Projeto Gemini, novo filme de Will Smith, inova com um 3D aperfeiçoado

Assistimos a 18 minutos do filme, que parece ser a junção perfeita de drama, ação e efeitos especiais

Fernanda Talarico Publicado por Fernanda Talarico
Projeto Gemini, novo filme de Will Smith, inova com um 3D aperfeiçoado

A premissa de Projeto Gemini, novo filme do diretor Ang Lee e estrelado por Will Smith, fez o longa demorar algum tempo para ser tirado do papel. Em um primeiro momento, a ideia da narrativa parece simples: o melhor atirador do mundo confronta uma versão mais nova de si mesmo, com as mesmas características e habilidades. Mas a tecnologia necessária para fazê-lo não estava disponível até então.

Um dos diferenciais que a produção pretendia era de ir contra o natural e escolher o caminho mais difícil. A intenção não era colocar dois atores parecidos para contracenarem, mas sim ter o mesmo ator fazendo os dois personagens principais. Para aumentar a dificuldade, o filme conta com diversas cenas de combate corpo a corpo entre os dois, se fazendo necessário ainda mais efeitos especiais para colocar os dois personagens – vividos pela mesma pessoa – juntos em cena.

O projeto chegou às mãos de Ang Lee, o mesmo diretor de As Aventuras de Pi, famoso por ganhar o Oscar de Melhor Diretor, Efeitos Especiais e outros. No longa, foi criado um tigre de bengala inteiramente digital e o filme contou com o 3D estereoscópico – algo como o 3D que estamos acostumados, mas aperfeiçoado. Mas, Lee também foi o responsável pelo drama Brokeback Mountain, amplamente premiado e reconhecido por sua sensibilidade ao tratar de temas sensíveis.

Projeto Gemini parece, então, ter sido concebido especialmente para Ang Lee, um diretor que conseguiria juntar alta tecnologia com o drama que a trama exige.

O resultado na tela

Ao assistir a apenas 18 minutos do filme, já posso dizer que ele parece ter sido mesmo a melhor opção, pois Lee utiliza todo o potencial das câmeras de ação para exibir cenas em 60 quadros por segundo – de maneira a deixar o espectador vidrado. Ao mesmo tempo, faz questionamentos pertinentes e parece lidar muito bem com os dramas pessoais dos dois personagens principais.

Mas, nada disso seria válido sem a dupla atuação de Will Smith. Em três cenas exibidas à imprensa, duas mostraram o embate entre os dois protagonistas vividos pelo ator. Na primeira delas, uma perseguição em Cartagena, Colômbia, traz planos subjetivos e uso de reflexos de espelhos e poças que se somam à profundidade das imagens 3D e trazem realidade e agilidade à cena.

A segunda sequência, diferente da primeira, se passa nas catacumbas de Budapeste e é extremamente escura. Com lutas intensas entre Henry (Will Smith com 50 anos ) e Junior (Will Smith com 23 anos), a coreografia se mostra muito bem ensaiada. O que não falta, neste momento, são closes dos dois personagens, com os rostos colados no meio do combate; é como se o diretor estivesse se gabando e dizendo ao espectador “veja o que eu tornei possível de se fazer”. Aqui, vale pontuar a nitidez da cena que, mesmo no escuro, deixa visível partículas de poeira e fumaça.

Até então, se meus olhos ficaram atentos à tela, dou o mérito a Ang Lee e suas escolhas. Mas, durante a terceira cena, Will Smith é quem toma o controle e mostra também ter sido a pessoa certa para protagonizar este filme.

Para quem assistia a Um Maluco No Pedaço, vai ser espantar com o que vê em Projeto Gemini, principalmente quando quem comanda a cena é o Junior. No último trecho exibido, o personagem aparece confrontando verbalmente o vilão do filme, o personagem de Clive Owen, e o resultado é uma atuação ingênua, jovem e sem os traços marcantes de Smith atualmente.

Em um material exibido por último, com Ang Lee, Will Smith e o produtor Jerry Bruckheimer, o ator explica que ele não foi rejuvenescido digitalmente, “não esticaram minhas rugas”, brincou. Ele gravou as cenas com captadores de movimentos, mas seu personagem foi inteiro criado digitalmente.

Bruckheimer contou ter utilizado antigas gravações de Will Smith para comparar durante a produção do filme e conseguir chegar onde eles queriam, a versão jovem do ator sem a maturidade que ele apresenta hoje. Smith revelou que Lee chegou a pedir que ele “atuasse pior” quando estava interpretando Junior.

Projeto Gemini teve a sorte de juntar um diretor que parece saber exatamente o que está fazendo com um ator que consegue entregar o necessário para transformar a obra em um filme de ação relevante. Com toques importantes de drama e questões filosóficas, a parceria Lee e Smith funcionou de maneira orgânica, e me deixou extremamente curiosa para saber o desenrolar do filme além do que já foi exibido.

Projeto Gemini estreia em 10 de outubro de 2019.