Logo do Jovem Nerd
PodcastsNotíciasVídeos
Assassin's Creed Odyssey | Review
Games

Assassin's Creed Odyssey | Review

Essa odisseia está bem longe de chegar ao fim

Bruno Izidro
Bruno Izidro
25.out.18 às 18h28
Atualizado há cerca de 1 ano
Assassin's Creed Odyssey | Review

Assassin's Creed Odyssey chegou neste mês de outubro com a missão de transformar de vez a famosa série da Ubisoft em RPG, algo que os títulos mais recentes da franquia já esboçavam. O novo jogo abraça por completo o gênero e traz tudo o que um RPG ocidental moderno tem direito: árvores de diálogo, escolhas morais, romances, evolução de atributos e habilidades de personagem.

Mas tanta mudança levanta questões: será que os assassinos se adaptaram bem ao novo gênero, e, principalmente, será que ainda podemos considerá-lo um verdadeiro Assassin's Creed?

Uma odisseia para o passado

Assassin's Creed Odyssey chega apenas um ano depois de Assassin's Creed Origins, mas sua narrativa leva o jogador para um passado ainda mais distante. O game deixa o Egito de lado e vai até a Grécia de 431 antes de Cristo, durante a Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta.

Logo no início, é preciso escolher quem será o protagonista: Kassandra ou Alexios. Ambos são descendentes do rei Leônidas (sim, o do THIS IS SPARTA!), e a trama envolve buscar respostas sobre a sua família, enquanto oferece seus serviços como mercenário aos dois lados da guerra.

Pela proximidade com o lançamento de Origins, Odyssey possui muitos aspectos em comum com o jogo de 2017, às vezes até demais. Isso fica evidente na repetição de certas estruturas do game, como a presença de acampamentos de bandidos e fortes militares para invadir, ou a volta dos inimigos especiais que te perseguem no mapa — no Origins, eram os Phylakes; agora, você deve fugir dos mercenários caçadores de recompensa. Até mesmo o uso de uma águia de estimação para marcar inimigos e objetivos está de volta.

Por sorte, Odyssey não é apenas uma mera versão repaginada e ampliada de Origins. Em pouco tempo, ele mostra a que veio e isso fica ainda mais claro com a reintrodução das mecânicas de navegação e das batalhas em alto mar, que fizeram tanta gente pirar com Assassin's Creed Black Flag.

Navegar pelo mar Egeu é um convite e tanto pra reviver os tempo do pirata Edward Kenway no Caribe, só que dessa vez nas diversas ilhas gregas. Em alguns momentos, tive a mesma sensação de explorar e descobrir de quando jogava Black Flag e isso, por si só, é uma qualidade e tanto para Odyssey.

Poder melhorar seu navio, o Adastreia, pra enfrentar e pilhar adversários mais poderosos, além de recrutar mais membros pra sua tripulação completando missões pelo mundo, são incentivos para se prender ao jogo.

Adastreia em ação

O grande mérito de Odyssey é ser essa mistura de Origins com Black Flag e combinar a melhor parte desses dois jogos. Cansou de fazer missões paralelas em Atenas ou Coríntia? É só pegar seu navio e buscar por tesouros e equipamentos melhores em naufrágios e ruínas submersas, ou então descobrir ilhas como Milos, Cós e Naxos — quem sabe o que se pode encontrar por lá...

Role Playing Assassin

Para uma franquia com mais de dez anos e lançamentos anuais por boa parte desse tempo, é normal que a Ubisoft tenha experimentado mecânicas diferentes para não deixar os jogos repetitivos. É um risco, e nem sempre dá certo: quem aí lembra do desinteressante tower defense de Assassin's Creed Revelations?

Adicionar mecânicas de RPG foi mais uma dessas tentativas. Começou de forma tímida, com a adição de habilidades especiais em um jogo aqui, evolução de personagens em outro jogo acolá... Em Odyssey, esses elementos estão muito mais destacados para fazer do jogo um RPG até que robusto, do nível em que os itens e armas equipados modificam os atributos do personagem, dando vantagens que influenciam na hora do combate, algo que já havia sido introduzido em Origins. Esse aspecto foi ampliado com os golpes especiais que podem ser adquiridos e ativados durante as lutas, e entre eles está o famoso Chute Espartano.

Aqui é Esparta, jovem!

Em relação a esse lado RPG, a grande novidade do jogo é mesmo o sistema de diálogos com escolhas, ao estilo Fallout ou Mass Effect, e as decisões com consequências na narrativa. Algumas opções mudam somente certas falas dos personagens, mas outras têm impacto maior na trama e podem até afetar qual final você verá.

É uma pena que Odyssey também tenha trazido uma das características mais chatas do gênero: o grinding – quando o jogo te obriga a ficar caçando experiência por mais tempo até atingir o nível desejado para realizar a próxima missão principal.

Em diversos momentos, eu me vi obrigado a fazer missões opcionais só para ganhar XP e alcançar o nível que a próxima atividade de história pedia. Os saltos de dificuldade nem sempre fazem muito sentido, com as missões principais sempre três ou até mesmo quatro níveis acima do seu personagem.

Escolhas que alteram o curso da narrativa

Fica a impressão de que isso acontece de propósito, principalmente por uma das microtransações de “poupa-tempo” do jogo ser justamente um ganho de experiência 50% mais rápido.

Assassin's Creed Odyssey também peca com o seu mundo aberto, que é bonito, mas não é tão vivo quanto aparenta ser, com os habitantes dos vilarejos e cidades parecendo meros bonecos para preencher espaços. Quando chove, por exemplo, todos continuam nas ruas como se fosse um dia ensolarado, ou quando há uma pessoa morta no chão, todos passam como se nada tivesse acontecido. São detalhes, é verdade, mas que ajudariam na imersão no game.

O Credo sem Assassinos

Odyssey é um Assassin’s Creed um tanto estranho e não digo isso por ele agora ser um RPG. Essa impressão é gerada porque algumas características próprias dos jogos anteriores não estão presentes, como a tradicional guerra entre os assassinos e templários. Nem mesmo esses dois grupos existiam cronologicamente, afinal, vimos o começo da Irmandade no Origins, que se passa alguns séculos depois. Os poucos momentos que se passam no presente, fora do Animus, continuando a história de Layla Hassan, nem tentam se esforçar para serem interessantes.

Ainda assim, muitos dos elementos da série continuam lá: o parkour, o Salto de Fé, assassinar alvos e, principalmente, aquela sensação de estar vivendo a história com o controle em mãos, conhecendo Sócrates, Heródoto e outras figuras históricas.

O jogo também aborda bastante a mitologia criada ao longo da série, em especial com a primeira civilização/Isu. O tema está, inclusive, na arma principal de Kassandra (ou Alexios): a lança quebrada de Leônidas, que é uma das peças do Éden.

Só que, vamos ser francos, todo esse papo de figuras divinas que deixaram artefatos mágicos pelo mundo não soa mais tão legal como quando a série começou, além de ter se tornado confuso ao ponto de muitos jogadores nem ligarem mais pra isso.

Muita gente estava torcendo o nariz por Assassin's Creed Odyssey ser lançado tão cedo assim depois do Origins — inclusive eu. O receio era de voltarmos aos traumas dos jogos anuais pouco inspirados. Felizmente, o jogo é a típica sequência maior-e-melhor que todo fã pede, com características próprias suficientes para destacá-lo. O fato do game se passar em um período como a Grécia Antiga também ajuda, e possibilita missões divertidas como enfrentar o Minotauro, a Medusa ou até mesmo competir nas Olimpíadas.

No final, a guinada de Assassin’s Creed para o RPG é uma mudança muito bem-vinda e, mais do que isso, necessária para a série continuar relevante. Ainda há alguns passos que os próximos jogos precisam tomar para se tornarem RPGs de peso, principalmente na parte de construção mundo, para torná-lo mais vivo e imersivo. Pelo visto, essa odisseia está só começando.


Esse review foi feito com uma cópia de PS4 cedida pela Ubisoft.

Assassin's Creed Odyssey foi lançado em 5 de outubro para PlayStation 4, Xbox One e PC.

Encontrou algum erro neste conteúdo?

Envie seu comentário

Veja mais

Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossas plataformas, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Para mais informações, consulte nossa Política de Privacidade.
Capa do podcast