Você já percebeu que toda vez que você vê aquele filhotinho de cachorro bem pequenininho e de olhos gigantes, você tem vontade de pegar e apertar muito? Ou quando você vê aquela criança fofinha e bochechuda, você tem vontade de pegar as bochechas delas e apertar? Você já parou pra pensar por que a gente faz isso? Por que a gente sempre quer apertar tudo que é fofinho?
Às vezes nosso cérebro faz coisas que, apesar de hoje em dia não fazer muito sentido, fazia sentido muitos e muitos anos atrás. Quando éramos ainda caçadores e vivíamos num ambiente onde corríamos risco de morte física por algum predador, o nosso cérebro aprendeu a lidar com esse ambiente no sentido de minimizar distrações: quanto mais atentos estivéssemos aos perigos do ambiente, maior a probabilidade de sobrevivermos. Filhotes são fofinhos por que isso desperta em nós uma vontade de proteger o bichinho.
No entanto, esses mesmos traços fofinhos nos deixam muito felizes (a gente sempre sorri ou fica mais feliz quando vê um filhotinho fofinho). E sentimentos (felicidade, tristeza, medo, etc.), sempre influenciam na forma como o nosso cérebro funciona e presta atenção nas coisas. Em outras palavras: se você está muito feliz, seu cérebro não vai prestar tanto atenção no que está ao seu redor. Ou seja: você pode não perceber os perigos que te cerca. Da mesma forma, se você está com muito medo, seu cérebro pode não perceber as coisas boas que têm a sua volta.
Quando ficamos muito felizes com as coisas fofinhas, o cérebro fala: "Se você ficar feliz demais, não vai prestar atenção nos perigos. Então deixa eu colocar uma pitada negativa nessa felicidade pra poder equilibrar um pouco a emoção positiva e te fazer ficar mais alerta". E é por isso que ele ativa uma sensação de querer esmagar, apertar e, às vezes, até mesmo machucar a coisa fofinha. Isso fazia muito sentido antigamente (e era o que garantia a sobrevivência das espécies fofinhas). Como hoje não temos mais as mesmas ameaças no nosso ambiente, esse tipo de comportamento parece não fazer mais sentido, mas como o nosso cérebro já está acostumado a fazer isso por milhões e milhões de anos, ele continua nos trazendo essa sensação quando vemos algo fofinho.
Essa vontade de apertar é apenas um sentimento pra equilibrar um pouco a felicidade extrema que coisas fofinhas nos trazem. Ela não é suficiente para nos fazer machucar o filhotinho ou a criancinha. É só mesmo uma forma que nosso cérebro encontrou de controlar um pouco o sentimento positivo pra que a gente preste mais atenção à nossa volta. Nosso cérebro é mesmo bem complicado, né?