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Filme de Blue Lock é uma oportunidade de gol desperdiçada | Crítica
Animes e Mangás

Filme de Blue Lock é uma oportunidade de gol desperdiçada | Crítica

Filme aposta apenas em revisitar a história da série, com uma nova abordagem

Marcellus Vinícius
Marcellus Vinícius
19.jul.24 às 09h00
Atualizado há 9 meses
Filme de Blue Lock é uma oportunidade de gol desperdiçada | Crítica
(Divulgação)

Qual é o papel de uma adaptação de uma série em anime para os cinemas? Talvez a resposta possa variar de acordo com cada caso, mas parece seguro afirmar que todo longa-metragem de um anime de sucesso busca reproduzir e expandir nas telonas os pontos fortes que cativaram os fãs dos episódios originais. Se possível, é interessante também aproveitar a oportunidade para apresentar essa fórmula de sucesso para um público totalmente novo, conquistando novos entusiastas.

O primeiro filme de Blue Lock, Episódio Nagi, que chega agora aos cinemas brasileiros, tenta cumprir essas duas tarefas de um jeito pouco usual. Enquanto outras adaptações recentes de animes de esporte - como Slam Dunk e Haikyuu!! - levaram para os cinemas partidas inéditas, o battle royale de futebol aposta em revisitar trechos da história já conhecidos, mas com uma nova abordagem.

É uma jogada ousada que poderia resultar em um golaço de placa, mas que também tem seus riscos. Para dar certo, esse roteiro precisaria de uma direção inspirada para recontar os fatos sem soar apenas redundante. E é justamente aqui que a produção ironicamente acaba pisando na bola.

Um novo ponto de vista

A primeira temporada do anime conta uma história tão inusitada que acaba se tornando viciante. O tal Blue Lock do título é um centro de treinamento de tecnologia avançada que visa desenvolver o atacante perfeito de futebol, um goleador capaz de fazer o Japão vencer uma Copa do Mundo.

O protagonista, Isagi Yoichi, é confinado nesse projeto junto com dezenas de outros estudantes promissores em uma espécie de experimento social que testa e extrapola as demandas físicas e psicológicas de um atleta de alto nível. O que temos é basicamente um battle royale de centroavantes japoneses, um conceito que é tão absurdo quanto divertido.

A ideia do filme é recontar a mesma história dos primeiros 24 episódios, mas dessa vez pela perspectiva de outro personagem: Seishiro Nagi, o gênio preguiçoso. Inicialmente um rival, ele acaba formando uma dupla de sucesso com Isagi no decorrer dos desafios do projeto Blue Lock.

Temos acesso, então, a sentimentos e pensamentos de Nagi que não foram tão aprofundados na história original, entendendo melhor como foram as primeiras experiências dele dentro dos testes, como o time inicial dele se formou e, principalmente, qual foi o impacto do surgimento de Isagi na percepção dele do esporte e de si mesmo.

As nuances de Nagi e Reo

Imagem de Blue Lock: O Filme - Episódio Nagi Dinâmica entre Nagi e Reo deveria ter mais destaque na produção (Divulgação)

A mudança no protagonismo da história também permite que o filme apresente novas camadas da relação de Nagi com o seu melhor amigo, Reo. Os dois entram juntos no Blue Lock com motivações próprias e são, de formas diferentes, bastante impactados pela experiência. As expectativas que cada um nutre em relação ao futebol - e à própria amizade - vai se transformando com os aprendizados e desafios do treinamento, o que acaba criando crises e conflitos inesperados.

Os melhores momentos do filme estão justamente nessa dinâmica entre Nagi e Reo. Embora seja uma amizade muito afetuosa, ela também pode se tornar instável e explosiva quando colocada à prova. Surge daí um princípio de reflexão sobre como as nossas relações são moldadas não apenas pelas coisas que fazemos e dizemos, mas também por tudo aquilo que guardamos para nós, pelas coisas não ditas que ficam pelo caminho.

É uma outra face dos temas de superação e reinvenção de si que viraram a marca de Blue Lock no decorrer da trajetória de Isagi. Na busca pela perfeição dentro das maluquices do centro de treinamento os personagens realmente conseguem se aprimorar e se aproximar dos seus sonhos, mas não sem sacrifícios.

Repetição desnecessária

O filme seria um excelente estudo de personagem se focasse mais nessa dinâmica e menos em recontar eventos e jogos que já haviam sido mostrados ao longo da primeira temporada. Algumas cenas, inclusive, são reprisadas sem nenhuma alteração, nem mesmo um tratamento mais caprichado na animação, o que é comum para o valor de produção dessas adaptações.

Essa falta de foco prejudica muito o ritmo da narrativa que, na maior parte do tempo, parece mais uma recapitulação dos fatos mais importantes do que realmente um mergulho no personagem do Nagi. O que faz pouquíssimo sentido se pensarmos que o filme é um complemento do anime, ou seja, é indicado para pessoas que já estão familiarizadas com os eventos da primeira temporada.

O resultado é um longa que parece corrido e descontextualizado para quem não teve nenhum contato prévio com Blue Lock, e redundante para quem assistiu os 24 episódios já lançados. Não funciona como um bom resumo e ainda acaba prejudicando a história original que pretende contar. O Episódio Nagi é apenas uma pequena amostra do que a série pode oferecer, o que é decepcionante se pensarmos na oportunidade que foi desperdiçada.

Existem acertos, sem dúvida, e dá para perceber onde está o real potencial do projeto, mas é difícil não pensar nesse filme como uma propaganda de luxo para a segunda temporada do anime. O sentimento final é de sair dos cinemas com a frustração de um grito de gol que ficou entalado na garganta.

Blue Lock: O Filme - Episódio Nagi está em cartaz nos cinemas.

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