Como a Riot Games investiu em tecnologias para minimizar influências externas em Valorant

Desde anti-cheat até infraestrutura de rede; confira os requisitos mínimos

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Como a Riot Games investiu em tecnologias para minimizar influências externas em Valorant

Logo no vídeo de anúncio, ficou bem claro que Valorant — o então Project A da Riot Games — pretendia conquistar os jogadores não só com gameplay, mas também com aspectos técnicos.

Entrando em um mercado com diversos títulos do gênero já estabelecidos, Valorant se posiciona como um jogo de tiro tático gratuito, com uma infraestrutura de rede robusta e que roda em computadores não tão novos. Aproveitando o conhecimento adquirido em dez anos de League of Legends e a rede de servidores construída para o jogo, a Riot Games investiu no aprimoramento dessa rede para que ela consiga oferecer uma experiência melhor.

Um dos problemas mais comuns em jogos online que dependem do tempo de resposta do jogador é a alta latência, a demora para que as informações cheguem ao servidor podem causar muita frustração a quem quer jogar em nível competitivo. Com as soluções criadas para Valorant, a empresa promete transformar esses problemas em algo do passado.

Os responsáveis pela infraestrutura e técnica, Dave Heironymus e David Straily, contam que, desde 2014, a Riot trabalha com empresas provedoras de internet para garantir que os jogadores de LoLzinho tenham rotas melhores e possam desfrutar do jogo com ping reduzido. Chamado de Riot Direct, o projeto analisa o fluxo de rede e escolhe as melhores rotas entre os servidores da empresa e a provedora de internet dos jogadores, evitando congestionamentos e colocando outros circuitos para minimizar problemas que podem interferir na experiência dos jogadores.

“Hoje, temos pontos de presença em mais de 35 cidades ao redor do mundo”, contou Dave, durante apresentação no escritório da Riot Games, em Los Angeles, “e as condições de rede são ainda mais críticas em um shooter”.

Depois de fazerem estudos e pesquisas, a equipe de redes montou um plano para dar à maioria dos jogadores de Valorant um ping de 35 ms ou menos. A ideia é entregar esse número para ao menos 70% dos jogadores globalmente logo no lançamento do jogo, e aumentar a cobertura ao identificarem novas necessidades.

Além disso, Valorant terá servidores de 128 ticks. Esse tipo de servidor é capaz de fazer upsample, ou seja, ele consegue igualar virtualmente todos os jogadores para o framerate de 128, mesmo que alguns jogadores estejam usando setups antigos ou tenham conexões mais instáveis. Com um melhor framerate, os movimentos dos personagens ficam visivelmente mais suaves e as chances de perder um tiro por conta de lag do inimigo são reduzidas.

Essas mudanças estão sendo implementadas desde o começo do jogo para diminuir algo comumente conhecido como peeker’s advantage — uma situação comum em jogos de tiro, quando quem está saindo de um esconderijo consegue enxergar quem está do outro lado antes que essa pessoa consiga reagir. Isso está diretamente relacionado ao tempo necessário para que o jogo envie informações para os servidores, e, por isso, é importante diminuir esse tempo o máximo possível.

Tanto investimento em tecnologia e medidas de segurança desde o início da criação do jogo são um atestado de comprometimento à integridade competitiva de Valorant. Straily explica o conceito em poucas palavras:

Integridade competitiva quer dizer que, essencialmente, em toda partida que você jogar, ganhando ou perdendo, você tinha o controle do resultado.

Ou seja, interferências externas fora do controle do jogador como, por exemplo, uma conexão ruim de internet, servidores instáveis ou um computador de performance limitada não são fatores determinantes nas partidas. “O jogo é uma extensão natural da sua habilidade”, completa ele.

Anti-cheat

É impossível falar sobre jogos competitivos online sem falar de cheaters e hacks. Por estimular a competitividade, não é de se estranhar que alguns jogadores queiram atingir resultados sem seguirem os meios legais de progressão, e é aí que entram os esforços anti-cheat, que também estão sendo desenvolvidos desde a fase de protótipo de Valorant.

Paul Chamberlain é o responsável pela segurança e esforços anti-cheat do game, e foi um dos primeiros a entrar na equipe. “Enquanto estávamos construindo o jogo, pudemos pesar as decisões que determinam que tipo de jogo é também como implementar certas funções sabendo de seu impacto na segurança”, conta, “muitas oportunidades estão perdidas porque você não pode voltar atrás e mudar as decisões sobre como o jogo foi feito”.

Uma decisão crucial em Valorant foi atribuir o controle das ações dos jogadores ao servidor:

Os jogadores enviam ao servidor o que eles querem fazer, ao invés de enviar o que aconteceu. Em vez de mandar ‘eu atirei nessa pessoa’, é como se dissesse ‘eu gostaria de atirar nessa pessoa’.

E aí cabe ao servidor determinar se o tiro era possível (verificando se o jogador tinha balas disponíveis, por exemplo), e checar se acertou o oponente de acordo com sua localização.

Deixar as informações centralizadas no servidor também ajuda a reduzir os impactos do wall hack, um tipo de trapaça que é mais difícil de detectar durante partidas. O wall hack faz com que o jogador seja capaz de enxergar as silhuetas dos inimigos através das paredes, dando a ele tempo para se preparar de eventuais ataques. Com o sistema de Fog of War desenvolvido para Valorant, a promessa é de que o jogador não seja capaz de ver as silhuetas com muita antecedência porque as informações sobre o posicionamento dos personagens não são enviadas para o servidor até que sejam necessárias — ou seja, logo antes do contato visual.

Além das medidas de segurança acima, o jogo ainda contará com uma variação do sistema de anti-cheat e anti-tampering de League of Legends, e tem seu próprio sistema de segurança chamado Vanguard, que seria capaz de detectar cheats e banir o usuário no ato. Chamberlain afirmou que a empresa também pretende usar um sistema auxiliado por inteligência artificial através do machine learning, que analisaria o comportamento de jogadores para ajudar a acelerar o processo de encontrar e punir os transgressores — mas garantiu que haverá uma equipe de plantão para analisar casos específicos.

Confira os requisitos mínimos para jogar Valorant abaixo:

Requisitos mínimos (30 fps):

  • Sistema operacional: Windows 7, 8.1, 10 (64-bit é necessário)
  • Processador: Intel Core i3-370M ou equivalente
  • Memória: 4 GB de RAM
  • Placa de vídeo: Intel HD 3000 ou equivalente, com 1 GB Video RAM

Recomendado (60 fps):

  • Sistema operacional: Windows 7, 8.1, 10 (64-bit é necessário)
  • Processador: Intel Core i3-4150 ou equivalente
  • Memória: 4 GB de RAM
  • Placa de vídeo: GeForce GT 730 ou equivalente

Ultra (144+ fps):

  • Sistema operacional: Windows 7, 8.1, 10 (64-bit é necessário)
  • Processador: Intel Core i5-4460 3.2GHz ou equivalente
  • Memória: 4 GB de RAM
  • Placa de vídeo: GTX 1050 Ti ou equivalente

Valorant será um jogo gratuito e será lançado para PC ainda em 2020.


A jornalista viajou para Los Angeles a convite da Riot Games.