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Como me apaixonei por The Last of Us com a série e o jogo ao mesmo tempo
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Como me apaixonei por The Last of Us com a série e o jogo ao mesmo tempo

O universo pós-apocalíptico da franquia sob o olhar de um não gamer novato

Pedro Siqueira
Pedro Siqueira
06.mar.23 às 15h02
Atualizado há cerca de 1 ano
Como me apaixonei por The Last of Us com a série e o jogo ao mesmo tempo
Crédito: HBO/Divulgação

Nunca me defini como “gamer”. Não faço ideia de para que serve uma “engine” e não saberia citar de cabeça a posição de cada botão em um joystick (ou controle) do Xbox nem se minha vida dependesse disso. E, antes que o leitor entenda mal, não há orgulho algum nessa ignorância. É um caso clássico de “não é você, sou eu.

Para não dizer que passei mais de 25 anos de existência na Terra completamente à margem dos joguinhos eletrônicos, posso dizer com orgulho que zerei quatro jogos na vida: o clássico (para mim) Spider-Man (2000), de PS1, o primeiro Yakuza (2005), The Godfather: The Game (2006), adaptação de O Poderoso Chefão, e Resident Evil 4 (2005), todos de PS2. Também ostento com carinho um alto recorde, fruto do que com certeza serão alguns meses de vida a menos, no estressante Flappy Bird. Mas, até aí, sempre preferi trocar as horas na frente do console por séries duvidosas (e outras nem tanto) e musiquinhas tristes no MP3.

O interesse mudou um pouco com o anúncio de uma adaptação para a TV de The Last of Us (2013). Acompanhava com interesse a carreira de Craig Mazin após a impecável Chernobyl (2019) e, com o devido crédito, observava com respeito o fascínio de boa parte da equipe Nerdbunker para com o jogo. A série, então, veio e recebeu todos os louros que tipicamente se espera de uma produção HBO. Amiga de pautas e de copo, Tayná Garcia botou todo seu sobrenatural conhecimento da franquia para fora na cobertura completa da trama (que você pode conferir aqui). Mas como eu poderia contribuir para o assunto do momento? Então veio o estalo: a ignorância pode virar conteúdo.

Afinal, de um lado temos os fanáticos do jogo que mergulharam na aventura de Joel e Ellie com os diálogos e combates do jogo gravados na cachola. Do outro, espectadores que descobriram a trama pela primeira vez já na telinha. Mas e se eu conhecesse o universo tão amado com as duas produções? Ao mesmo tempo. Agora.

É o fim do mundo como o conhecemos (e eu me sinto bem)

Joel e Ellie emocionam, estressam e divertem em The Last of Us. Crédito: Naughty Dog/Divulgação

[Atenção: Zona de spoilers do jogo e série The Last of Us]

Em um primeiro momento, questionei por que demorei tanto para me inteirar de The Last of Us. Adoro mundos pós-apocalípticos e tanto o game quanto à série cumprem com louvor a tarefa de mergulhar o fã na ação na ação com um tapa na cara.

Ao longo das semanas, busquei avançar no jogo até onde julgava suficiente para não ultrapassar a série, assistindo à produção religiosamente todo domingo. Já estava vacinado com a morte da pequena Sarah logo no prólogo e tinha o rosto de Pedro Pascal em mente quando controlei o meu Joel.

The Last of Us, série e jogo, foram uma montanha-russa de emoções. Se o caro leitor aguentou ler sobre minha curta vida gamer, já deve imaginar que eu não tinha a mira mais rápida da trama e passei muita, mas MUITA raiva com os infectados do game. A dicotomia entre o gameplay e a narrativa seriada da HBO me criou até um certo cinismo, ao ver Pascal e Bella Ramsey passando com tranquilidade por momentos que, no game, me fizeram xingar até a décima geração de descendentes de Neil Druckmann (criador e diretor do jogo).

Nessas horas, os fãs da série podem levantar as mãos aos céus, pois se a HBO cometesse a insanidade de basear a trama na minha jogatina, você todos teriam visto Joel bater as botas das mais variadas e violentas formas.

Mundo devastado de The Last of Us foi um dos destaques. Crédito: HBO/Divulgação

Devo também tirar o chapéu para toda a construção de cenários e atmosfera do jogo. Para quem estava acostumado com os gráficos do PlayStation 2, foi um deleite ver as cidades desoladas da trama e explorar aquele universo do jeito que eu queria.

Mas, como nem tudo se resume ao gameplay, passar horas na pele de Joel me fez entender direito por que The Last of Us é tão aclamado. Passei raiva, mas também ri, me emocionei e compreendi o afeto do sobrevivente pela jovem Ellie, porque eu mesmo faria tudo para protegê-la de qualquer mal. No coração de um mundo decaído, há a possibilidade de que o amor e a humanidade possam florescer de onde menos se espera.

A série de TV me proporcionou deliciosos momentos que corroboraram como as pessoas são o foco de The Last of Us, com a puxada de tapete que foi o terceiro episódio, focado em Bill (Nick Offerman) e Frank (Murray Bartlett). Muito já foi dito sobre o delicado capítulo, mas que frescor foi ver como uma “adaptação” pode ser utilizada com tanta excelência, e no sentido mais literal da palavra.

Druckmann e Mazin conseguiram, cada um a seu modo, provar que uma boa história impacta seja lá em qual mídia, e que fidelidade e adaptação não precisam ser antagônicas, e ganham força quando complementares.

Jogo me fez querer defender Ellie contra tudo e todos. Crédito: Naughty Dog/Divulgação

The Last of Us, o jogo, não me moldou gamer. Sigo sem saber o que é uma “build” e, bem, você entendeu. Mas o que posso dizer é que, pelo menos, me sinto empolgado para continuar me aventurando com Joel e Ellie, e escrevo isso já com o mouse coçando para adquirir a continuação do game. Que venha mais desgraceiras, Estaladores e noites em claro. “Resistir e sobreviver!

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