Chorus | Review

Com boas doses de diversão e adrenalina, o jogo de combate espacial em mundo aberto entrega uma experiência contemplativa

Tayná Garcia Publicado por Tayná Garcia
Chorus | Review

Desenvolvido pelo estúdio Fishlabs, conhecido pela franquia Galaxy on Fire, Chorus é um jogo de combate espacial em mundo aberto — que entrega uma experiência contemplativa, sem perder o foco de oferecer boas doses de diversão e adrenalina.

O título se passa em um universo cada vez mais perigoso e decadente graças ao Círculo, um culto poderoso liderado pelo misterioso Profeta, que pretende controlar toda a galáxia.

A protagonista é Nara, uma piloto de caça que, após lutar sob comando do Profeta por anos por vê-lo como uma figura paterna, se vê confusa e dividida entre o que acredita e o que o Círculo coloca em prática. Ela, então, decide começar a ajudar as forças rebeldes em busca de respostas e redenção.

Para auxiliar na jornada, Nara pilota Forsaken, uma nave com inteligência artificial que é praticamente uma segunda protagonista. Ela tem mente e ideias próprias, conversa e oferece dicas, instruções e incentivos, além de ter seu próprio arco narrativo.

É com esse cenário que Chorus coloca o jogador para explorar vários planetas, mas não sem algumas pedras (ou asteroides) no caminho.

Chorus se passa em um universo à beira do colapso, e muito desse sentimento é transmitido na ambientação do jogo

Uma odisseia no espaço

A princípio, Chorus parece ser uma história simples de redenção, mas que encontra espaço (trocadilho não intencional) para abordar muitos temas: dualidade entre bem e mal, o que nos torna humanos, avanço da tecnologia, sacrifício e aceitação.

O jogo inteiro se passa dentro da nave e, por isso, apoia-se muito em diálogos e exploração para aprofundar seu universo. No entanto, isso funciona apenas em missões de história, fazendo com que as atividades secundárias soltas pelo mapa se resumam a atividades genéricas, como investigar destroços, aniquilar grupos de inimigos e participar de corridas.

Os personagens secundários ainda são pouco explorados, contando com aparições momentâneas e rasas, que ficam limitadas ao canto da tela. Isso contribui para a sensação de falta de profundidade fora campanha da principal, que destaca apenas a aproximação de Nara e Forsaken.

Isso é o máximo que um NPC aparece: uma pequena imagem no canto da tela, o que se repete até nas cutscenes

Apesar de pouca variedade de cor, a estética dos planetas é belíssima e molda uma atmosfera solitária, com pedaços quebrados de asteroides, estrelas por todo lado, estruturas tecnológicas e até buraco de minhoca. Há ainda partículas que vêm de encontro com a tela ao navegar, um pequeno detalhe visual que agrada os olhos.

A interface é minimalista e bem elaborada, sofrendo pequenas alterações dependendo do que está acontecendo na navegação para dar destaque às ambientações. Um exemplo é como a nave gradualmente se afasta da tela ao acelerar, para destacar os arredores — e como o contrário também acontece, com a nave se aproximando da tela ao desacelerar para focar no que está perto.

Ao acelerar, a nave se afasta da tela para dar destaque à ambientação, além de também afetar os comandos da interface com efeito de glitch

Com intenção de ir além do bom e velho tiroteio no espaço, o combate de Chorus é baseado em dois tipos de mecânicas.

A primeira é o conjunto de comandos básicos da Forsaken, que incluem metralhadora, mísseis e lasers. A segunda já é o diferencial do jogo, por ter ligação com Nara: são os Ritos, habilidades especiais que vão de dash (um salto rápido) a teletransporte, dando uma boa mexida no gameplay.

A nave ainda conta com sistemas de movimentação para puzzles de ambiente, que normalmente acontecem dentro de estruturas, forçando o jogador a se virar para passar por caminhos estreitos e com obstáculos. Essas mecânicas ainda são bem úteis no meio dos tiroteios, para desviar de projéteis ou fazer curvas bruscas para pegar um inimigo de surpresa.

Os hangares são locais em que o jogador pode comprar e manusear os equipamentos da nave, escolhendo as armas e as modificações

Há uma boa variedade de inimigos, que podem ser pequenos ou grandes, sempre com diferentes padrões de ataque e defesa.

Os maiores normalmente contam com pontos fracos específicos, o que faz com que eles sejam os mais divertidos de derrotar. É muito satisfatório ter que passar por dentro de uma nave maior do que você para abatê-la, ao melhor estilo Star Wars.

Chorus também oferece lutas contra chefes, que são mais demoradas e desafiadoras, apesar de poucas. Seguindo a mesma lógica dos pontos fracos, é preciso pensar rapidamente em estratégias para sobreviver e atacar ao mesmo tempo, mas é uma combinação que sofre na prática: como há muita poluição visual, é fácil ficar perdido e sem saber o que fazer em seguida, gerando momentos confusos no meio do combate.

Esse é um dos chefes e, para derrotá-lo, é preciso atingir pontos específicos nos “braços” — algo simples que facilmente se torna uma confusão por ter muito acontecendo ao mesmo tempo

No meio de tudo isso, os recursos do DualSense são poucos, mas constantes. O controle vibra ao acelerar a nave, algo que é divertido nos primeiros minutos, mas se torna um incômodo rapidamente. Isso porque é uma vibração única e contínua durante toda a navegação, sem nenhuma variação — nem mesmo ao disparar ou fazer curvas.

A localização em português brasileiro, que é apenas para o texto, está bem feita e acompanha o tom sério do game: com termos simples e diretos, sem trocadilhos ou humor.

Coro quase em harmonia

Chorus é um space shooter que consegue misturar uma narrativa profunda e uma jogabilidade divertida, que conversam entre si — oferecendo uma experiência que agrada tanto aquele jogador que quer uma boa história, quanto aquele que apenas quer mais “pew pew” com naves.

A jornada de autodescoberta de Nara é empolgante de acompanhar, mas o universo poderia ter mais profundidade fora das missões obrigatórias, oferecendo conteúdo mais variado para incentivar o jogador a explorar além da trama principal.

Há também o fato de que fico cada vez mais confusa quando penso na relação entre os tamanhos dos humanos, das naves e das estruturas — porque elas não fazem lá muito sentido. Não é nada que atrapalhe a jogatina, mas certamente me deixou tão pensativa quanto as reviravoltas da narrativa.

No fim, a sensação que fica é que os prós de Chorus cobrem os contras, oferecendo uma boa aventura (que dura cerca de nove horas) que consegue abordar mais do que apenas dar uns tiros no espaço. E é sempre bom lembrar algo que Forsaken — que é, de longe, a melhor personagem do game — frisa para a protagonista: para corrigir nossas falhas, é preciso entendê-las e aceitá-las antes de qualquer coisa. Só assim poderemos seguir em frente. Só assim teremos a mesma harmonia de um coro.


Este review foi feito com uma cópia cedida pela Deep Silver.

Chorus está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, PC, Google Stadia e Luna.

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