Matrix Resurrections é a demolição do que a franquia se tornou, é uma crítica ao cinema, ao mercado e ao público.
Do jeito que trata o próprio filme e os "fãs", Lana Wachowski faz uma autossabotagem consciente. Não resta um pilar do que conhecíamos por Matrix de pé.
Não explica as mudanças nas próprias regras, coloca um lenga-lenga sci-fi enfadonho, tudo parece fazer piada com a própria existência do longa.
Tem muito saudosismo, mas não é fan service. É sobre saudar uma outra época, teoricamente quando originalidade tinha mais espaço.
Gostei, não é bom, é genial, brega. É uma mistura absurda de intenções que provocam sensações diferentes. Incomoda um monte!
O espectador pode pensar: "que coisa tosca", mas ele sente que caiu na armadilha Wachowski. E é pra você ver como você se tornou tosco também.
Ela queria que fosse assim. Que você soubesse o quanto de enlatado você consome, como o mercado despreza o público: você.
É quase um manifesto, um não-filme de ação, um romance épico clichê. Acima de tudo, é a negação e a destruição das regras da própria obra pra não haver o risco de ter um Matrix 5.