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Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é o ápice da ação nos jogos do estúdio | Review
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Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é o ápice da ação nos jogos do estúdio | Review

Novo título coloca Goro Majima em uma empolgante aventura pelo mar

Jeff Kayo
Jeff Kayo
18.fev.25 às 15h03
Atualizado há cerca de 2 meses
Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é o ápice da ação nos jogos do estúdio | Review
(Divulgação)

Não existe sorte ou acaso. O que o pessoal do Ryu ga Gotoku Studios produz, mesmo as ideias mais malucas e absurdas, sempre têm o poder de cativar e entreter qualquer jogador que se arrisque nas aventuras criadas por eles.

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii não foge à regra e trabalha, mais uma vez, o legado deixado por Kazuma Kiryu e companhia com maestria.

Eu vou ser o Rei dos Piratas!

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é uma continuação direta de Like a Dragon: Infinite Wealth, o último grande título da franquia. Seis meses após os acontecimentos em Honolulu, Goro Majima se vê perdido numa pequena ilha, sem memória alguma da sua vida passada ou do acidente que o colocou ali.

Seu salvador é uma criança nativa da ilha, que vê na situação uma chance de finalmente abandonar aquele lugar e conhecer o mundo numa aventura épica a bordo de um navio e a sua tripulação de piratas.

Imagem de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii Masaru, Majima e Jason, o trio pirata mais inusitado que você encontrará nos videogames (Divulgação)

Em linhas gerais, Goro Majima resumiu, em pouco mais de 40 horas, o que é partir em uma aventura fantástica, procurar um tesouro lendário e se tornar o Rei dos Piratas. Qualquer outra obra que também narra uma epopeia similar, é pura coincidência (risos).

Brincadeiras à parte, apesar de ser uma continuação, muito pouco é exigido do jogador para entender a nova aventura. Neste sentido, há apenas alguns vilões, e uma situação que acontece durante o primeiro jogo, mas tudo isso é bem explicado nas primeiras horas da aventura. De resto, o título é pura ação pirata nos mares, nas ruas de Honolulu, e também em outras localidades inéditas do jogo.

De vilão a personagem mais carismático da franquia

Goro Majima é o demônio encarnado. Conhecido como o “Cachorro Louco de Shimano”, sua vida nunca foi fácil. Ele é considerado um dos “Gokudo” (uma forma um pouco mais “romântica” como os mafiosos japoneses chamam a si mesmos), lendários dentro do clã Tojo, e a sua reputação foi forjada em cima da violência. Ele tem um carinho doentio por Kazuma Kiryu e, mesmo quando os dois são aliados em jogos da franquia, quase sempre o jogador precisa enfrentá-lo em algum momento do jogo - e nunca é uma luta fácil.

Depois de Yakuza Zero, descobrimos uma nova faceta do personagem, que mantinha a sua loucura, mas também trazia consigo um carisma arrebatador. Aos poucos, Majima conquistou um espaço gigantesco nos remakes dos jogos clássicos (Kiwami e Kiwami 2) até alcançar seu próprio spin-off, sem dividir a atenção com outro protagonista.

Imagem de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii Madlands é o paraíso da vilania em alto mar (Divulgação)

E, como centro das atenções, Majima cumpre seu papel e não decepciona. Um pouco mais comedido, afinal, ele passa o jogo inteiro ao lado do jovem Noah e seu tigre de estimação “Goro”, o ex-mafioso agora se auto proclama um capitão pirata e segue em busca da glória nos mares próximos a Honolulu, no Havaí.

A irreverência e seriedade do personagem funcionam sem conflito. Mesmo nos momentos mais tensos do jogo, o clima de esperança permanece, sempre focado em uma nova geração que está por vir, representada por Noah, a única criança que divide o palco com o herói do jogo.

Curioso comparar o relacionamento de Majima e Noah com o que foi apresentado lá em 2005, entre Kiryu e Haruka, no primeiro Yakuza. Um mafioso e uma criança, em situações completamente diferentes, claro, representando dois momentos do time por trás desse novelão japonês: o primeiro mais sério, enquanto o segundo bem mais caricato. No entanto, idênticos em sua conclusão, sempre focada no final feliz para as crianças.

Gameplay finíssimo

A série Yakuza evoluiu tanto que foi preciso que o Ryu ga Gotoku Studios se dividisse em duas frentes para dar conta de entregar tudo o que eles tinham planejado para a franquia. Assim, hoje temos a vertente do RPG clássico para a série principal de jogos, e um jogo de ação em terceira pessoa, aos moldes dos jogos antigos, para os spin-offs.

Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii é um jogo de ação e segue o mesmo padrão de Like a Dragon Gaiden: The Man Who Erased His Name, título que antecedeu Infinite Wealth, apresentando um novo destino para Kazuma Kiryu dentro desse universo.

Imagem de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii Os clones de sombras do estilo Cachorro Louco são muito fortes no combate (Divulgação)

Na parte prática, Majima pode trocar entre dois estilos de combate: o Cachorro Louco, seu estilo clássico, mas revigorado para o game; e o novíssimo Lobo do Mar, focado em atacar com espadas, uma corda especial e uma pistola. Os estilos de luta combinam bem com o personagem, e acompanham uma troca de roupa especial, já que, para ser um capitão pirata, é preciso se vestir como tal.

Vale ressaltar que este é o ápice da ação dentro dos jogos do estúdio. A movimentação fluida permite a constante troca de estilos em tempo real, e a utilização de estratégias com base no cenário em que estamos no momento do combate é imprescindível, já que certas ações especiais podem ser acionadas em lugares específicos, como postes, paredes, carros, etc.

Duas grandes adições ao combate corpo a corpo merecem destaque: a primeira delas é a possibilidade de estender os combos com ataques aéreos ao melhor estilo Devil May Cry. Apesar de não ser a forma mais otimizada de combate, os combos diversificam o gameplay e são muito bonitos de assistir.

A outra novidade fica por conta da utilização de instrumentos amaldiçoados que invocam criaturas místicas para ajudar no combate no modo Lobo do Mar. Esse ataque especial pode ser acionado apenas com a barra de especial no máximo. Já no modo Cachorro Louco, Majima invoca sombras de si mesmo para lutar por ele. São ataques extremamente fortes, do jeitinho que a gente gosta.

Navegando pelos Sete Mares

A grande atração do game é a possibilidade de velejar pelos mares do Havaí em busca de encrenca. Como já me disseram uma vez, Like a Dragon não é exatamente um jogo de mundo aberto, está mais para “bairro aberto”. E a regra se aplica no modo de navegação também.

Imagem de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii O combate entre navios piratas é dividido em duas fases: ataque de canhões e combate no convés (Divulgação)

Todos os mapas navegáveis são separados por regiões, e eles vão sendo destravados ao longo do jogo. Os tesouros encontrados em cada um dos mapas são fixos e, uma vez descobertos, são riscados do mapa. Os faróis espalhados entre os arquipélagos servem como uma forma de viagem rápida, e durante o trajeto, é preciso ficar atento a tempestades, redemoinhos e outros piratas pelo caminho.

O galeão utilizado para velejar é de extrema versatilidade. Depois de algumas horas de jogo, é possível personalizar o casco, as velas e até a figura de proa, responsável por causar terror no coração dos seus inimigos. Essas partes extras podem ser compradas nas lojas espalhadas por Honolulu e demais localidades.

Todos os upgrades relacionados ao status do barco, como canhões, resistência e maior espaço para a tripulação são comprados com dinheiro do jogo. E, no que diz respeito à tripulação, é necessário realizar as missões secundárias do jogo para aumentá-la .

A mão mágica dos desenvolvedores se faz presente mais uma vez aqui. É muito recompensador quando as ferramentas do jogo trabalham pela imersão completa do jogador. As missões secundárias, com certeza a maior qualidade de todos os jogos da série Like a Dragon, são responsáveis por expandir o mundo do jogo de forma única. Aqui, além da diversão, cada missão secundária destrava um tripulante para o seu navio. E eles são imprescindíveis para se dar bem nos combates marítimos.

Imagem de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii Nas batalhas de convés, a força da sua tripulação é indispensável (Divulgação)

Reputação entre os piratas

Parte da história de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii se dá em Madlands, uma terra sem lei, onde a sua reputação como pirata vale mais que ouro. É nesse paraíso criminoso e que existe o Coliseu dos Piratas, uma arena dedicada ao combate e à glória.

É lá que conhecemos o Rei dos Piratas, o grande vilão da história, e também onde a trama começa a se desenrolar. No Coliseu o jogador tem um minigame especial de combate, que também serve para juntar experiência, dinheiro e destravar todos os upgrades do navio.

Parece um repeteco do que já vimos com o coliseu de Like a Dragon Gaiden e, como estrutura, é isso mesmo. Mas o gameplay é completamente diferente, apoiado sumariamente nos combates marítimos inéditos na franquia. Funciona super bem como um extra dedicado exclusivamente para aprimorar nossas habilidades de navegação.

Uma aventura para menores de 12 anos

Apesar de contar com um alto nível de violência – Majima não brinca na hora de esfregar a cara dos seus oponentes na areia –, o jogo deixa de lado aspectos comuns da franquia, como os famosos clubes de hostess.

Imagem de Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii Fotinho descontraída para lembrar do date com a cosplayer famosa (Divulgação)

Quem se lembra de Yakuza Zero deve saber que Goro Majima foi o Rei dos Cabarés em Sotenbori, e ostentava esse título com orgulho. Os famosos minigames que deixavam as pessoas desconfortáveis com as atuações de modelos famosas do mundo real não estão presentes no game. O motivo? Talvez o fato de Majima andar 100% do tempo com Noah ao seu lado tenha inviabilizado as visitas nesses estabelecimentos tão famosos dentro do jogo.

No entanto, assim como acontece em praticamente todos os títulos da franquia, uma competição acirrada entre modelos e VTubers famosas do Japão elege cinco personalidades para fazer parte do jogo, mas de uma outra maneira. Sem spoilers aqui, mas sugiro ficarem de olho na missão secundária “Garotas do Distrito de Minato”, protagonizada pelo cozinheiro da tripulação de Majima, Masaru Fujita.

Mesmo com a falta dos clubes de hostess, ainda existem inúmeras maneiras de se divertir em Honolulu. Fliperamas, videogames, bares, sinuca, corridas de kart, golf e um inusitado minigame na cozinha com o “Chef Majima”.

Mais uma vez, o Ryu ga Gotoku Studios e a SEGA entregaram um jogo incrível, protagonizado por um sessentão que não parece ter mais de 40 anos, no auge. Conseguiria ele substituir Kazuma Kiryu e carregar o legado mafioso daqui para frente? Talvez, mas essa opção nunca esteve na mesa – pelo menos de forma oficial, claro.

Foram 20 anos cozinhando até que a SEGA encontrasse uma receita perfeita de jogo, que agradasse ocidente e oriente da mesma maneira. Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii faz parte desse acerto e não existe um meio termo: ou você gosta ou não jogou direito.


Like a Dragon: Pirate Yakuza in Hawaii chega no dia 21 de fevereiro para PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One e PC, com legendas em português brasileiro.

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