One Punch Man: A Hero Nobody Knows | Review

Seria ótimo se Saitama vencesse nosso desânimo com o jogo apenas com um soco também

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
One Punch Man: A Hero Nobody Knows | Review

One Punch Man: A Hero Nobody Knows chega como aquela opção descartável dos jogos caça-níqueis baseados em franquias famosas. Desta vez, inspirado no anime de 2015 que conta a história de um herói que treinou tanto que ficou careca, mas adquiriu a força necessária para vencer qualquer inimigo com apenas um soco.

Desenvolvido pela Spike Chunsoft, o título parece entregar os mesmos pontos positivos e sofre dos exatos mesmos problemas dos demais jogos da desenvolvedora. Do lado bom, temos referências à obra original, dubladores da série (em japonês e inglês, somente), abertura inédita cantada pelo Jam Project e um bom conteúdo para personalização. No entanto, o combate insosso, as animações simplistas, os carregamentos demorados e a campanha para um jogador super arrastada não convencem nem mesmo o maior fã da obra de One e Yusuke Murata.

Story Mode desgastado

Foram poucas as vezes que a Spike Chunsoft conseguiu alguma coisa diferente e que agradasse o fã da jogatina para um jogador, o famoso single player mode. O barquinho navegando pelos mundos da Shonen Jump em J-Stars Victory VS funcionou até certo ponto, assim como a história em episódios apresentada de forma mais direta em One Piece: Burning Blood. Em Jump Force as coisas já se arrastaram consideravelmente, com aquele monte de missões paralelas e um lobby online que reunia todos os jogadores num só lugar para a busca de missões, da mesma forma que acontecia em Dragon Ball Xenoverse (apesar de esse último não ser da mesma desenvolvedora).

One Punch Man: A Hero Nobody Knows segue o caminho exato que deveria evitar. Colocando o jogador num ambiente online, ele se constrói exatamente como aconteceu em Jump Force, inclusive, dá a chance do jogador criar seu próprio herói dentro desse mundo e interagir com personalidades como Amai Mask, Mumen Rider, Puri-Puri Prisioner, o ciborgue Genos e nosso carequinha preferido, Saitama.

E, daquele jeitinho que todo jogo nesse estilo parece fazer, apesar de interagir com o mundo inteiro do game, o seu personagem é mudo e sem carisma algum. O pouco espaço para criar uma personalidade que possa se assemelhar à do jogador se dá em respostas especiais a certos diálogos que podem ser escolhidas entre duas opções bem engessadas.

O objetivo principal do game é ingressar na Associação de Heróis e subir da categoria base “C” até a “S”, representada pela nata dos heróis daquele mundo. Para isso é preciso realizar uma infinidade de missões bastante repetitivas. Elas podem ser adquiridas no balcão da Associação de Heróis ou conversando com NPCs espalhados pelos distritos da cidade.

Experiência e evolução

Se você gosta de se ocupar com tarefas com o único intuito de ganhar XP para o personagem, One Punch Man: A Hero Nobody Knows é o seu tipo de jogo. Seu avatar dentro do game precisa ganhar experiência para evoluir seus atributos, assim como qualquer RPG. Conforme você avança na história, novas builds aparecem para você usar. É uma forma inteligente de colocar todo o elenco do jogo utilizável de alguma maneira, já que durante a campanha todos são obrigados a utilizarem seus avatares como bonecos principais.

Cada vez que interagimos com um personagem oficial da história, automaticamente a build dele é disponibilizada no menu de edição do jogador. Cada um desses estilos de luta possui sua própria evolução e é preciso alcançar o nível 5 para destravar todas as opções de personalização de golpes.

No caso de cada um dos golpes especiais, aqueles que podem ser inseridos no menu de habilidade, eles são destravados como recompensas de certas missões ou durante o desenrolar da história. Ao todo são quatro habilidades especiais por build e um ataque secreto daqueles que causam danos colossais.

Até mesmo os itens de personalização precisam ser destravados na campanha. Começamos com pouquíssimas opções, mas aos poucos podemos comprar mais itens com a grana adquirida na campanha, em lojas específicas no distrito do shopping. Tipos de rosto, roupas, cabelos e acessórios, sempre inspirados em personagens que já existem dentro do universo de One Punch Man são destravados à conta gotas durante a campanha, incitando o jogador a consultar as lojinhas sempre que novos itens são disponibilizados.

Uma das coisas mais legais de One Punch Man em outras mídias é a variedade de heróis e vilões que são criados para entreter leitores e espectadores. O jogo tenta emular essa variedade, não replicando 100% o que é visto no mangá, mas sim utilizando a ferramenta de personalização para criar algumas aberrações. Apesar de nobre, a ideia funcionaria melhor se esse gerador aleatório de personagens se dedicasse um pouquinho mais na construção do visual dos novos inimigos.

Lutinhas de sofá

A campanha de One Punch Man: A Hero Nobody Knows também serve para destravar os personagens do game para combates entre jogadores locais ou online. Ao todo são 27 personagens selecionáveis, todos derivados da primeira saga do anime.

O combate apresenta uma mecânica inédita chamada Hero Arrival (Chegada do Herói, em tradução literal), que tenta equilibrar as partidas ao mesmo tempo que mantém a trama funcionando como na obra original.

Acontece que no mangá e no anime de One Punch Man, nosso herói Saitama resolve tudo com apenas um soco. E isso funciona de forma idêntica dentro do jogo. Ele vence praticamente todos os seus adversários (com a exceção de uma luta contra ele mesmo) com apenas um golpe, não importa qual. E como equilibrar um combate entre jogadores com essa mecânica? Simples, tirando — momentaneamente — Saitama da equação.

Os jogadores que escolherem Saitama terão que sobreviver sozinhos por um tempo até que ele chegue ao local do combate. Por se tratar de embates entre três personagens por vez, o time de Saitama fica desfalcado até que ele apareça para o confronto.

Existem maneiras para acelerar o relógio que marca o tempo de chegada mas, se o adversário vencer os dois bonecos da luta antes do Saitama chegar, é game over na lata, sem choradeira.

No modo campanha, o Hero Arrival funciona de forma aleatória. Na maioria das missões com pouca relevância para a história, quase sempre o herói que vem ao seu auxílio é o avatar de algum outro jogador que é retirado do banco de dados e posto à sua disposição. Nas lutas especiais, heróis conhecidos podem vir ao seu auxílio, mas tudo depende do grau de afinidade que você tem com cada um deles.

Para isso existe um Registro de Heróis, que é atualizado sempre que você interage com um deles. Quanto maior a sua afinidade, maior a chance dele aparecer para lhe ajudar em alguma batalha específica. Na campanha, cada herói é representado com o seu verdadeiro nível de poder, então, Genos, Metal Bat e a baixinha Tatsumaki fazem parte do panteão das ajudas mais que bem vindas por serem considerados os heróis mais fortes desse universo.

Saitama é o único personagem que tem tudo ao seu favor em qualquer situação, seja na campanha ou no embate entre jogadores.

O game também conta com partidas online divididas em categorias especiais: utilizando seu avatar treinado e evoluído, ou com os personagens originais do game, mantendo o balanceamento original. Nas batalhas locais o jogador pode definir algumas regras, como por exemplo, proibir ou não a utilização de Saitama.

One Punch Man: A Hero Nobody Knows faz parte do nicho dos descartáveis da vez. Infelizmente não teve o esmero de outros jogos da própria empresa, e consegue ser pior ainda do que tudo que foi visto em Jump Force, falando exclusivamente de gameplay. Mesmo o jogador casual, que quase sempre é pensado na equação como alguém que “não se importa com essas coisas”, vai notar os quase cinco segundos de tempo perdido no chão, sem possibilidade alguma de levantar de alguma forma diferente que não seja a postura neutra, por exemplo. Definitivamente um exemplo a não ser seguido nos próximos jogos.