No ano passado, Far Cry 5 nos levou a Hope County — uma região fictícia nos EUA cheia de fanáticos religiosos e coisas pra atirar. Foi uma viagem divertida, mas longe de ser marcante. Far Cry: New Dawn agenda uma nova visita ao lugar, agora transformado em um cenário pós-apocalíptico e com mais motivos pra sair atirando por aí.
Não se engane por New Dawn chegar ao PS4, Xbox One e PC como um jogo separado, ele está mais para uma expansão de Far Cry 5 do que um capítulo à parte na série, como foi Far Cry Primal. Tanto que a história de New Dawn é uma continuação do jogo de 2018, passando-se 17 anos após o final bombástico (literalmente) dele.
No controle de uma nova personagem, precisamos ajudar os sobreviventes de Hope County, muitos deles velhos conhecidos do game anterior, enquanto enfrentamos a gangue Salteadores — liderados pelas vilãs, as irmãs gêmeas Mickey e Lou.
Por causa dessa ligação tão direta entre os jogos, quem não jogou boa parte da campanha de Far Cry 5 pode ficar um tanto perdido com a história de New Dawn. Já pra quem jogou, vai aproveitar mais o novo game, seja pra pegar as várias referências ou pra sentir a mudança de locais como Fall’s End, por exemplo, que agora está mais pra uma fortificação estilo Mad Max.

A campanha é bem mais curta do que a de Far Cry 5, claro, e dura umas boas cinco ou seis horas. Ainda bem, porque a narrativa não é o ponto forte do jogo, com personagens que tentam ter um significado e causar empatia, mas não conseguem ser mais do que meros coadjuvantes naquele mundo.
Pelo menos há algumas surpresas na segunda metade que transformam a jogabilidade de uma forma positiva, destacando elementos fantásticos e sobrenaturais que a série poderia abraçar mais.
Um apocalipse bonito de se ver
Quando o jogo foi revelado, uma das surpresas foi saber que ele seria pós-apocalíptico, afinal é um assunto batido nos videogames. Então, o que o novo Far Cry faria para se destacar? A resposta está nas cores.
Far Cry: New Dawn possui um mundo pós-apocalíptico lindamente colorido, com ruínas em tons vibrantes na vegetação cheia de flores que tomou conta da paisagem, o que causa um impacto bem legal enquanto exploramos o jogo e faz o modo de fotografia ser usado à exaustão. E o diferencia dos demais jogos com a mesma temática.
Toda a vida natural vista em New Dawn é um período após o inverno nuclear chamado de "super florescimento". De acordo com os desenvolvedores, a equipe estudou bastante o que aconteceria com o mundo após uma explosão nuclear.
Não só a flora como também a fauna foi afetada pela radiação (só não espere vacas com duas cabeças como em Fallout). Infelizmente, as alterações nos animais são mais cosméticas, com uns cervos fluorescentes aqui, bisões albinos acolá e nada muito além disso. Ainda assim, eles compõem um belo contraste junto com as plantas e demais vegetação.

Quem também ajuda a colorir o mundo são os Salteadores, que pintam toda construção e carcaça de carro abandonada no meio da estrada que encontram.
Aliás, esse mínimo traço de personalidade nos vilões foi uma das boas surpresas no jogo: Os Salteadores se vestem como corredores de motocross, adoram fazer arte em grafites coloridas por aí e ouvem hip-hop no talo. Eles vieram pra causar e, principalmente, dar à New Dawn antagonistas mais interessantes do que os seguidores sem sal de Joshep Seed de Far Cry 5.
Uma pena que as irmãs Mickey e Lou não têm tempo para se desenvolverem como personagens e decepcionam por não fugirem do clichê maluco sádico que Far Cry tanto insiste em ter como vilões.
Base próspera
A jogabilidade de Far Cry: New Dawn gira em torno de Prosperity – uma pequena comunidade formada pelos sobreviventes de região.
Em Far Cry 5, o lugar era a casa de John Seed, um dos vilões do jogo, mas agora se tornou uma espécie de base de operações do jogador. A ideia é aquela que já vimos em alguns jogos: desenvolva a base e, com isso, libere mais armas, veículos e ganhe melhorias pro personagem.

No caso da Prosperity, existem oito infraestruturas que precisam ser desenvolvidas: Bancada de Trabalho, Enfermaria, Laboratório de Explosivos, Expedições, Jardim Medicinal, Cartografia, Garagem e Campo de Treinamento. Pra desenvolver toda a base é preciso recursos que são ganhos em missões e atividades paralelas no jogo ou achados pelos cenários.
Por falar nisso, itens como fitas adesivas, cobre e engrenagens voltam a ter mais valor, o que faz sentido em um ambiente de fim do mundo e também pelo destaque maior ao crafting no jogo, com a criação de armas, veículos e itens consumíveis.
Fuga em Alcatraz - Expedições
Em relação às atividades, o destaque fica para as Expedições, uma novidade de New Dawn.
Na narrativa do jogo, as Expedições são missões fora da região de Hope County, em lugares ocupados pelos Salteadores nos EUA, que vai desde um parque de diversões abandonado nos pântanos até a Ilha de Alcatraz.
Na prática, são missões criadas pela Ubisoft usando o editor de mapas de Far Cry 5, em que o objetivo é pegar uma bolsa com recursos especiais, que é mostrada por uma fumaça rosa, e esperar um helicóptero no local indicado pra extração.

Além de poder explorar locais diferentes em cada missão e sair um pouco de Hope County, o melhor de jogar as Expedições é o gostinho de Metal Gear Solid V: Ground Zeroes que ele deixa ao final, principalmente na tensão de esperar a chegada do helicóptero para sair o mais rápido possível.
As missões de Expedição também podem ser jogadas mais de uma vez em níveis de dificuldades diferentes, que modificam o tipo de inimigos encontrados nas fases e também o local da bolsa com os recursos. Pena que as recompensas deixam um pouco a desejar.
Jogando com um amigo
Além de poder explorar locais diferentes em cada missão e sair um pouco de Hope County, o melhor das Expedições é poder jogar ao lado de uma amigo. Sim, porque o co-op online em New Dawn foi um pouco ampliado e não é mais limitado só a campanha.
O esquema continua o mesmo de Far Cry 5, em que é possível chamar alguém da sua lista de amigos para se juntar ao seu mundo e realizar diversas atividades com o personagem dele, o que deixa a experiência muito mais legal, ainda mais porque todas as melhorias ganhadas pelos personagens continuam, mesmo depois do amigo sair do co-op. Só o progresso da história que fica somente para o host.
Outra novidade em New Dawn é o sistema de níveis das bases inimigas. Funciona assim: ao tomar um posto avançado dos Salteadores é possível ocupar ou abandonar o lugar. Se escolher a última opção, os inimigos retornam, mas agora em maior número e mais fortes. No total, são três níveis de dificuldade que vão escalando cada vez que se toma a base e com recompensas melhores.

Far Cry: New Dawn é uma experiência condensada de Far Cry 5, o que é ótimo, por não possuir os excessos do jogo anterior. Talvez ele passe batido em meio a tantos bons lançamentos neste começo de ano, mas vale pela ação divertida e direta ao ponto.
Far Cry: New Dawn tem o lançamento marcado para o dia 15 de fevereiro, para PC, Xbox e PS4. Esse review foi feito com uma cópia para PS4 cedida pela Ubisoft.