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Rebel Moon - Parte 2 encerra épico de Snyder com mais ação e menos substância | Crítica
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Rebel Moon - Parte 2 encerra épico de Snyder com mais ação e menos substância | Crítica

A Marcadora de Cicatrizes supera o primeiro filme, mas não justifica a existência do projeto como um todo

Gabriel Avila
Gabriel Avila
19.abr.24 às 15h06
Atualizado há 12 meses
Rebel Moon - Parte 2 encerra épico de Snyder com mais ação e menos substância | Crítica
Netflix/Divulgação

Rebel Moon – Parte 1: A Menina do Fogo apresentou o novo grande projeto autoral de Zack Snyder na Netflix. Nascido de uma ideia rejeitada para a franquia Star Wars, o filme trouxe algumas das melhores e piores marcas da carreira do diretor, que se dá bem na hora de criar designs e grandes cenas de ação, mas deixa a desejar em praticamente todo o resto. Se o primeiro filme ficou aquém do próprio potencial, não surpreende que a Parte 2: A Marcadora de Cicatrizes se saia melhor que o anterior em alguns aspectos mas, ainda assim, seja insuficiente para justificar a existência do projeto como um todo.

O novo filme da saga começa logo após a conclusão do anterior. Pouco após saírem vitoriosos do primeiro confronto contra as malignas forças do Mundo-Mãe, os heróis liderados por Kora (Sofia Boutella) estão na pacata lua de Veldt. Conscientes de que o império maligno retornará para se vingar, eles decidem ficar e lutar pelo local que os abrigou.

Não é segredo que o plano inicial de Zack Snyder era que Rebel Moon fosse um filme único e gigantesco. Na divisão, a primeira parte não soube lidar com a empolgação em apresentar novos mundos, com suas paisagens, criaturas e tecnologias, e chegou ao fim sem estabelecer laços com os mocinhos em uma narrativa fragmentada. Essa base impacta diretamente a Parte 2, que desperdiça a chance de corrigir o curso onde o primeiro falhou.

A nova etapa está ancorada em um único local, diminuindo a escala narrativa e o número de personagens para abrir mais espaço para a ação. Com os protagonistas e a problemática já estabelecidos, havia meio caminho andado para fazer com que o público finalmente se conectasse com essas figuras e fizesse elas importarem no panorama geral. Porém, o roteiro escrito por Snyder em parceria com Kurt Johnstad (300) e Shay Hatten (John Wick 3) falha novamente.

Além de costurar a trama da forma mais previsível possível, o texto continua com a péssima mania de resumir os personagens a frases de efeito e flashbacks. São criadas poucas situações para que os heróis demonstrem qualquer traço de personalidade para além do arquétipo conferido a eles. Pouco sobra para o público se agarrar na hora de embarcar na história.

Essa falta de conexão se torna mais evidente conforme a narrativa passa a testá-la. Não faltam momentos que imploram para causar comoção e impacto, mas que falham por serem tão superficiais e surgirem de forma forçada ao exigir os louros de algo que não foi conquistado. Um equívoco que não é novo, mas que reforça o quanto toda a grandiloquência explosiva do projeto é incapaz de gerar um pingo de emoção ou surpresa.

Por outro lado, a Parte 2 reforça que o foco de Rebel Moon é a ação, e ao menos esse quesito traz algo novo à mistura. Em primeiro lugar, há a mudança de Veldt de um planeta pacífico para um verdadeiro campo de batalha. Uma mudança que faz jus a todo o esforço em criar boa parte desse mundo de forma prática ao colocá-lo em prol de ilustrar a escala do combate e seu grau de destruição.

Por se tratar do terreno que domina, Snyder se sente à vontade para colocar em prática algumas de suas principais assinaturas nas mais diferentes modalidades de combate. Porém, desta vez, o cineasta traz novas influências que tiram tiroteios, lutas de espada e pancadaria franca da zona de conforto, sem abandonar a identidade que o cineasta desenvolveu ao longo da carreira.

Ao trazer doses cavalares do que seu criador faz de melhor, a Parte 2 talvez seja mais satisfatória do que a primeira. Afinal de contas, a divisão em dois filmes destinou muito da ação ao segundo, e é perceptível como toda a jornada foi desenhada para culminar em alguns dos momentos que aqui estão. O resultado de toda essa preparação é a festa de explosões, tiros e duelos capazes de divertir qualquer fã do gênero.

É uma pena que mesmo os momentos em que Rebel Moon brilha acabam sendo facilmente esquecidos pela apatia gerada pela dificuldade de envolver o público. Assim, a Parte 2 chega ao fim com o mesmo gosto agridoce do primeiro filme. Juntas, as metades oferecem boas cenas de ação e o estabelecimento de um universo que pode florescer em futuras produções, mas que pouco rendeu até aqui.]

As duas partes de Rebel Moon estão disponíveis na Netflix.

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