Quem foi J.R.R. Tolkien, o criador de O Senhor dos Anéis

Autor entrou para a história da literatura moderna, e tudo começou com a criação de novos idiomas

Camila Sousa Publicado por Camila Sousa
Quem foi J.R.R. Tolkien, o criador de O Senhor dos Anéis

É quase impossível ser fã de O Senhor dos Anéis e não ter algum nível de admiração por J.R.R. Tolkien, criador do universo fantástico da Terra-média. Professor universitário e filólogo (estudioso de linguagens), Tolkien teve várias influências para a criação de sua mitologia, desde a participação em guerras, até a paixão por estudar idiomas.

Nascido em 3 de janeiro de 1892 (há 130 anos), John Ronald Reuel Tolkien era filho de Mabel e Arthur Tolkien. Ele nasceu em Bloemfontein, na África do Sul, local em que seu pai trabalhava como banqueiro. Segundo relatos, Tolkien tinha poucas memórias de sua primeira infância no local, mas é possível que tenha colocado algumas delas em suas obras. Quando o pai morreu, Mabel levou o jovem e seu irmão, Hilary Arthur Reuel Tolkien, de volta para a Inglaterra, onde passaram a morar em definitivo.

A segunda infância de Ronald (como era conhecido pela família) teve um papel importante para a criação do Condado. Ao voltar para a Inglaterra, a família passou a viver em Midlands Ocidentais, se dividindo entre o bairro tranquilo de Sarehole, e a agitação da cidade grande de Birmingham. Segundo a biografia escrita por Humphrey Carpenter, Tolkien não gostava da correria da cidade, e ficou particularmente chateado quando precisou sair do interior para estudar na King Edward’s School. Em suas cartas e anotações, Sarehole sempre permaneceu como a lembrança feliz de um lugar tranquilo – assim como a terra dos hobbits.

Imagem de Sarehole
Sarehole: inspiração para o Condado

Outros fatores deste momento da vida contribuíram para que Tolkien se tornasse um grande contador de histórias. Sua mãe, Mabel, gostava de ler contos de fadas para os filhos e fazia isso em outros idiomas além do inglês, como grego e latim. Desde então, o jovem teve interesse em entender outros dialetos, tanto antigos, quanto modernos.

Antes de ficar doente e morrer de diabetes, a mãe de Tolkien deixou a Igreja Anglicana e se tornou católica. Além de uma mudança de crença, isso impactou a realidade financeira da família, já que Mabel deixou de receber suporte de seus parentes, que não concordavam com sua nova fé. Sua morte fez o jovem Tolkien enxergar tudo isso como um grande sacrifício, e ele próprio se tornou um católico fervoroso, posição que manteve até o final da vida.

Guerras, idiomas e amor

Órfãos, os irmãos foram cuidados por um padre chamado Francis Morgan, que o jovem passou a considerar como um segundo pai. Nessa época, Tolkien já tinha um estudo avançado ao se tratar de idiomas, incluindo o finlandês, que serviu de base para a criação do dialeto quenya, e o galês, utilizado para a criação do sindarin. Muito antes de imaginar hobbits vivendo em pequenas tocas no Condado, Tolkien já estava criando idiomas próprios, ao redor dos quais a mitologia do Anel seria criada.

Tolkien ao lado de Edith, o amor de sua vida

Em 1916, mesmo ano em que se casou com Edith Bratt, John Ronald Reuel Tolkien foi convocado a lutar na Primeira Guerra Mundial, outro ponto que aparece em suas obras. Antes de ter a “febre das trincheiras” e ser mandado de volta para casa, o jovem estudioso participou de batalhas, como a de Somme, e viu a morte de grandes amigos. Já nesta época, Tolkien começou a escrever sobre a tristeza e os horrores que tinha presenciado, mas de forma lúdica, quase como uma homenagem aos companheiros. Esses escritos foram o começo de The Book of Lost Tales, que serviu de base para a criação de O Silmarillion.

Já vivendo na Inglaterra e com dois filhos, Tolkien era professor e um respeitado filólogo, época em que passou a fazer parte de outras sociedades de estudos, como The Coalbiters e The Inklings, ambas com a participação de C.S Lewis, criador de As Crônicas de Nárnia. Os dois desenvolveram uma grande amizade, que tinha também muitas trocas em relação ao trabalho: Lewis ouviu as primeiras ideias do que se tornaria O Senhor dos Anéis, enquanto o professor não era muito fã do universo de Nárnia.

Segundo a Tolkien Society, Tolkien tinha uma vida muito tranquila nessa época – da forma que ele gostava. Seu casamento com Edith, sua companheira e inspiração para o amor entre Beren e Lúthien, ia muito bem, e eles tiveram a filha mais nova, Priscilla Anne Reuel Tolkien, atualmente com 92 anos.

Foi durante a rotina de professor que Tolkien pensou em um hobbit. Ao ver uma página em branco deixada por um aluno, ele teve um impulso e escreveu a seguinte frase: Numa toca no chão vivia um hobbit. A partir daí, seus primeiros escritos sobre essa história foram parar na editora Allen & Unwin (que depois se tornou a Harper Collins), que pediu para ele finalizar o livro. A primeira edição de O Hobbit foi publicada em 1937, dando origem ao universo conhecido pelos fãs, que ganhará uma nova adaptação este ano no Amazon Prime Video.

Imagem da série de O Senhor dos Anéis no Amazon Prime Video
Primeira imagem da série de O Senhor dos Anéis no Amazon Prime Video

Como todo bom autor, J.R.R. Tolkien colocou suas experiências de vida em suas obras, mas teve a sensibilidade de fazer tudo isso pela lente de um mundo fantástico. O resultado é uma série literária que conquistou gerações, com personagens marcantes e ensinamentos que seguem muito atuais, como o diálogo abaixo:

Frodo: “Eu queria que o Anel nunca tivesse vindo a mim. Queria que nada disso tivesse acontecido.”

Gandalf: “Assim como todos que vivem para ver tempos assim, mas não cabe a eles decidir. Temos de decidir apenas o que fazer com o tempo que nos é dado.”

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