentar ser resgatada por Link, algo bem improvável acontece.

O herói do tempo é “sugado” por uma das fendas e desaparece, deixando tudo nas mãos da princesa que, desta vez, precisa se virar para salvar o reino. Mas não completamente sozinha! Uma pequena criatura chamada Tri aparece com a proposta de ajudar Zelda a “fechar” as fendas.

Esse é o pontapé inicial para uma aventura que serve como uma história “fechada” e que não depende de outros jogos, sem deixar de flertar e mexer com alguns pilares da lenda original de The Legend of Zelda, como as três Deusas Douradas, o poder da icônica Triforce e até o retorno de personagens e chefes conhecidos.

Cena de Zelda: Echoes of Wisdom Tri serve como um NPC acompanhante para Zelda, e é uma peça-chave para desvendar o mistério por trás das fendas que assolam Hyrule (Imagem: Echoes of Wisdom/Nintendo/Captura de tela)

Ter a Zelda como a protagonista da vez pode gerar muitas dúvidas. Afinal, como é a jogabilidade de um Zelda sem ter espada e escudo como alicerce?

A resposta está em Tri que, além de atuar como um NPC acompanhante, concede uma varinha mágica para a princesa, que é capaz de clonar itens específicos e inimigos (todos eles!) para usá-los no combate e na exploração.

Isso faz com que o uso de clones seja a principal mecânica de Echoes of Wisdom. Com ela, Zelda é capaz de memorizar e armazenar os dados de tudo que emana um certo brilho — e a lista é vasta, indo desde camas, trampolins e caixas até blocos de água e inimigos que são úteis de alguma maneira ao explorar o mundo. Uma criatura escavadora, por exemplo, possibilita que você cave buracos para encontrar caminhos secretos, e aranhas tecem teias que servem como cordas.

Também é possível usar o poder de Tri para sincronizar com objetos para movê-los a distância ou até copiar seus movimentos, adicionando mais possibilidades à dinâmica do gameplay.

Momento de gameplay de Zelda: Echoes of Wisdom Não sabe o que fazer para superar um puzzle? Tente uma ponte de camas — isso me salvou (e muito) durante a minha aventura (Imagem: Echoes of Wisdom/Nintendo/Captura de tela)

Assim, a clonagem é uma mecânica simples, mas inventiva, que estimula a criatividade do jogador para solucionar quebra-cabeças de ambiente e também se safar no combate.

Para a exploração, a ideia funciona muito bem — e apresenta até um conceito parecido com Tears of the Kingdom (2023), em que a gambiarra é mais do que bem-vinda para superar obstáculos! Perdi as contas em quantas vezes usei combinações bizarras e malucas de clones para montar meu próprio "megazord" de escadas e alcançar um lugar que eu claramente não deveria estar.

A mecânica, no entanto, não funciona tão bem no combate, uma vez que o torna bem limitado e demorado. Por um lado, faz sentido narrativamente que Zelda não possa enfrentar inimigos de forma tão direta como Link, dependendo do poder de Tri. Por outro, o resultado é de muitas lutas com uma cadência lenta, em que a mesma estratégia se repete a todo instante: criar o clone de um inimigo para lutar ao seu favor, e apenas esperar até o adversário ser derrotado.

Como uma forma de amenizar esse aspecto repetitivo e adicionar mais dinâmica às batalhas, a princesa tem um “modo espadachim”, que traz o bom e velho duo de espada e escudo. Só que esse modo é temporário, funcionando com uma “barra de magia” que esgota em poucos segundos. Portanto, é preciso carregar e não dá para esbanjar a todo momento, fazendo com que o jogador precise saber a melhor hora de usá-lo.

Essa mistura gera um combate diferente para um Zelda, que exige mais paciência e estratégia de posicionamento do que habilidade para confrontos diretos, o que pode incomodar os jogadores que gostam de ação e porradaria sincera — ou de depender a todo momento de itens que repõem a magia necessária para o “modo espadachim”, o que foi o meu caso.

Momento de gameplay de Zelda: Echoes of Wisdom Ao decorrer da história, você transita entre realidades: Hyrule e o mundo inerte, uma versão fragmentada do Reino com tudo que foi “sugado” por fendas (Imagem: Echoes of Wisdom/Nintendo/Captura de tela)

Aos moldes do remake Link’s Awakening (2019), o visual de Echoes of Wisdom apresenta a estética “toon” da franquia, além de câmera isométrica. Com isso, as aparências dos personagens são mais fofas e coloridas, com um foco minimalista. Apesar da simplicidade em relação a outros Zelda de console de mesa, os cenários têm vários pequenos detalhes, como brilhos reflexivos em água e baús, pegadas ao andar em solo coberto por neve e uma iluminação cuidadosa e natural com raios de luz do sol e chamas de tochas.

Mas o que realmente chama a atenção é a verticalidade na exploração de Hyrule. Ao contrário de Link’s Awakening, é possível descer ou subir de plataformas pelos cenários a qualquer momento e sem impeditivos como altura ou dano de queda — na verdade, o jogo até incentiva você a querer subir em locais cada vez mais altos. Mas isso não quer dizer que não há limitações, uma vez que cheguei a bater a cabeça da Zelda em alguns tetos invisíveis por me empolgar demais ao explorar as alturas.

Momento de gameplay de Zelda: Echoes of Wisdom Echoes of Wisdom faz alusões a características marcantes da franquia, como Link não falar! (Imagem: Echoes of Wisdom/Nintendo/Captura de tela)

Isso nos leva aos designs de fases das masmorras, que são simples de forma geral, mas, assim como a exploração em área aberta, também exigem a criatividade do jogador com o uso de clones para a superação de quebra-cabeças. Ao todo, são cinco dungeons principais, que lembram a estrutura dos Zelda clássicos das décadas de 1980 e 1990.

Algo frustrante, no entanto, tanto do “mundo aberto” quanto das masmorras, é que muitos baús e até recompensas de minigames e missões secundárias são apenas Rupias (ou “Rupees”, no original). E, sejamos francos, ser recompensado com moedas após superar um puzzle complicado é bem anticlimático.

Outro elemento importante da jogabilidade é que há dois níveis de dificuldade — o “Normal” e o “Heroico”, um modo difícil com dano dobrado e menos corações disponíveis —, mas o jogo minimiza, de forma geral, alguns dos pilares da fórmula da franquia. Alguns exemplos são a existência de uma bolsa ilimitada para Rupias desde o início, não ter bússolas nas dungeons, não sofrer dano de queda, e poder recuperar vida ao dormir em camas clonadas. Tudo isso atua até como um facilitador na prática, o que torna Echoes of Wisdom numa experiência bem tranquila para jogadores mais experientes.

Momento de gameplay de Zelda: Echoes of Wisdom Pois é, Zelda também tem direito a montaria! (Imagem: Echoes of Wisdom/Nintendo/Captura de tela)

Como era de se esperar de um Zelda, a trilha sonora mostra ao que veio com músicas que estabelecem o clima de “nova aventura”. Há um foco em rearranjos da lendária “Zelda’s Lullaby”, com melodias que transmitem uma sensação aventuresca, resultando numa mistura que combina com a proposta da experiência de controlar a princesa pela primeira vez em tanto tempo — e ainda aquece o coração dos fãs mais saudosistas (como eu!).

Algo curioso é que Zelda não fala em nenhum momento da história. Desde o início da franquia, Link se estabeleceu como um protagonista silencioso, então foi uma surpresa (até um tanto esquisita, confesso) ver que a Nintendo optou pelo mesmo caminho apesar da mudança de papel principal.

Por fim, Echoes of Wisdom traz localização em português brasileiro, sendo o primeiro Zelda a chegar com tradução na nossa língua logo no lançamento.

Além de ser um marco para o Brasil, é nítido o cuidado da empresa japonesa com a novidade. Há uma boa adaptação de termos específicos da saga e até do linguajar de acordo com cada personagem — como os Zora Fluviais sendo mais despojados ao falar, e os Zora Marinhos mais rebuscados.

Difícil também não dar risada com os nomes adaptados dos inimigos, que flertam com palavras e trocadilhos brasileiros, como Frigório (um inimigo que é um bloco de gelo), Lagalfos (os clássicos Lizalfos), Labalesma (uma lesma com dano elemental de fogo) e por aí vai. Por outro lado, fãs de longa data também podem estranhar algumas mudanças curiosas, como ReDead ser chamado de “Refinado”, e Iron Knuckle de “Sombrado”.

Momento de gameplay de Zelda: Echoes of Wisdom Vai dizer que não dá um quentinho no coração ver um Zora falando um ditado brazuca! (Imagem: Echoes of Wisdom/Nintendo/Captura de tela)

Seja como for, finalmente ter um The Legend of Zelda em português brasileiro é um passo importante para a Nintendo no nosso país.

Uma ode a Zelda

Echoes of Wisdom é uma singela homenagem da Nintendo aos Zelda antigos, como A Link to the Past e Link's Awakening, com uma pitadinha do conceito de liberdade do DNA atual da franquia, com Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Misturando o velho e o novo, temos uma experiência pesada em nostalgia — e simbólica por trazer Zelda como a protagonista pela primeira vez.

Apesar de defeitos aqui e ali, como um combate repetitivo (que é bem evidenciado na luta final), o jogo cumpre o prometido e entrega entre 10 a 15 horas de pura diversão, sorrisos e saudosismo numa história bem única da saga, que serve como um respiro bem-vindo após tantas experiências massivas de Link.

Assim, mais uma vez, The Legend of Zelda se prova como uma das franquias mais cativantes da Nintendo.


Essa review foi feita com uma cópia cedida pela Nintendo.

Zelda: Echoes of Wisdom será lançado no dia 26 de setembro para Nintendo Switch.

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