A produção de O Brutalista, cotado como um dos fortes concorrentes na temporada de premiações, confirmou que inteligência artificial foi utilizada no filme. O editor Dávid Jancsó (Fúria Primitiva) explicou o uso, focado nos diálogos do longa.
Ao Red Shark News, o Dávid Jancsó explicou que a equipe de O Brutalista utilizou inteligência artificial para corrigir a pronúncia dos diálogos em húngaro entre Adrien Brody e Felicity Jones:
“Sou um falante nativo de húngaro e sei que é uma das línguas mais difíceis para se aprender a pronunciar. Mesmo com as ligações húngaras de Adrien [filho de mãe húngara], não é tão simples. É uma língua extremamente única. Nós treinamos [Brody e Jones] e eles fizeram um trabalho fabuloso, mas também queríamos aperfeiçoar ao ponto de nem mesmo os locais perceberem qualquer diferença.”
O editor explicou que a decisão de utilizar inteligência artificial só foi tomada após diferentes tentativas de ADR, técnica comum a filmes e séries em que os atores regravam as próprias falas após a gravação das cenas:
“Primeiro, nós tentamos ADR nos elementos mais difíceis para os atores. Então tentamos o ADR com outros atores [dublando], mas simplesmente não funcionou. Então buscamos outras opções para melhorar.”
Segundo Jancsó, os atores concordaram com o uso de IA e justificou que a tecnologia foi escolhida como forma de economizar tempo para a produção:
“A maioria dos diálogos em húngaro têm uma parte de mim falando. Fomos muito cuidadosos para manter as performances deles. Foi mais para trocar letras aqui e ali. Você pode fazer por si próprio no [software] ProTools, mas tínhamos tanto diálogo em húngaro que realmente precisamos acelerar o processo, caso contrário ainda estaríamos na pós-produção.”
O Brutalista conta a história do arquiteto László Toth (Adrien Brody) que, em 1947, precisa escapar da Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial com sua esposa Erzsébet (Felicity Jones). O filme chega aos cinemas do Brasil em 20 de fevereiro.
Fonte: Red Shark News