Em 35 anos de história, The Legend of Zelda conseguiu se tornar uma das franquias mais relevantes não apenas da Nintendo, mas também da indústria de games como um todo.
É difícil encontrar alguém que goste de videogames e não tenha jogado ou, pelo menos, ouvido falar das aventuras de Link. E fazer com que uma série se torne tão conhecida assim não é uma tarefa fácil.
Ao longo de 19 jogos, a franquia desenvolveu e fortaleceu uma característica distinta e ousada: a arte de se reinventar, ao mesmo tempo em que sua essência é sempre mantida.
A cada novo capítulo, a lenda de Zelda se mantém, mas elementos, mecânicas e até gêneros diferentes são explorados. Entregando assim, uma experiência única toda vez.
Essa fórmula, somada à chegada de mais concorrentes e consoles cada vez mais potentes, forçava a Nintendo a pensar além do que já havia feito antes, criando até mecânicas que acabaram se tornando comuns na indústria — aparecendo e influenciando milhares de outros jogos até hoje.
O início de uma lenda
Tudo começou com o primeiro The Legend of Zelda, lançado no Japão em 1986 para Famicom Disk System e, no ano seguinte, nos Estados Unidos e Europa para NES.

Essa era uma época em que a maioria dos jogos tinha pontuação como principal objetivo, e os desenvolvedores ainda estavam tentando entender como criar uma aventura jogável com uma narrativa com começo, meio e fim.
Então a Nintendo decidiu ir além. Misturando elementos de aventura, ação e RPG — e tornando esses gêneros mais acessíveis para um público mais amplo —, o Zelda original cativava com uma narrativa simples sobre uma lenda antiga.

Mas o que realmente o fez se destacar foi a liberdade que oferecia. Por não ter uma estrutura linear que indicava a direção correta a seguir, os jogadores eram simplesmente colocados em um mapa imenso e incentivados a explorar cada canto. A liberdade era tanta, que era até possível deixar de pegar a espada no início do game.
O título ainda introduziu o recurso de poder salvar o progresso em um arquivo. Era só selecioná-lo no menu principal para continuar de onde parou. Até então, a prática mais comum era os jogos oferecerem senhas para continuar a partir de uma fase específica — ou nem mesmo isso!
A ousadia do primeiro Zelda gerou uma resposta à altura em vendas. Ele se tornou um sucesso e em um dos títulos mais vendidos do Nintendinho, enquanto dava início a uma das franquias mais poderosas da indústria.
Renovação a cada lenda
Desde então, The Legend of Zelda teve mais 18 jogos. Cada um com suas próprias histórias e particularidades que, apesar de manterem a mesma lenda, entregam experiências bem diferentes uma da outra.
A Link to the Past, referido pelos fãs e pela crítica especializada como um dos melhores títulos de SNES, aperfeiçoou a franquia com elementos que se tornaram recorrentes, como a Master Sword, a alternância entre mundos diferentes e até os famosos jarros que rendem espólios ao serem quebrados.
Então a saga foi expandida para os portáteis com Link’s Awakening para Game Boy. Com uma narrativa mais lúdica — e melancólica —, provou que as aventuras épicas dos consoles também cabiam nas mãos.
Mas foi com a transição para o universo tridimensional que a franquia chegou ao seu ápice, segundo muitos fãs.
O Nintendo 64, lançado em 1996, era o primeiro console da Nintendo que teria jogos com gráficos 3D. Ocarina of Time foi criado para testar seus limites e a criatividade da empresa japonesa, que estava vendo a PlayStation aparecer como concorrente com jogos considerados mais “maduros” pelo público. Então não pense que a possibilidade de viajar no tempo para jogar com um Link adulto, em uma pegada mais sombria, seja apenas uma coincidência.
O primeiro Zelda 3D, então, teve que se virar e repensar elementos da jogabilidade para que houvesse a mesma fluidez e imersão que os títulos 2D, o que resultou em mecânicas e ideias que se tornaram um padrão posteriormente na franquia e uma influência para outros títulos.
Um exemplo disso é a solução do “z-targeting” para solucionar um problema com o controle da câmera. Ele consiste em apertar um botão para travar a mira em um inimigo ou uma direção, resultando em um gameplay com movimentação comedida.
A decisão de esnobar o botão de pulo e mudar as funções de controle dependendo do contexto (o que refletia na interface) também foram acertos, apesar de irem contra a maré na época. Esse conjunto mostrou o uso inteligente do controle, entregando um jeito versátil e intuitivo para inserir mais diversidade ao gameplay.

Assim como o primeiro Zelda de todos, Ocarina of Time foi um sucesso estrondoso, servindo de alicerce para seus sucessores (e outras franquias até hoje), sendo considerado como um dos melhores jogos já feitos por muitos nomes renomados da indústria e até aparecendo como o título mais bem avaliado da história do Metacritic.
Depois do som da ocarina, Majora’s Mask apareceu com uma história inesperada com tom mais sombrio, sem a Princesa Zelda ou o vilão Ganondorf. O jogo brinca com o tempo, expande o universo da franquia, entrega narrativas paralelas e NPCs com cronogramas.
Após isso, Wind Waker apostou em um visual cartunesco, Twilight Princess transformou Link em um lobo e Breath of the Wild deu uma aula de como criar um mundo aberto denso, onde liberdade é o foco — resgatando a essência lá do primeiro Zeldinha.
A história de The Legend of Zelda durante 35 anos é o que torna a franquia tão relevante e especial. Todos os jogos têm semelhanças e diferenças, conseguindo surpreender a cada jornada, mas mantendo o charme de sua mitologia.
A maneira como sempre podemos rever Link e muitos outros personagens da franquia em diferentes roupagens, mundos e plataformas é cativante de maneira única, capaz de conquistar inúmeros fãs ao redor do mundo que estão sempre ansiosos pelo próximo capítulo.
Há certa magia em Zelda, que torna a experiência de acompanhar a saga ir muito além de apenas jogar. É mergulhar em suas histórias fantasiosas, bolar teorias sobre linhas do tempo, decorar todas as músicas, testar novas maneiras de jogar, reclamar dos templos da água.
O que será que as terras de Hyrule nos guardam no futuro? A verdade é que ninguém sabe… e que bom! Porque eu mal posso esperar para me surpreender de novo, assim como eu fiz desde a primeira vez que eu joguei um Zelda.