[Atenção! Spoilers do Episódio IX abaixo!]
O filme Star Wars: A Ascensão Skywalker, dirigido por J.J. Abrams e lançado no finalzinho de 2019, trouxe de volta aquele que talvez seja o maior vilão de toda a saga cinematográfica da franquia: Darth Sidious, ou o Imperador Sheev Palpatine, interpretado por Ian McDiarmid. Supostamente morto em O Retorno de Jedi, de 1986, o Imperador mostra que ainda tem alguma vida para dar trabalho aos heróis e protagonistas, mesmo muitas gerações depois. Mas como isso aconteceu?

Em seus mais de 140 minutos, o filme não tenta explicar o retorno de Palpatine. O vilão apenas menciona, por alto, que os poderes do Lado Sombrio da Força permitiram que ele vivesse mais do que imaginamos. O que o longa-metragem aparenta dizer é que, se você quiser saber mais, terá de ler algum livro ou quadrinho do Universo Expandido, ou retornar alguns anos e consumir material que já foi escrito no antigo cânone de Star Wars, antes da Disney entrar em cena.
Nada é tão inédito assim
O retorno de Palpatine não é exatamente inédito. Na minissérie em quadrinhos Dark Empire, publicada nos anos 90, o personagem retornou por meio de clones, preparados com antecedência para receber sua consciência através da Força, após sua eventual morte. Na HQ, que foi publicada no Brasil com o título de Star Wars – Império do Mal, o vilão diz uma frase bem parecida com uma fala do Episódio IX: “Esse é um dos mistérios do Lado Sombrio!”.

Por mais que muitos torçam o nariz para “explicações misteriosamente mágicas”, é assim que a Força tem funcionado desde sua concepção. A cada novo filme, game, HQ ou livro, novos poderes são associados ao talento que divide Jedi e Sith. Regeneração, eletricidade das mãos, pequenos voos, capacidade de projetar a mente e muito mais. A Força permite isso, e assim ela também permitiu que Palpatine estivesse no filme mais recente da franquia.
Quem prestou atenção no filme também deve ter notado que ele não afirma ter morrido, mas sim sobrevivido e se escondido durante anos. Isso remete a um trecho do Episódio III, A Vingança dos Sith, de 2005. Enquanto conversa com um Anakin Skywalker ainda não convertido ao Lado Sombrio, Palpatine cita: "O Lado Sombrio da Força é um caminho para muitas habilidades que alguns consideram não-naturais”. Ao recitar a frase, o então senador e futuro vilão lembra de Darth Plagueis, secretamente seu mestre, que tinha o poder de criar vida e evitar que pessoas queridas morressem.
Tá, mas e aquela galera toda?
Apesar de tudo parecer fazer sentido, também podemos pensar que seria irreal Palpatine conseguir criar uma frota gigantesca de Star Destroyers, com soldados recrutados e generais. Mas temos que lembrar que, assim como o nosso próprio, o universo de Star Wars é gigantesco e há muitos sistemas não-mapeados pelo mundo. O planeta Exegol, que serviu de base para o Lorde Sith, foi motivo de dificuldade para os protagonistas, que só o encontraram com a ajuda de um Holocron ancião – uma ferramenta de dados de usuários da força, mais ou menos como um grande pendrive USB místico.

Não é segredo que J.J. Abrams não tem uma paixão muito ardente pelo Universo Expandido de Star Wars ou por produções da “trilogia prequel”. Em 2015, o cineasta deu uma entrevista ao site io9, onde comentou que um filme de Star Wars não pode se prender tanto ao Universo Expandido, já que nem todo fã consegue consumir todo este material. Ainda assim, o Episódio IX mostra que muitas das explicações de perguntas, incluindo algumas das mais importantes, já estão por aí, nos livros, HQs, games e outras produções menores quando comparadas aos filmes da franquia.
Star Wars: A Ascensão Skywalker está em cartaz nos cinemas. Leia a nossa crítica!