Uncharted – Fora do Mapa | Crítica

Pouco inspirada, adaptação dos games desperdiça potencial em tentativa de estabelecer franquia

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
Uncharted - Fora do Mapa | Crítica

Uncharted – Fora do Mapa é a concretização de um antigo sonho da Sony em levar para os cinemas uma de suas grandes franquias dos games. As conversas sobre o filme começaram ainda em 2008, pouco menos de um ano após o lançamento do primeiro jogo. Quase 15 anos depois, essa novela chegou ao fim em uma produção morna, que desperdiça potencial ao jogar seguro em nome de possíveis sequências.

O filme de Uncharted se propõe a contar a história de como Nathan Drake (Tom Holland) se tornou o experiente caçador de recompensas mostrado nos jogos. Em sua primeira aventura, o jovem ladrão é recrutado por Victor Sullivan (Mark Wahlberg) para encontrar um lendário tesouro que pode também revelar o paradeiro de Sam Drake, o irmão desaparecido do jovem.

Apesar do foco na origem de Nathan Drake ter feito com que os fãs dos games torcessem o nariz para o projeto desde o início, essa premissa por si só poderia se tornar marcante se os realizadores estivessem interessados em se arriscar na busca por uma voz própria. Porém, o que se vê é um festival de clichês do cinema de aventura, gênero que serviu como inspiração para os jogos e aqui retorna para assombrar a falta de criatividade do longa.

O roteiro de Rafe Judkins (A Roda do Tempo) em parceria com Art Marcum e Matt Holloway (Homem de Ferro) até parece consciente que a obra será alvo de comparações e até faz piadinhas com Indiana Jones e Piratas do Caribe, mas para por aí. Não há esforço para trazer um sabor novo à mesa, com cada cada etapa da jornada sendo previsível ao ponto de ser possível antecipar os desdobramentos de cada novidade no momento em que elas acontecem.

Essa falta de criatividade mina Uncharted em diferentes aspectos. O primeiro deles está na própria busca pelo tesouro, já que os personagens chegam a respostas de maneira pouco criativa. Se o público já perde a chance de resolver sozinho os enigmas, como acontece nos games, a frustração fica ainda maior quando o filme não dá a chance de chegar às respostas junto com os personagens. Isso porque antes mesmo de convidar o espectador a tentar solucioná-los, a produção corre para entregar as respostas, que por vezes chegam por puro acaso ou surgem de um conhecimento secreto e muito específico.

Outra ala fortemente atingida pelo roteiro fraco é o elenco. Ainda que escalações como a de Mark Wahlberg como o mentor Sully ou do próprio Tom Holland como Nathan Drake sejam questionáveis já no papel, o texto não dá o mínimo de profundidade para eles ou qualquer outro personagem. Todos surgem como arquétipos ambulantes com um único propósito a cumprir na trama. E é dessa forma que Uncharted desperdiça não apenas a dupla, como também Antonio Banderas, Tati Gabrielle e Sophia Ali.

Por sorte, o projeto não é uma catástrofe por ter como diretor Ruben Fleischer. A experiência do cineasta em Zumbilândia (2009) e Venom (2018) garante ao menos que Uncharted seja divertido graças a sequências de ação empolgantes e cenas de humor que extraem do elenco uma química que supera a qualidade medíocre do texto.

Mesmo que básico, o estilo de Fleischer é competente o suficiente para dar unidade a um projeto tão confuso. O cineasta traz um estilo descolado que dialoga bem com o público alvo e bem-vindas doses de absurdo, que tornam mais aceitáveis as patacoadas propostas pelo roteiro.

No fim das contas, Uncharted se sabota mirando no futuro. Sem correr grandes riscos, o filme deixa as portas abertas para uma sequência sugerida logo na cena pós-créditos. Para os mais otimistas, fica a promessa de que Drake e Sully retornem mais experientes e próximos dos games. Porém, o longa não bastar em si mesmo e precisar recorrer a esperanças para o porvir também prova quão pouco inspirada é a produção, que deveria ser a realização de um sonho que já dura mais de uma década.


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