7 vezes em que a cultura pop homenageou Nosferatu

Clássico filme de horror completa 100 anos

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
7 vezes em que a cultura pop homenageou Nosferatu

O mês de março de 2022 marca o aniversário de 100 anos de Nosferatu, um dos mais importantes filmes de terror de todos os tempos. Adaptação não autorizada do livro Drácula de Bram Stoker, o longa mudo se tornou um dos maiores expoentes do expressionismo alemão e ajudou a moldar a imagem dos vampiros no imaginário popular.

Influente e importante, o filme de F.W. Murnau deixou sua marca em toda a cultura pop, que por sua vez, devolveu a gentileza em vários tributos ao longo do último século. Abaixo, reunimos algumas das homenagens a Nosferatu nos cinemas, TV e até na música:

(Quase) todos os vampiros que vieram depois

Apesar de ter nascido como uma versão de Drácula, um dos grandes responsáveis por popularizar os vampiros na literatura, Nosferatu trouxe sua própria contribuição para a mitologia dos sanguessugas. A primeira delas é a noção de que vampiros morrem ao entrar em contato com a luz do sol, característica que não está presente no livro de Bram Stoker e que desde então passou a ser comum a várias dessas criaturas.

Outro impacto está em seu visual monstruoso. Enquanto o Drácula original é sedutor e elegante, o Conde Orlok de Nosferatu tem uma aparência apavorante graças a características como dedos grandes e uma silhueta ameaçadora. Essa imagem é tão poderosa que moldou a imagem de vários outros vampiros icônicos, que vão desde séries como Os Vampiros de Salem e Buffy, A Caça Vampiros a filmes como O Que Fazemos nas Sombras.

Bob Esponja

Mesmo sendo um verdadeiro clássico do cinema de horror, Nosferatu chegou a uma geração de crianças através do Bob Esponja. “Turno Macabro”, o famoso episódio que conta a lenda do assassino Zé do Picadinho, conta com uma rápida aparição do Conde Orlok. Fazendo jus à comédia non-sense da animação, ele faz uma ponta rápida como o responsável por fazer as luzes piscar, uma travessura para assustar a esponja e o Lula Molusco.

A participação não faz sentido e sequer impacta a história, servindo mesmo como uma grande piada que leva em conta o tom de horror que permeia todo o episódio. E não entenda mal, é uma ótima piada, especialmente por mostrar uma das criaturas mais assustadoras do cinema com um sorrisinho sapeca de quem aprontou.

Orlok voltaria a aparecer em outros episódios de Bob Esponja e até no derivado Kamp Koral em uma versão infantil chamada “Kidferatu”.

Marvel e DC

É claro que a influência de Nosferatu chegou às HQs, mas é interessante como esse universo foi incorporado de diferentes maneiras pelas grandes editoras de super-heróis. A Marvel tomou o caminho mais comum e apresentou um vilão vampiresco chamado Nosferatu. Com a aparência clássica do Conde Orlok, ele reúne outros sanguessugas famosos do universo da editora – como o próprio Drácula – para servirem de cobaia para um vírus capaz de deixar o sangue ainda mais nutritivo para sua família, os Nosferati. Sua participação nos quadrinhos é pequena, aparecendo apenas em uma edição de Bloodstone e brevemente na bizarra Fear Itself: Hulk Vs. Dracula.

A DC, por outro lado, tomou um caminho muito diferente. Parte de uma trilogia situada em um universo paralelo com inspiração no expressionismo alemão, Batman: Nosferatu é uma HQ que não adapta a história do filme, sequer incluindo vampiros. O Nosferatu do título, por exemplo, é o álter-ego que Bruss Wayne-son usa para agir como vigilante pela cidade. Por outro lado, a arte de Ted McKeever é fortemente inspirada pelo longa, especialmente no design dos personagens. Tanto o Homem que Ri (o Coringa deste universo), quanto o próprio Nosferatu prestam homenagem a Orlok, com silhuetas esguias e dedos gigantescos.

Música

E é claro que a sinfonia de terror de Nosferatu chegaria também à música. Uma das mais famosas aparições do Conde Orlok fora dos cinemas aconteceu no clipe de “Under Preassure”, canção que promoveu o lendário encontro entre David Bowie e a banda Queen. Em referência à música, o vídeo compila cenas com diferentes formas de “pressão”, que vêm desde questões do mundo real, como cotidiano e guerras, como também na fantasia, pinçando momentos de filmes como Nosferatu, O Médico e o Monstro (1920) e até O Encouraçado Potemkin (1925).

Outra banda a homenagear Nosferatu foi o Ghost, grupo sueco que incorpora elementos de terror às suas canções, ilustrações e performances ao vivo. O filme de 1922 foi homenageado na capa do EP If You Have Ghosts, em que o Papa Emeritus – alter ego do vocalista Tobias Forge – recria a icônica cena de Orlok no navio.

Vampiro: A Máscara

Poucas obras celebram melhor o legado dos sanguessugas do que Vampiro: A Máscara, famoso RPG que também fez questão de homenagear Nosferatu. O filme inspirou um clã de mesmo nome cujo grande Defeito é o aspecto monstruoso fortemente inspirado no visual de Orlok na produção. No universo do jogo, os Nosferatu são conhecidos como grandes espiões graças a furtividade e uso de habilidades como Ofuscação.

Os Nosferatu aparecem também em videogames da franquia, como Vampire: The Masquerade – Bloodlines. Nos games, eles se comunicam por uma espécie de internet chamada SchreckNet, em homenagem a Max Schreck, ator que interpretou Orlok no cinema.

Videogames

Outros games também colocaram seus dentes em Nosferatu. Além de casos em que alguns vilões lembram o Conde Orlok visualmente, o filme já batizou dois games diferentes. O primeiro foi Nosferatu (1994), de SNES, que não conta com nenhuma semelhança com o longa além do título.

Os jogadores só puderam sentir um gostinho do horror original em Nosferatu: The Wrath of Malachi. O jogo de tiro em primeira pessoa acompanha James Patterson, que precisa resgatar seus parentes do Castelo Malachi em um tempo-limite de uma hora e meia. Ainda que não seja o game de terror mais arrojado, ele certamente apresenta uma atmosfera aterrorizante, especialmente no combates contra o Conde Orlok.

Remakes

Até o momento, Nosferatu conta com um único remake. Lançado em 1979, o filme teve direção do lendário Werner Herzog e caiu nas graças de público e crítica – um feito e tanto, considerando que remakes de clássicos dificilmente ganham aprovação por parte da audiência.

Atualmente há dois projetos em andamento com a intenção de refazer o filme de F.W. Murnau. O primeiro é o do diretor e roteirista David Lee Fisher, que lançou uma campanha de financiamento coletivo para poder fazer uma nova versão. Sem muitas novidades desde o cumprimento da campanha, o longa deve ter Doug Jones (A Forma da Água; O Labirinto do Fauno) como Orlok.

Já o segundo é um remake dirigido por Robert Eggers, cineasta que se destacou com A Bruxa (2015) e O Farol (2019). Como atualmente o cineasta trabalha em seu próximo filme, O Homem do Norte (2022), a produção deve demorar a acontecer. A única novidade é que a versão de Eggers terá Anya Taylor-Joy (O Gambito da Rainha).

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