Como No Man’s Sky e The Witcher 3 nos ensinam a não reclamar de jogos adiados

Seu game mais esperado do ano foi adiado? Isso não é motivo de tristeza não!

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Como No Man’s Sky e The Witcher 3 nos ensinam a não reclamar de jogos adiados

Na última semana, o adiamento de jogos voltou a ser um assunto bem comentado entre os jogadores, depois de Final Fantasy VII Remake, Cyberpunk 2077, Marvel’s Avengers, Animal Crossing, Doom Eternal, The Last of Us Part II e Dying Light 2 (ufa!) serem adiados.

A avassaladora maioria dos consumidores vê o adiamento como algo extremamente ruim, principalmente por dois motivos. Primeiro, porque isso significa que terá que esperar mais pelo jogo. E, segundo, porque é um sinal de que o desenvolvimento está conturbado e, consequentemente, o game tem boa chance de ser ruim.

A justificativa para o adiamento de oito grandes títulos de 2020 (saiba mais sobre aqui) é que, simplesmente, os desenvolvedores precisam de mais tempo para entregar o que foi prometido.

Uma ótima justificativa: se é para ficar melhor, quem seria contra a esperar mais um pouco? Seguindo essa linha, vamos analisar dois exemplos que provam como adiamentos, de maneira geral, não devem ser vistos com maus olhos.

O primeiro é The Witcher 3, game da CD Projekt Red que foi um estouro desde o primeiro dia, arrancando elogios da crítica especializada e dos jogadores. Só que o lançamento foi tão bom, que ninguém lembra que o título passou por dois adiamentos — um deles, de um ano –, que não foram lá muito bem recebidos na época.

Originalmente, TW3 sairia em 2014, mas foi empurrado para fevereiro de 2015, depois finalmente definido para maio do mesmo ano. O motivo, dado pelos desenvolvedores, foi de que precisavam de mais tempo para a fase de polimento — em que ajustes finais e correções de bugs são feitos — para conseguirem entregar o que tinham prometido.

Os fãs torceram o nariz quando descobriram a novidade, mas quem lembra disso depois de ver o resultado final? O tempo “extra” de desenvolvimento foi crucial para o que o game se tornou no lançamento.

No entanto, o mesmo não pode ser dito sobre o segundo exemplo, No Man’s Sky, que teve um lançamento extremamente polêmico. Anunciado em 2014 com muitas promessas, o jogo foi lançado em 2016 e tachado como inacabado pela crítica e pelos jogadores — porque, de fato, estava.

Muito do que os desenvolvedores tinham anunciado não estava no game, o que causou revolta entre os fãs que até fizeram listas e comparações, mostrando o que havia sido prometido e o que foi entregue. Como o vídeo logo abaixo:

O desenvolvimento de No Man’s Sky não teve muitos momentos conturbados, apenas um adiamento de dois meses — que, apesar de pequeno, já causou reclamações entre os fãs.

Pouco depois, houve rumores de um segundo adiamento. Dessa vez, de apenas três dias, o que já fez os jogadores se revoltarem. Eles acabaram se provando falsos, o que aliviou os nervos de todos, que mal sabiam o que aconteceria depois.

Desde o anúncio, o hype pelo jogo foi imenso, difícil de ser controlado. Então qualquer impressão de que o desenvolvimento não estava dentro do programado, fazia as pessoas surtarem. Isso fez com que a desenvolvedora Hello Games mantivesse a data, mesmo sabendo que muitos elementos ficariam de fora para serem adicionados em atualizações depois.

Atualmente, No Man’s Sky é quase um jogo completamente novo porque expansões foram feitas nos anos seguintes e entregaram as promessas iniciais. Só que o alcance e interesse de jogadores já diminuiu drasticamente, e o gosto amargo ainda está difícil de ser esquecido — o que poderia ter sido evitado com, veja só, um adiamento!

Parece frustrante ver aquele título tão aguardado adiado, ler comunicados das empresas se desculpando por atrasos e pedindo compreensão. Afinal, o jogador quer jogar. Contudo, antes de abraçar a revolta e apontar o dedo para as empresas desenvolvedoras, vale refletir: o jogador quer mesmo é jogar, certo? Mas quer também que o jogo seja bom! E já dizia o ditado: a pressa é inimiga da perfeição.