Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa | Crítica

Herói chega ao seu melhor filme no MCU celebrando legado em aventura épica e cheia de nostalgia

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa | Crítica

A chegada de um novo filme do Homem-Aranha aos cinemas é sempre um evento. Desde a estreia do herói nas telonas em 2002, passando pelo reboot de 2012, até a aguardada chegada ao MCU e o inesperado sucesso do Aranhaverso animado, cada nova aventura se tornou assunto dentro e fora do universo nerd. Consciente da importância que o Teioso conquistou nesses quase 20 anos, Sony e Marvel Studios tomaram o caminho da nostalgia e tornaram Sem Volta Para Casa uma grande celebração deste legado sem abandonar a atual jornada do Amigão da Vizinhança.

A maior prova disso está nos minutos iniciais da produção, que começa exatamente de onde Homem-Aranha: Longe de Casa (2019) havia parado. Com o tom aventuresco e quase descompromissado característico dos dois filmes anteriores, a história não demora para dar ao jovem um gostinho das consequências de ser tratado como inimigo público pela população. Por isso, ele recorre ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) em busca de ajuda. Na melhor das intenções o mago presta auxílio ao rapaz, que acaba atrapalhando o feitiço ao ponto de abrir frestas no tão falado multiverso.

Aos poucos, Sem Volta Para Casa abandona a simplicidade que vêm sendo a marca registrada do Homem-Aranha no MCU e começa a adicionar seriedade de uma forma gradativa, porém eficiente. Mais do que renegar o que fizeram em De Volta ao Lar (2017) e Longe de Casa, os roteiristas Chris McKenna e Erik Sommers promovem uma evolução mais do que bem-vinda para o herói e aqueles ao seu redor. Isso contribui também para dar à aventura o tom épico que ela merece.

Sabendo do peso de cada personagem envolvido, sejam os que já habitam este universo, como a Tia May (Marisa Tomei) e os inseparáveis Ned Leeds (Jacob Batalon) e MJ (Zendaya), ou os vilões que retornam, o texto encontra espaço para lidar com cada um de maneira mais do que satisfatória. Com tanta gente envolvida, a história correu o risco de se tornar uma bagunça, mas esse problema foi contornado com um equilíbrio poucas vezes visto nas produções da Marvel.

O roteiro se esforça para dar momentos a cada um desses personagens e a direção de Jon Watts aproveita a deixa para traduzir isso em momentos memoráveis. Cheio de reverência ao que Sam Raimi e Marc Webb fizeram nos filmes do Aranha pré-MCU, o diretor chega ao seu melhor trabalho a frente do herói ao sair da zona de conforto e aproveitar as possibilidades criadas pela presença de tantos personagens icônicos. As cenas de ação são cheias de energia e realmente empolgantes, com um brilho que há muito escapava do Teioso neste universo.

Com um texto que amarra rapidamente quem são os visitantes de outros universos para eventuais espectadores que não tenham assistido às aventuras anteriores do Teioso nas telonas, Sem Volta Para Casa tem o caminho livre para dar a eles espaço para brilhar. Com uma função tão simples quanto funcional na trama, eles dominam o palco e aproveitam cada minuto — com direito a diálogos que funcionam quase como piadas internas com os fãs que trazem a nostalgia sem soar gratuitas.

Assim, o reencontro com essas figuras que adicionaram tanto ao legado do Aranha no cinema se torna marcante e coloca os holofotes em um elenco afiado que constantemente realça a entrega de Tom Holland como o centro dessa teia que alcança diferentes universos. Aliás, o carisma dos atores até segura alguns pontos em que o roteiro força a barra, e que, infelizmente, não são poucos.

Não é preciso uma reflexão muito longa para lembrar de algum destes ou encontrar furos de roteiro que não passam despercebidos. Porém, cada um desses deslizes vem envelopado em diversas camadas e um crescendo que facilitam a suspensão da descrença. Em certa medida há pouco esforço para esconder tais falhas, como se a produção buscasse o perdão do público ao investir em outro tipo de recompensas.

Consciente da responsabilidade que têm em mãos, Sem Volta Para Casa chega ao fim como uma adaptação de quadrinhos que não tem medo de abraçar aspectos mais fantasiosos e até cafonas vez ou outra. E faz isso com orgulho, porque abandona a preocupação de parecer descolado ou moderno.

Chega a ser curioso que o Marvel Studios, que costuma encher suas produções de pistas para o futuro, tenha decidido olhar para trás no caso do Homem-Aranha. Após colocar Peter Parker debaixo das asas de várias figuras de seu universo, o estúdio parece finalmente ter a coragem de emancipá-lo, e o faz celebrando uma história construída ao longo de nove filmes, dezenas de desenhos animados e milhares de revistas. E assim, o Amigão da Vizinhança volta a provar que estará em casa sempre que quiser voltar para uma nova aventura.


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