Resident Evil 3 | Review

Resident Evil 3 moderniza o clássico, mas não consegue manter um bom equilíbrio entre ação e terror e acaba tendo altos e baixos

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Resident Evil 3 | Review

Os fãs de Resident Evil podem discordar em muitas coisas, como qual é o melhor jogo ou qual personagem é o mais assustador, mas todos concordam que a discussão de “terror versus ação” é mais polêmica do que qualquer vírus que a Umbrella Corporation pode ter criado.

Os mais saudosistas — eu, inclusa — defendem o retorno ao passado da franquia, em que o foco era um survival horror mais voltado para o terror, com escassez de munição e estratégias diferentes para superar inimigos mais fortes. Já a ação é praticamente o oposto disso, contando com muito embate direto com zumbis.

O remake de Resident Evil 3 tenta ser uma mistura entre os dois estilos de jogabilidade e, em boa parte do tempo, até consegue. Mas há sequências em que a ação se sobressai, fazendo o jogo oscilar entre altos e baixos. Essas mudanças de tom ainda são regidas pelo Nêmesis, o grande atrativo do título — mas logo voltaremos a isso.

Como a ação afeta o gameplay

De modo geral, a jogabilidade segue os moldes do remake de Resident Evil 2, mas conta com pequenos diferenciais. A protagonista Jill Valentine, por exemplo, é mais ágil que os personagens do jogo anterior e pode usar uma esquiva especial que, quando feita no momento exato, desacelera o tempo e permite um rápido contra-ataque.

Já os cenários de exploração são propícios a um gameplay mais dinâmico e focado em combate, uma vez que eles são pequenos, estreitos e cheios de munição, sendo difícil evitar os inimigos — ou até mesmo de apelar para a tática de atirar nos joelhos dos zumbis para deixá-los mais lentos –, não restando outra opção além de matá-los.

Só que isso não quer dizer que não há nada de terror. As ambientações são escuras, a trilha sonora preza os ruídos “naturais” dos monstros e há bons sustos ao explorar becos ou corredores vazios. Um combo perfeito para deixar a exploração bem tensa.

O visual, que conta com todo o cuidado do motor gráfico da RE Engine, é impressionante e cheio de detalhes, não tendo muita diferença entre imagens de gameplay e de cutscenes. Os zumbis despedaçam exatamente onde eles são atingidos e até a fumaça no cano da arma de Jill é perceptível a cada disparo.

Assim como no original, o mercenário Carlos é um personagem jogável em certos momentos e forma uma bela dupla com Jill, sendo divertido alternar entre os dois personagens justamente por terem jogabilidades diferentes. Ele é mais lento, tem um inventário próprio e usa armas diferentes da agente da S.T.A.R.S.

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Carlos é responsável pelos momentos nostálgicos, como explorar parte da delegacia de RE2!

Tudo isso faz parte do gameplay básico do jogo que está presente do início ao fim, só que é afetado pelas diferentes fases de mutação do Nêmesis que, por ironia do destino, é responsável pelo melhor e pior momento do jogo.

Um Tirano complicado e perfeitinho

As duas primeiras fases do Nêmesis são as que colocam o jogo de cabeça para baixo, tanto de forma positiva quanto negativa.

A Fase 1 é a perseguição, que é basicamente o Mr. X de RE2, só que pior — no melhor sentido possível. Sem medir esforços para perseguir Jill por todo canto, ele corre, grita, soca, salta nas paredes para pegar impulso (!!!) e até infecta zumbis para causarem mais dano.

Apesar de parecer quase impossível de escapar dele, a dificuldade é bem equilibrada, não sendo tão difícil — isso se o jogador conseguir manter a calma mesmo ouvindo os passos pesados do grandalhão. Ainda é possível atordoá-lo para ganhar espólios e alguns minutos de paz, só que isso é bem mais fácil do que era no original.

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Os pontos fracos do Nêmesis são geradores de energia e granadas. Use e abuse delas!

O grande problema é que os momentos de perseguição, que são o ápice do jogo, não duram muito e são quebrados pela Fase 2, que entrega uma luta obrigatória cíclica e confusa, que força o jogador a pensar em uma estratégia sem sentido. Isso quebra o clima de survival horror que estava sendo construído até então, se tornando um excesso de ação que não condiz com a qualidade do resto do jogo.

Uma experiência que poderia ter sido algo a mais

O remake de Resident Evil 3 cumpre o objetivo de modernizar o clássico de 1999, “traduzindo” muito bem as mecânicas e as ambientações em um jogo atual, que pode até mesmo alcançar um público que desconhece o original.

O título ainda dá um pequeno passo a mais ao adicionar conteúdo inédito e reformar vários trechos da narrativa, incluindo refazer toda a introdução, que agora conta até com uma sequência em primeira pessoa. Só que tantas mudanças renderam um jogo curto, que pode até ser finalizado em apenas 4 ou 5 horas.

RE3 acaba sendo um jogo satisfatório que entrega uma experiência que diverte e entretém, mas que também parece desperdiçar o potencial que tinha em ser um jogo de terror excepcional — principalmente por conta do Nêmesis. No fim, a sensação que fica é de que faltou algo para que o remake merecesse a expectativa que os fãs criaram para ele.