Capitã Marvel | Crítica

Não há dúvidas de que a heroína chegou para ser um ponto de virada da Marvel nos cinemas

Priscila Ganiko Publicado por Priscila Ganiko
Capitã Marvel | Crítica

O filme da Capitã Marvel tem a difícil missão de continuar o legado do universo cinematográfico da Marvel, que conta com alguns dos filmes mais bem-sucedidos de todos os tempos em termos de bilheteria. Já Carol Danvers tem a difícil missão de salvar o mundo e de ser reconhecida como parte importante dos Vingadores, mesmo chegando por último. E ela consegue.

Esse não é apenas um filme de origem da Capitã Marvel, mas também de Nick Fury (Fury, para os íntimos), do Agente Coulson, dos Vingadores e de tudo o que já estamos acostumados a ver no MCU. A trama funciona como um capítulo perdido e, ao mesmo tempo em que Carol Danvers tenta colocar as peças do quebra-cabeças de sua vida em ordem, nós também vemos as lacunas serem preenchidas e as engrenagens se encaixando no universo criado pela Marvel ao longo de todos esses anos.

O longa traz alguns elementos de seus antecessores: efeitos ao estilo de Doutor Estranho, trilha ao estilo de Guardiões da Galáxia, trailers ao estilo Vingadores — não dá pra confiar em tudo o que mostraram nos materiais de divulgação, e os fãs podem esperar algumas surpresas.

A origem da Capitã não é tão mirabolante quanto outras que já vimos. Ela não cria um reator nuclear para salvar seu coração, nem é picada por uma aranha radioativa, e nem é uma deusa ridiculamente poderosa. Carol Danvers é uma moça simples e muito determinada, e é essa simplicidade que carrega o filme. Ela é simplesmente humana, e suas emoções transparecem pela atuação da ganhadora do Oscar, Brie Larson, que está muito bem no papel.

Esse é o primeiro filme solo de uma heroína da Marvel e, assim como foi com Mulher-Maravilha, meninas de todos os lugares do mundo devem se sentir inspiradas por Danvers. A obra trata de questões como preconceito de forma rápida, porém efetiva: logo no começo, a pequena Carol pergunta por que ela não pode fazer a mesma coisa que o irmão. O assunto não é mais abordado diretamente, mas permeia a trama e é fundamental para o desfecho.

O rejuvenescimento digital utilizado para mostrar Tony Stark novinho em uma das cenas de Capitão América: Guerra Civil era promissor, e em Capitã Marvel ele chega em outro nível de qualidade e realismo: é muito fácil esquecer que o ator que interpreta Nick Fury, Samuel L. Jackson, tem 70 anos. Fury e Danvers apresentam uma boa química e desenvolvem uma amizade sincera, mas é com outro personagem que ele perde a pose de durão e tem as melhores cenas: Goose, a gata.

Por ser ambientado nos anos 90, o filme tem uma dose cavalar de nostalgia tanto na música quanto nos produtos, lugares e vestimentas, que são reconhecíveis para o público brasileiro, mas que realmente devem fazer mais sentido para os americanos. A trilha sonora apela para músicas conhecidas da década de 90 como Garbage, No Doubt e até mesmo Nirvana. As letras se encaixam de uma forma quase inacreditável em alguns momentos, mas muitas vezes elas parecem existir só pela referência e acabam soando um pouco forçadas, ao invés de complementarem as cenas.

A trama de Capitã Marvel segue a boa e velha receitinha da Marvel e os acontecimentos são bastante previsíveis no geral, com exceção de alguns momentos genuinamente cômicos. As batalhas do filme têm as mais diversas proporções. Tem luta no espaço, mano a mano, luta que acaba com um golpe, lutas que acabam antes de começar — todas contribuem para entendermos a amplitude dos poderes de Danvers e suas motivações. Alternando entre trechos de ação e a jornada da heroína para descobrir quem ela é, o ritmo do filme oscila, mas não chega a ser cansativo.

Os “extras” do longa são bem-vindos — os primeiros segundos emocionam com a homenagem ao lendário Stan Lee, criador de personagens como Homem-Aranha, Thor, Pantera Negra e Homem de Ferro, que morreu em 2018. A primeira das duas cenas pós-créditos do longa é necessária para todos os fãs do universo cinematográfico desenvolvido pela Marvel, enquanto a segunda funciona mais como um complemento do próprio filme.

Capitã Marvel é um longa essencial para o desfecho desse primeiro grande arco dos Vingadores, e o lançamento tão próximo da estreia do decisivo Ultimato não poderia ser diferente: depois de ver o filme solo da heroína, fica claro que ela será uma peça importante na batalha contra Thanos.

Apesar de ter uma história de origem simples, a versão superpoderosa de Carol Danvers é o início do projeto Vingadores como conhecemos hoje. Com todas as peças encaixadas no lugar e as engrenagens do MCU girando, não há dúvidas de que a heroína chegou para ser um ponto de virada da Marvel nos cinemas — e essa foi só sua primeira aparição.


Capitã Marvel estreia em 7 de março nos cinemas brasileiros.