Lembre de mim, hoje eu tenho que partir
Lembre de mim, se esforce pra sorrir
Existem filmes que conseguem fazer com que você se sinta mais leve depois de assisti-los. Viva – A Vida é uma Festa é um deles: traz uma sensibilidade única para tratar de temas complexos como morte, de uma maneira que não subestima os espectadores e, ao mesmo tempo, não assusta os mais jovens que não têm tanta experiência em lidar com perdas.
A trama em si segue uma estrutura que já vimos outras vezes: Miguel, o jovem protagonista, é um músico talentoso que é impedido por sua família de seguir seus sonhos, de maneira similar a Remy, de Ratatouille, ou Moana, de Moana: Um Mar de Aventuras. Só de saber a premissa ou ver o trailer, é possível prever alguns acontecimentos, embora algumas surpresas tenham sido guardadas para o final. Entretanto, o ritmo é tão fluido e a maneira de contar histórias da Pixar é tão mágica que é impossível não se deixar encantar.
O longa usa memórias como uma ponte que une o mundo dos mortos com o nosso. Os que estão do outro lado só podem fazer a travessia e visitar os vivos no Dia de Los Muertos enquanto são lembrados por seus entes queridos. Essas lembranças são quase como uma moeda, de maneira que quem é mais celebrado no nosso mundo desfruta de luxo e riqueza, enquanto quem está perto de ser esquecido tenta se virar em barracos e palafitas.
Os locais representados no longa são muito detalhados e na pequena cidade mexicana, na qual a trama se inicia, é quase possível sentir o cheiro das flores colocadas nos altares e túmulos, em homenagem aos parentes que partiram. Já na terra dos mortos, a sensação de mergulhar naquele universo é ainda mais intensa, com uma explosão de cores neon e músicas alegres que transportam o espectador imediatamente para um mundo vibrante que difere completamente de qualquer caracterização de pós-vida que conhecemos.
Aliás, as canções merecem uma menção especial. Além de serem excelentes composições, elas foram muito bem adaptadas para português e a dublagem conseguiu capturar a essência da mensagem e da empolgação original. Embora uma ou duas faixas da trilha estejam um pouco melhores em inglês ou espanhol, é possível ver o filme totalmente dublado e sair bem satisfeito do cinema.
Viva – A Vida é uma Festa é um dos filmes mais visualmente impressionantes da Pixar e talvez de todas as animações em computação gráfica já feitas. Você se sente no meio da multidão que povoa as diferentes regiões da cidade, entende como cada uma delas funciona e imagina que suas pessoas amadas que partiram estão se divertindo por lá, já que você se lembra delas com carinho.
O envolvimento é tamanho que quando os momentos mais emotivos do filme chegam, as lágrimas que surgem na plateia não parecem simplesmente um golpe barato dos roteiristas: elas são naturais, como a vida ou a morte. Leve sua caixa de lencinhos de papel para o cinema e não tenha medo de entrar nessa barca.
Lembre de mim...
Viva – A Vida é uma Festa estreia em 4 de janeiro de 2018 nos cinemas brasileiros.