Alçada ao sucesso por conta do sucesso de Stranger Things na Netflix, Millie Bobby Brown mostra novamente sua força, agora em Donzela, dirigido por Juan Carlos Fresadillo. O filme, desde os minutos iniciais, é uma ruptura ao clichê da donzela que precisa ser salva, e, por vezes, flerta com o terror.
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Na trama, somos apresentados a Elodie, a princesa e protagonista que, devido aos costumes da época, é forçada a se casar. E tudo parece ir bem, até demais. O pretendente, o castelo, a decoração… até que a trilha sonora e os diálogos lentamente se tornam mais sombrios, como um prenúncio sutil do que está por vir.
Ao final da cerimônia, ela é oferecida a um dragão que exige sacrifícios para não queimar o castelo. Esse trágico desfecho evoca a força da personagem, que se recusa a se entregar. Lentamente, o roteiro assinado por Dan Mazeau (Velozes e Furiosos 10, Fúria de Titãs), expõe segredos sombrios do local, desde os sacrifícios até o que levou à violência dracônica que se sucede — inclusive, existem cenas bastante gráficas que surpreendem positivamente.
Uma boa narrativa dá tempo aos personagens se apresentarem e mostra o avanço deles ao longo do filme. Em Donzela, Mazeau não tem pressa em construir os questionamentos necessários para a trama, e os minutos voam conforme o espectador assiste e fica curioso com o que pode acontecer a seguir. Em nenhum momento a produção se arrasta, e essa é uma das características mais importantes do roteiro.
Outro ponto alto são as interações entre Elodie e a dragão-fêmea, dublada por Shohreh Aghdashloo, cuja voz evoca a natureza sábia e ao mesmo tempo assustadora dos dragões. Elas alternam entre embates e diálogos sinceros sobre quem são, seus passados e o futuro. Ambas são vítimas de uma sociedade que teme o que é diferente e não sabe conviver com isso. Entretanto, cada uma reage a isso de um jeito.
Durante as tribulações e descobertas de Elodie, o cenário não poderia ser mais perfeito para o terror. A produção acerta ao utilizar a sombra das asas, garras, vultos para povoar a mente do público, como se dissesse: “o que tem aqui é verdadeiramente assombroso, viu?”.

Tal recurso pode até ser considerado simples, remetendo ao expressionismo alemão. Mas isso casa bem com a construção lenta da narrativa e enche a mente de expectativa antes da grande revelação da vilã. Além disso, é preciso dar o devido crédito à escolha criativa da equipe de efeitos visuais. O dragão é bem diferente do que estamos acostumados a ver, assim como o fogo expelido, que lembra mais uma lava de vulcão.
Como diz o título, a jornada de Donzela é muito focada em Elodie. Isso poderia ser um problema se a atuação estivesse aquém, mas Bobby Brown dá show e mantém o público grudado em todos os acontecimentos.
Além de ser a única personagem em tela durante grande parte da trama, ela precisa resolver tudo, mostrando que o filme busca fugir dos clichês, evitando que a protagonista seja “salva” em algum momento. Isso é mostrado também nas decisões finais das personagens que, sem spoilers, são interessantes e diferentes do que costuma ser mostrado em Hollywood.
Com tudo isso, Donzela aborda questões importantes, quebra algumas expectativas e entretém com uma boa história, capaz de divertir, aterrorizar e levantar discussões. Uma boa pedida para conferir no streaming.
Donzela está no catálogo da Netflix.