Twelve Minutes | Review

Você tem apenas 12 minutos para desvendar um mistério

Jeff Kayo Publicado por Jeff Kayo
Twelve Minutes | Review

Twelve Minutes é um game que foge um pouco da experiência tradicional dos jogos modernos. Ele se apoia nos preceitos dos adventures do passado, mas sem os verbos que indicam as possíveis ações do jogador, deixando a gente quase livre o bastante para fazer o que quisermos na tela.

Apresentado pela primeira vez em 2015, foi só em 2019 que tivemos uma versão praticamente completa do mesmo. O jogo parece que não mudou quase nada em relação àquela versão. Inclusive, os rostos abomináveis dos personagens (quando vistos através do olho mágico da porta ou do reflexo do elevador logo no início) continuam os mesmos, mas agora com o suporte das vozes de Daisy Ridley, James McAvoy e Willem Dafoe nos papéis principais.

Mini Loop

Com uma proposta já vista em filmes como Feitiço do Tempo, A Morte Te Dá Parabéns, No Limite do Amanhã, entre outros, Twelve Minutes apresenta um personagem preso nos mesmos acontecimentos de um dia que parecia normal até então. A diferença crucial aqui é que esse loop acontece num intervalo de exatos 12 minutos.

Nesse pouco tempo, o personagem chega em casa e é recebido pela esposa, que tem uma surpresa para ele. Eles comem a sobremesa, conversam e se emocionam. Então chega um policial, os rende, acusa a sua esposa de assassinato e, eventualmente, o marido morre.

Os gatilhos para o loop acontecer são: tempo (acabaram os 12 minutos o jogo começa de novo), tentar fugir do apartamento ou perder os sentidos (por morte ou nocaute). Dentro desses limites, o jogador precisa fazer de tudo para juntar informações e desvendar esse mistério que envolve a sua esposa e o homem misterioso.

Cuidado com os detalhes

Com poucas horas de jogo já é possível perceber como Twelve Minutes entregará seus mistérios ao jogador,sempre à conta gotas, com novas informações sendo inseridas no contexto por conta de, por exemplo, a música que toca no rádio em determinado momento. Às vezes repetir certas ações podem desencadear novos momentos à trama, ajudando a desvendar esse complicado quebra-cabeças.

O título dá liberdade ao jogador para fazer o que quiser, desde o início da aventura. Mesmo o loop inicial nem sempre é o mesmo, dependendo do que o jogador faz nos primeiros momentos do jogo.

Não há um tutorial que o guie nas linhas iniciais da história. É possível até mesmo estragar toda a surpresa da sua esposa com uma simples fala errada (e aconteceu comigo). Mas isso não quer dizer que você fez alguma coisa errada, pelo contrário. O conceito de “errado” não deveria ser aplicado a nenhuma ação do jogo. Tudo que você faz pode ser colhido no futuro como uma recompensa.

Apezinho confortável

Toda ação do jogo acontece dentro do apartamento do casal. Um lugar simples e aconchegante, com a sala dividindo espaço com a cozinha, um closet perto da entrada, um banheiro simples e um quarto.

O ambiente pequeno não dá margem para grandes invenções, porém, liberdade e criatividade precisam andar juntos no jogo. Os comandos tendem a ser intuitivos e funcionam a partir do seu menu na parte de cima da tela. Quer uma caneca, pegue. Precisa de água? Coloque-a na pia. Quer beber aquela água? Coloque a caneca em cima de você.

Algumas resoluções dos quebra-cabeças nascem do total desespero de não saber o que se fazer daquele ponto em diante da história. Ao mesmo tempo, entrar de cabeça no roleplay, fingir mesmo que está ali a procura de respostas e não apenas pensar como jogador pode te ajudar também. Assuma-se no papel do personagem principal e viva aquele drama como se fosse o seu próprio. A conclusão dos principais mistérios da história precisam dessa dose extra de engajamento.

A parte não tão perfeita disso tudo é que alguns diálogos repetidos que acontecem na história podiam levar tons de vozes mais pesados, apressados ou intensos. Dependendo do diálogo escolhido é como se os ânimos do marido regredissem ao ponto inicial da discussão, tirando um pouco a imersão do momento.

Mesmo assim, Twelve Minutes é um jogo bem diferente e que merece a sua atenção. Difícil saber se existem finais alternativos — fiz um que parecia ser o final verdadeiro, mas posso estar errado, talvez? — os jogadores vão descobrir à medida que vivem seus 12 minutos, um de cada vez, como se fossem os últimos da sua vida. E eles meio que podem ser mesmo.


Este review foi feito com uma cópia para PC cedida pela Annapurna. O jogo está disponível para PC, Xbox One e Xbox Series X|S.

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