Parece que 2023 é o ano para a Nintendo reviver clássicos de consoles passados. Após a chegada surpresa de Metroid Prime Remastered, chegou a vez do mascote rosa e comilão voltar a dar as caras em uma aventura familiar, mas diferente.
Kirby’s Return to Dream Land Deluxe é uma remasterização para Nintendo Switch do clássico Return to Dream Land de Nintendo Wii, lançado em 2011. A nova versão, no entanto, vai além e amplia o que o jogo já oferecia com uma porrada de conteúdo inédito.
Metade plataforma, metade party game
Todo o visual de Return to Dream Land está atualizado, mas de forma sutil. Não há diferenças tão gritantes do original, que já tinha estilo cartunesco, cores vibrantes e brincava com o aspecto 2.5D nos personagens e cenários.
Com isso, a remasterização apresenta traços mais limpos e aparências levemente atualizadas, mas para por aí, o que faz com que o novo jogo brilhe em outros quesitos.

Return to Dream Land Deluxe mantém o Modo História como principal conteúdo, com todas as fases originais ao estilo plataforma, em que Kirby precisa superar obstáculos, engolir inimigos para copiar seus poderes e enfrentar chefões.
No entanto, há duas habilidades inéditas: Maqui (uma mecha) e Areia. Elas se juntam aos poderes que podem ser copiados pelo mascote e dão uma mexida na jogabilidade, adicionando mais possibilidades às fases. A mecha, por exemplo, possibilita que o protagonista voe enquanto atira projéteis rapidamente, o que torna as lutas mais fáceis.
Em relação aos comandos do Kirby, o original usava os sensores de movimento do Wii, o que foi retirado na versão Deluxe para uma adaptação aos Joy-Cons do Switch – a ideia funciona, mas elimina um elemento marcante do jogo de 2011. A performance tanto na dock quanto no portátil é bem otimizada e estável, com o estilo plataforma caindo como uma luva na segunda opção. Nada como jogar algumas fases curtas e divertidas logo ao acordar, sem nem sair da cama!
A remasterização mantém o co-op de sofá para até quatro pessoas, que podem jogar como Rei Dedede, Waddle, Meta Knight ou um Kirby de outra cor. Os jogadores podem se juntar a qualquer momento, mesmo no meio da fase. Basta conectar outro controle (ou separar os Joy-Cons) e apertar um botão para começar. Não há, no entanto, opção de jogar online com outras pessoas, o que é meio decepcionante.
Uma novidade do Modo História é uma mecânica que se destaca em acessibilidade: o Magolor ajudante. Ela torna a experiência menos difícil, adicionando uma barra extra de vida e evitando que o jogador caia em buracos – algo bem útil para ampliar o público do game.

Assim como no original, terminar o Modo História não é o fim de todo o conteúdo do jogo, e a remasterização expande ainda mais essa ideia. Além do já esperado Modo Extra, que serve como o “modo difícil” da aventura, o jogador também desbloqueia o Epílogo do Magolor: fases inéditas protagonizadas por Magolor, personagem com papel importante na história principal.
As fases são no mesmo estilo plataforma, mas contam com jogabilidade levemente diferente e novas ambientações. Ao contrário de Kirby, Magolor já possui habilidades únicas e não precisar "copiar" de ninguém, o que mexe na dinâmica do gameplay. A premissa da história é ajudar o pequeno viajante interdimensional a recuperar seus poderes, com direito a algumas surpresas, mas pararemos por aqui para evitar spoilers. Os níveis com Magolor expandem a aventura principal de forma inventiva, oferecendo mais horas de diversão.
Outro modo inédito é o Parque Magolândia, que serve como uma coletânea de minigames ao estilo Mario Party. Não precisa desbloquear nada, apenas acessar e jogar partidas curtinhas contra NPCs ou amigos pelo co-op na mesma hora – o que dá uma cara alternativa de “party game” a Return to Dream Land.
Há a presença de joguinhos já conhecidos do original, como o "Dojo Ninja", mas vários são inéditos, como o viciante "Kirby Samurai". Todos ainda podem ser jogados com sensores de movimento ou comandos tradicionais.

Por fim, uma das maiores novidades da nova versão ainda é voltada para o Brasil. O jogo inteiro está localizado em português brasileiro, algo que os fãs têm pedido (e muito) para os games da Nintendo nos últimos anos.
A localização está cuidadosa e bem feita, não sendo apenas uma tradução literal, mas uma adaptação com palavras e trocadilhos que fazem mais sentido para o público brasileiro, como as fases “Campos Churros” e “Geosfera Goiabada”, o inimigo rechonchudo “Baialofo” e o minigame “Zap-Pega”. Impossível ler essas sacadas e não soltar um sorriso.
No entanto, os nomes de alguns chefes não foram traduzidos e ainda estão em inglês, destoando do cuidado do restante da localização.
Mais do que uma remasterização?
Kirby’s Return to Dream Land Deluxe resgata um clássico de Wii para uma plataforma atual, mas não sem adicionar bastante conteúdo inédito, o que aumenta consideravelmente tudo o que o jogo oferece.
Ter duas aventuras de plataforma e uma hub de minigames geram muitas horas de diversão a longo prazo, além de ser uma excelente porta de entrada para a franquia e uma revisita nostálgica e ainda nova para os fãs de longa data. Os brasileiros ainda têm o bônus de que, pela primeira vez, poderemos desfrutar a aventura do mascote comilão em português.
No fim, a remasterização imitou o que Kirby é conhecido por fazer por aí: engoliu o jogo de 2011 e se transformou em algo ainda melhor.
Esta review foi feita com uma cópia cedida pela Nintendo.
Kirby’s Return to Dream Land Deluxe será lançado no dia 24 de fevereiro para Nintendo Switch.