The Quarry | Review

Com clichês, breguices e sistema parrudo de escolhas, The Quarry é um jogo feito para fãs de terror trash

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
The Quarry | Review

Com aquela clássica história de jovens que vão se divertir em um acampamento de verão e tudo acaba dando errado, The Quarry é um jogo de terror com foco em narrativa, que entrega uma experiência única. Seja para bem ou mal.

O título foi desenvolvido pelo estúdio Supermassive Games, que é conhecido por criar games do mesmo estilo, como o aclamado Until Dawn e a saga antológica The Dark Pictures. Com tanta experiência, as expectativas eram de que o jogo da vez aperfeiçoasse a fórmula, o que aconteceu de certa maneira.

Uma noite alucinante (e brega!)

The Quarry conta com oito personagens jogáveis ao todo, o que significa que você acompanha a narrativa sob diferentes pontos de vista. A história ainda conta com um sistema parrudo de escolhas, em que decisões precisam ser tomadas a todo momento.

É preciso escolher falas e ações que causam consequências tanto pequenas quanto grandes no rumo da trama, podendo ser imediatas ou a longo prazo. Além disso, a exploração dos cenários rende itens importantes que podem ser úteis posteriormente ou oferecem premonições.

Essa combinação faz com que The Quarry realmente tenha muitos caminhos para o desenrolar da história, uma vez que conta com mais de 180 finais diferentes.

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Uma das “QTEs” é uma mecânica de segurar a respiração em momentos de perigo

A jogabilidade é simples e extremamente limitada, mas de forma proposital para estabelecer o grande foco em narrativa. O título conta com muitas cutscenes e usa “QTEs” (comandos rápidos) para inserir momentos de interatividade nas cenas.

Enquanto a movimentação dos personagens consiste em uma mistura de estilos de gameplay, revezando entre controles de tanque e câmera em terceira pessoa. E, sim, o resultado é tão confuso quanto a própria descrição. Quando os estilos se alternam, o personagem fica desfocado e a câmera aproxima automaticamente, o que prejudica a visão do jogador.

Por fim, há um pouco de combate, que também esbanja simplicidade e é basicamente só apontar e atirar com uma escopeta em momentos específicos.

A ideia de manter a jogabilidade simples conversa com a proposta do game, já que quer atrair um público que não está familiarizado com videogames. No entanto, nenhum comando é realmente desafiador, o que remove parte da tensão. Os QTEs, por exemplo, consistem apenas no uso de um analógico e um botão na trama inteira. E não há opção ou uma maneira para aumentar a dificuldade. Acaba sendo muito mais fácil os personagens morrerem por uma escolha de diálogo do que no gameplay.

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Em muitos momentos, me vi perdida ao tentar explorar os cenários por causa do desfoque (e da quase vida própria) da câmera

A história de terror oferece todos os furos, clichês e breguices que um fã do gênero tem direito. Mas a parte curiosa é que isso não acaba sendo um ponto negativo. Apesar de ter um início lento, a trama de The Quarry é dividida em arcos envolventes e apresenta bizarrices, personagens de inteligência duvidosa, elementos sobrenaturais e, claro, uma pitada de humor ácido. E tudo funciona! Em certos momentos, eu estava até pensando em teorias sobre todo o mistério da narrativa, por mais que tudo soasse como maluquice.

O jogo também consegue fazer com que você sinta um peso ao deixar um dos personagens morrer. Apesar de não chegar a realmente se importar com eles, é triste perder um par de olhos que mostrava um ponto de vista diferente na história.

Em relação ao visual, The Quarry esbanja cenários escuros com uma paleta de cores pálidas, em que apenas o sangue é destacado para causar choque. Há momentos em que os gráficos estão muito realistas e belos, no entanto, não se pode dizer que a qualidade se mantém o jogo inteiro. Há cenas e detalhes estéticos que estão mal polidos, como a água que tem um aspecto “duro” e sem nenhuma movimentação.

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Os tutoriais do jogo são vídeos com muito humor ácido, que com certeza me farão ir direto para o inferno por ter dado risada

The Quarry ainda oferece três modos diferentes de jogo. O primeiro é para apenas um jogador, enquanto o segundo é cooperativo local, em que é possível jogar com até oito jogadores revezando o mesmo controle. Não há opções online no momento, mas elas serão adicionadas em uma atualização no futuro. Por fim, há o “modo filme” que, como o próprio nome indica, o jogador apenas assiste à história.

A experiência de jogar com mais pessoas deixa tudo mais divertido e empolgante. Afinal, mais cabeças pensantes resultam em escolhas bem diferentes ao longo da trama, além das risadas também acontecerem com mais frequência com companhia.

O jogo conta com legendas e dublagem em português, que acompanham o tom da narrativa e adotam gírias e expressões mais conhecidas entre os brasileiros.

Um “jogo B” no melhor sentido

Sim, The Quarry não é perfeito. Longe disso. Mas existe um charme único no jogo, que é quase impossível não cativar os fãs de terror trash, como aquela que está escrevendo este texto.

Eu zerei o game com um sorriso no rosto, mesmo tendo lamentavelmente perdido sete dos meus oito personagens (ops!). Apesar da minha história ter tomado rumos trágicos e sangrentos, que poderiam ter sido melhores com outras escolhas, essa foi a minha experiência e estou satisfeita com ela. Mas nada impede aquele jogador que quiser um desfecho mais feliz de jogar mais uma vez — não podemos esquecer que há mais de uma centena de finais.

Se você é fã de filmes B de terror, como The Evil Dead e Sexta-Feira 13, não pode deixar de dar uma passada em The Quarry.


Este review foi feito com uma cópia cedida pela Supermassive Games.

The Quarry está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC.

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