Nem Um Passo em Falso | Crítica

Steven Soderbergh reúne elenco de peso para contar uma história de máfia no HBO Max

Gabriel Avila Publicado por Gabriel Avila
Nem Um Passo em Falso | Crítica

Conscientes de que um catálogo robusto é fundamental para atrair novos assinantes, os serviços de streaming vêm adotando diferentes estratégias para preencher sua biblioteca. Dentre as mais chamativas estão a exclusividade no lançamento do novo filme de um cineasta renomado. É neste espírito que o HBO Max repete a parceria com Steven Soderbergh em Nem Um Passo Em Falso, filme de máfia que reúne um elenco de peso para contar uma história de crime de forma elegante.

Ambientado na Detroit da década de 1950, o longa acompanha um grupo de criminosos formado por Curt Goynes (Don Cheadle), Ronald Russo (Benicio Del Toro) e Charley (Kieran Culkin), três homens filiados a organizações diferentes e que não se conheciam até então. Porém, não demora muito para o plano fracassar e dar início a uma corrida contra o tempo para embolsar a grana, escapar das garras da polícia e de outros grupos mafiosos.

De volta aos filmes de crime, Soderbergh cria em Nem Um Passo em Falso um espetáculo requintado que aproveita ao máximo as peças que têm disponível. O longa não demora a mergulhar com muita reverência na década de 1950 em uma Detroit que se torna mais fascinante e viva a cada cenário, seja a cozinha de uma casa no subúrbio ou uma rodovia cheia de carrões clássicos. Além do espetáculo visual, isso cria uma atmosfera que garante a imersão necessária para acompanhar a teia de eventos que compõem a trama.

Escrita por Ed Solomon, de MIB e Truque de Mestre, a história é muito competente em tudo o que se propõe. Para criar suspense e reviravoltas — dois dos elementos mais importantes no gênero –, o texto se aproveita da natureza imprevisível dos envolvidos e também de informações que são propositalmente escondidas do público. Nisso, a tensão se alimenta do desconhecido sem parecer trapaça e ainda amplia o impacto das revelações.

Benicio Del Toro e Don Cheadle em Nem Um Passo em Falso (Divulgação/HBO Max)
Benicio Del Toro e Don Cheadle em Nem Um Passo em Falso

Com um texto afiado que sabe se divertir no meio do caos e um cenário convidativo, Nem Um Passo em Falso cria o ambiente perfeito para que seu elenco estelar brilhe. Como o material de divulgação já adiantava, os donos do show são Don Cheadle e Benicio Del Toro. Veteranos em filmes de crime — Cheadle sozinho esteve em outros cinco longas de Soderbergh no gênero –, a dupla está mais do que à vontade como tipos muito diferentes de de gângsteres da década de 1950.

Apesar de, no papel, ser um risco enorme contar novamente a história de criminosos que precisam se unir em uma parceria improvável, a dupla têm carisma e cuidado o suficiente para não escorregar. Ao fim das quase duas horas de filme, Curt e Ronald não ficam à sombra de nenhum dos grandes criminosos do cinema e isso diz muito sobre a entrega dos atores.

O mesmo pode ser dito do enorme elenco de apoio. Com papéis bem definidos a desempenhar, cada um dos grandes nomes ajuda a enriquecer a trama enquanto deixa sua marca. Desde a família sequestrada e disfuncional composta pelos personagens de David Harbour, Amy Seimetz, Noah Jupe e Lucy Holt, passando por mafiosos como Ray Liotta, Brendan Fraser e Billy Duke, todos têm sua importância e momento de brilhar.

David Harbour e Kieran Culkin em Nem Um Passo em Falso (Divulgação/HBO Max)
David Harbour e Kieran Culkin em Nem Um Passo em Falso

Até personagens com poucos minutos em tela ganham espaço para deixar sua marca. Jon Hamm como um detetive misterioso, Julia Fox como a amante e até Matt Damon têm ao menos um momento de cair o queixo, o que mostra a grandiosidade dessa história que aproveita como poucas os talentos que tem em mãos.

Chegando ao HBO Max poucos dias após a plataforma estrear no Brasil, Nem Um Passo em Falso é um belo cartão de visitas para o streaming. Com uma história envolvente, um diretor aclamado e um elenco de peso, o longa faz bonito e não desperdiça nenhum dos seus componentes. No fim das contas, Soderbergh voltou ao jogo e criou mais um crime memorável.

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